Mais segurança para as mulheres baianas e medidas que visam dar um basta na falsificação de carteiras estudantis. A Assembléia Legislativa se reuniu ontem para apreciar projetos de lei do Poder Executivo que tratam desses dois temas. A proteção à integridade feminina ganha, com a mensagem do governador Paulo Souto, novos instrumentos de ação com a criação de oito delegacias, sendo uma na capital e as outras sete distribuídas pelos municípios de Alagoinhas, Barreiras, Camaçari, Candeias, Jequié, Paulo Afonso e Porto Seguro.
Os trabalhos se encaminharam para a aprovação unânime, como já havia ocorrido no âmbito das comissões, tendo diversos parlamentares se pronunciado a favor da matéria, a exemplo da presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Sônia Fontes (PFL). Ela destacou a sensibilidade do governador sobre o assunto e afirmou que, com as novas delegacias, a Bahia se torna o segundo estado com o maior número dessa especializada, só ficando atrás de São Paulo.
O líder da oposição, deputado Edmon Lucas (PTB), também elogiou a matéria, mas lamentou a rejeição da emenda de sua bancada, propondo a criação de uma delegacia da mulher em Lauro de Freitas. Mesmo assim, ele considerou "uma matéria importante para a proteção da mulher". Paulo Azi (PFL), líder do governo, disse que a mensagem demonstra a preocupação do governador com a violência de um modo geral e especificamente contra a mulher, adotando medidas concretas para enfrentar o problema.
CONSENSO
Se o projeto que cria as novas delegacias especializadas dispensou a necessidade de qualquer acordo, a proposta que regulamenta a emissão de carteiras estudantis no estado da Bahia foi a expressão do exercício parlamentar e do entendimento. Inicialmente programada para ir à votação na semana passada, com parecer aprovado no âmbito das comissões, a matéria foi retirada da pauta em função das negociações encaminhadas na Comissão de Educação entre representantes do alunado e os deputados (ver cobertura na página 3).
Trazidos ao debate por deputados da oposição, os estudantes encontraram eco no próprio relator da matéria e presidente da comissão, Antonio Rodrigues (PFL), que se dispôs a levar o assunto aos técnicos da Secretaria da Educação. As negociações originaram a emenda de relator com o substitutivo que foi a plenário ontem. Entre o texto original e o da lavra de Rodrigues, se percebem grandes alterações, mas com o mesmo objetivo: dotar o estado de meios de coibir a falsificação de carteiras estudantis, criando normas para as entidades emissoras.
Um dos dispositivos que saiu do texto original foi a possibilidade de usar o smartcard ? e o seu substituto Salvador Card ? como instrumento de meia-passagem do transporte público e meia-entrada para atividades culturais. As escolas, que também iriam poder emitir, agora dependerão de convênio com as entidades estudantis. "Seria impossível para a SEC fiscalizar mais de quatro mil escolas no estado, além de 417 municípios, no caso da carteira de meia-passagem", avalia Rodrigues. As entidades estudantis, por sua vez, terão que ter no mínimo cinco anos para se credenciar a emitir as carteiras, possuir sede de funcionamento e ter eleição periódica da diretoria, composta por estudantes regularmente matriculados. Os convênios entre estabelecimentos de ensino e os órgãos de representação do alunado terão que ser comunicados à SEC, entre outras medidas.
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