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Armando, cronista do cotidiano, está agora em livro

Publicado em: 28/04/2006 15:17
Editoria: Diário Oficial

Paulo Souto e Clóvis Ferraz: publicação é fruto de parceria entre Executivo e Legislativo
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O radialista e cronista Armando Oliveira, que completaria 70 anos na próxima sexta-feira, dia 5, ganhará uma homenagem especial nesta data: o lançamento do livro Crônicas de Armando Oliveira, que acontecerá a partir das 17h no Salão Nobre do Palácio da Aclamação. O projeto é fruto de uma parceria entre a Assembléia Legislativa e o governo do estado.

Por entender que o trabalho é de grande importância para a Bahia e os baianos, o presidente da AL, Clóvis Ferraz, encampou prontamente a idéia do governador Paulo Souto, de transformar os escritos diários de Armando Oliveira em livro. Para realizar a tarefa, o chefe do Executivo, que conviveu com o radialista por mais de 40 anos, desde os tempos de juventude em Ilhéus, convidou a jornalista Olívia Soares, amiga e confidente de Armando.

ESTILO DISCRETO

"Homenagens a Armando Oliveira provocam temores nos seus amigos mais próximos. Nenhum homem foi tão avesso a falsas celebrações, elogios vazios e qualquer honraria", testemunha Paulo Souto na apresentação da coletânea. Conhecedor do estilo discreto do cronista, o governador afirma ainda que não haveria melhor forma de homenageá-lo do que imortalizando seus sentimentos, emoções e a digna e original visão de mundo em um livro. "Não o vejo como nome de rua, nem de salas frias da burocracia. Um livro talvez o fizesse dar muxoxos de contrariedade, mas é a homenagem que se encaixa no seu perfil intelectual e cumprirá o papel de preservar o cronista da delicadeza", analisa.

Foi justamente o lado cronista do cotidiano de Armando, pouco conhecido dos ouvintes que o veneravam como comentarista esportivo, que o livro quis destacar. Por conhecê-lo desde a juventude na Capitania de Ilhéus ? foram também parceiros na Rádio Sociedade -, Souto sabia que Armando não guardava o que escrevia e sugeriu, de imediato: "Procurem Dona Aurora", revela Olívia Soares, que contou com a ajuda de Franciel Cruz, Cláudio Leal, também jornalistas, e de Wolney Sampaio, amigo pessoal e companheiro de Armando Oliveira no Banco do Brasil.

No material guardado pela mãe de Armando, estavam as crônicas de sua preferência, mas as demais vieram dos arquivos públicos, através de pesquisa realizada por Misael Tavares, Rúbia Margarida de Oliveira e Camila Lopes de Assis. Ao todo, foram catalogadas cerca de 11 mil crônicas, textos que datam de 1974 a janeiro de 2005, pois Armando escreveu até os últimos dias de sua vida. No final, foram selecionadas 165 crônicas publicadas durante 30 anos, desde a época do Jornal da Tarde, em Ilhéus, passando pelo Jornal da Bahia e pela Tribuna da Bahia, além de A Tarde, Correio da Bahia e Bahia Hoje.

PARTO DIFÍCIL

Amiga fiel de Armando e companheira espiritual até os últimos momentos de sua vida, Olívia conta que selecionar os textos foi uma tarefa difícil por conta das lembranças. "Foram momentos de muito riso e, às vezes, lágrimas. Tínhamos tanta coisa boa que ficava difícil escolher. Chegamos a 260, mas tivemos que reduzir para 165. Aí foi um parto, mas, com certeza, valeu a pena", relata, emocionada.

Impresso na Empresa Gráfica da Bahia (Egba), o livro foi prefaciado pelo jornalista e poeta Florisvaldo Mattos, conterrâneo de Armando Oliveira, e traz ainda textos dos escritores Ruy Espinheira Filho e Guido Guerra, e do "guru político de Armando", Magno Burgos. Há ainda, na orelha, um texto do filho Marcos Oliveira, o Marquinhos, Carta ao meu Pai, retribuindo o carinho que Armando lhe dedicava nas Cartas ao Meu Filho, uma das séries de crônicas publicadas na Tribuna da Bahia, dando conta ao filho, residente na Alemanha, dos acontecimentos cotidianos, políticos e econômicos do Brasil.

"Queremos com a coletânea de suas crônicas não uma homenagem póstuma, pois sabemos que esta nunca foi "a sua praia", mas sim recordar com alegria, carinho e admiração os textos que você escreveu com humor, inteligência, responsabilidade jornalística e um senso de observação invejável", diz o filho.



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