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Paulo Jackson é homenageado na sessão dos 20 anos do Sindae

Publicado em: 27/04/2006 20:06
Editoria: Diário Oficial

Zé das Virgens, Waldenor Pereira e Zé Neto na mesa com dirigentes do sindicato durante ato em que foi lembrada a luta em defesa da água
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O plenário da Assembléia Legislativa foi palco ontem de sessão especial que comemorou os 20 anos de atuação do Sindicato dos Trabalhadores de Água e Esgoto do Estado da Bahia (Sindae). O evento terminou sendo uma homenagem indireta ao ex-deputado Paulo Jackson (PT): morto em maio de 2000, em pleno exercício do mandato parlamentar, foi lembrado em quase todos os pronunciamentos.

A sessão especial foi proposta pelo deputado Waldenor Pereira (PT), que considerou o Sindae como o sindicato mais importante do estado, não só pela defesa dos direitos da categoria, mas especialmente por sua ação política, na defesa da democracia e da cidadania. O petista ressaltou ainda que a Bahia apresenta uma contradição quando se confrontam os dados econômicos - em que o estado se destaca entre os entes da federação - e os índices sociais, em que é apenas o 20º em índice de desenvolvimento humano e campeão em analfabetismo e da escuridão (proporcionalmente, onde ainda há mais pessoas sem acesso à eletricidade).

Ladeando Waldenor na condução dos trabalhos, os petistas Zé Neto e Zé das Virgens também ocuparam a tribuna. "Feliz da Bahia que tem o Sindae como protetor dos nossos interesses", disse Neto, considerando que os embates que virão pela frente serão difíceis, em relação à defesa do patrimônio público. Das Virgens disse ser memorável a existência daquela organização. Todos os três e outros que se seguiram aproveitaram para render homenagens a Paulo Jackson, sintetizadas em uma frase de Neto: "Falar do Sindae é falar de Paulo Jackson".

DEFESA DA SOCIEDADE

Além do ex-deputado, foram feitas homenagens póstumas a Aurino Reis e Adilson Gallo, todos participantes da fundação do sindicato. O coordenador geral do Sindae, Pedro Romildo, se comoveu e foi às lágrimas ao lembrar do convívio com Jackson. Antes disso ajudou a contar a história da entidade, junto com os pronunciamentos do secretário de Reparação Social de Salvador, Gilmar Santiago (ex-dirigente do Sindae), o padre José Carlos, da Associação Social Arquidiocesana, e Antonio Emilton, do Movimento Paulo Jackson.

Cada um descreveu um processo que se iniciou em abril de 1986 para lutar pelos interesses dos trabalhadores da Embasa, mas que logo incluiu o pessoal da Cerb e da Cetrel. Neste percurso, lembraram, evoluiu da luta corporativa para a defesa dos interesses da sociedade, como a ajuda para a formação de novos sindicatos, apoio ao movimento pela terra e, principalmente, na defesa da universalização do esgoto e na da água. Esta preocupação também estava exposta em diversas faixas colocadas nas Galerias Paulo Jackson, a exemplo de "20 anos de conquistas trabalhistas, sindicais e sociais" e diversas falando da luta contra a privatização da água.

O trabalho de enfrentamento que ajudou a reverter a privatização da Embasa foi um marco na história do Sindae, considerou Romildo, dizendo que a entidade evoluiu para ser um sindicato cidadão, atuando em diversos setores da sociedade. Zé das Virgens falou, neste sentido, da resistência no enfrentamento à "violência cruel" que se seguiu nos embates contra a privatização, segundo ele, com seqüestros de pessoas e espancamentos realizados por policiais disfarçados, infiltrados no movimento.

Presentes à sessão, os familiares de Paulo Jackson foram homenageados na pessoa da viúva, Suzana Nascimento. Ela recebeu um bouquet de flores dos meninos da creche Paulo Jackson, de Lauro de Freitas, se dirigiu à cadeira que ele sempre ocupou e que continua vaga e deixou três botões. Depois distribuiu mais flores às cunhadas, sua mãe e os filhos. A emoção era evidente e, neste clima, o artista Wilson Ferreira cantou músicas como Planeta Água, de Guilherme Arantes, e O que É, o que É, de Gonzaguinha. Ao final da sessão, foi apresentado um vídeo institucional do Sindae.



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