MÍDIA CENTER

Militância de Ana Montenegro é exaltada no Legislativo baiano

Publicado em: 31/03/2006 14:43
Editoria: Diário Oficial

Emiliano José consternado: "Foi uma vida inteira dedicada à causa do povo brasileiro"
Foto: null
O falecimento da histórica militante comunista, Ana Lima Carmo, conhecida como Ana Montenegro, ocorrido na quinta-feira, deixou consternado o deputado Emiliano José (PT). Para expressar seus sentimentos, ele apresentou uma moção de pesar na Assembléia Legislativa, protocolada na Secretaria Geral da Mesa.

No documento, o petista destaca que a militante atuou ativamente na política por mais de 60 anos, sendo 50 no Partido Comunista Brasileiro, do qual foi dirigente do Comitê Central. "Foi uma vida inteira dedicada à causa do povo brasileiro", afirmou Emiliano.

"Ana Montenegro, cidadã baiana, título concedido pela Assembléia Legislativa por proposição da ex-deputada e atual prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, ficou exilada na ex-Alemanha Oriental por 15 anos, com o advento do golpe militar de 64, depois de passar pelo México, Cuba e muitos países em processo de libertação", relatou o parlamentar, destacando suas atividades como advogada, jornalista, poetisa e líder feminista.

"Advogada e militante comunista, pautou sua vida na defesa da dignidade humana, tornando-se referência para várias gerações de políticos, profissionais e militantes dos direitos humanos", destaca, informando que, por sua trajetória, ela recebeu "muitos e "justos" prêmios. Em 2002, foi agraciada pelo governo federal com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos. Seu nome foi incluído entre as quatro mulheres baianas indicadas ao Nobel da Paz/2005.

FORMAÇÃO

Nascida em Quixadá, no Ceará, no dia 13 de abril de 1915, Ana Montenegro formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e casou-se com Alberto Carmo, com quem teve os filhos Sônia e Miguel. Em 1944, filiou-se ao PCB, vinculando-se politicamente ao líder Carlos Marighela. No ano seguinte, quando a luta feminista ainda engatinhava no mundo, fundou a União Democrática de Mulheres da Bahia, integrou a Federação das Mulheres do Brasil e dirigiu a Frente Nacionalista Feminina na década de 50.

"O sobrenome Montenegro foi adotado desde que começou a atuar como jornalista no Correio da Manhã e Imprensa Popular, mas, principalmente, na imprensa porta-voz do PCB, como O Momento, Seiva e Momento Feminino, que tiveram seu auge nas décadas de 40 a 50. Participou da programação regular da Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, e foi cronista das revistas Problemas e Estudos Sociais", informa o deputado, acrescentando que de 64 a 79, no exílio, fez parte da Comissão da América Latina pela Federação Democrática Internacional das Mulheres. "Morreu acreditando na luta pela igualdade, justiça e no ideal socialista. Será sempre lembrada por seu exemplo de vida dedicada à causa dos povos oprimidos", elogiou.



Compartilhar: