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Homenagem a Gaspar Sadoc é marcada por louvação à oratória

Publicado em: 23/03/2006 20:06
Editoria: Diário Oficial

A Assembléia Legislativa comemorou os 90 anos do monsenhor em concorrida sessão especial...
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A sessão especial em comemoração aos 90 anos do monsenhor Gaspar Sadoc transformou o plenário da Assembléia Legislativa em um templo de louvação à oratória - não "à simples palavra que o vento leva, mas àquela que salva e liberta. A palavra não é escrava. Ela é livre como Deus", assegurou o homenageado.  

E foi exatamente o compromisso com a "palavra enquanto instrumento de libertação" que marcou o pronunciamento de saudação do autor da homenagem, deputado Arthur Maia (PSDB). "Andei refletindo sobre o que teríamos a tratar nesta tarde. Mas, a figura que aqui está já é auto-explicativa da homenagem. Acontece que tenho que fazer uma saudação. Mas, como saudar uma figura que é um dos maiores oradores da Bahia?"

A resposta a tal indagação, o deputado encontrou buscando inspiração em outro religioso que tinha o dom da palavra, o padre Vieira. "Permitam-me a conjectura, mas devo dizer que padre Vieira é uma figura que está ligada ao monsenhor Sadoc. São intelectuais que interferiram intensamente na vida social do país".    

Logo em seguida, Arthur Maia fez um apanhado histórico sobre as ligações entre a Igreja Católica e o Brasil, destacando "o importante e significativo papel que a religião exerceu na vida nacional".

                                        HISTÓRIA E TOLERÂNCIA

Para fazer a ponte entre a trajetória do homenageado e do desenvolvimento da nação, o parlamentar usou da erudição e lembrou do clássico do economista Celso Furtado. "Em Formação Econômica do Brasil, o pensador chega a dizer que não seria possível construir nossa pátria não fosse a cana-de-açúcar. E o monsenhor é originário exatamente do Recôncavo, terra que contribuiu para a riqueza nacional com este produto. Assim, Sadoc está vinculado intimamente com a história do Brasil".

De acordo com o parlamentar, o homenageado tem "a cara do Brasil" e principalmente da Bahia, simbolizado principalmente pela tolerância, "o saudável convívio com a diferença. O senhor é um símbolo do ecumenismo baiano", resumiu Arthur Maia, acrescentando que espera ver "Sadoc vivo por mais 90 anos, para que possamos usufruir de sua sabedoria, da presença do pregador e do semeador da concórdia".   

                                                         EMOÇÃO

No seu discurso de agradecimento, monsenhor Sadoc tratou as palavras com intimidade, fazendo um jogo de idéias sobre o significado da sessão e da Bahia: "É muito difícil entender o baiano sem alegria e o coração. E é o coração que está fazendo festa para alegria do meu coração, não do meu em particular, mas o desta nação chamada Bahia", afirmou, destacando que se sentia feliz, muito feliz, por ser baiano e por estar completando 90 anos.

"Em toda a minha vida, nunca tive a idéia de querer ser mais do que Deus me permitiu. Nunca quis um degrau que não fosse meu", assegurou, observando que o seu lugar é junto ao povo da Bahia. Visivelmente emocionado, com a voz embargada, ele falou dos seus 65 anos de sacerdócio. "Tornei-me sacerdote para ser escravo de meu povo, escravo do amor. Obrigado meu Deus e obrigado meus irmãos por toda a beleza e grandeza da vida".

                                                          SATISFAÇÃO

Antes de encerrar a sessão, o presidente da AL, Clóvis Ferraz (PFL), fez questão de destacar a satisfação de presidir tão importante reunião. "Por sua ação pastoral e social, o monsenhor Gaspar Sadoc merece o respeito e a admiração de todos. Este baiano de Santo Amaro da Purificação ? de inteligência e oratória excepcionais ? cultivou em seus 90 anos de vida a humildade e a dedicação aos carentes, só comparável ao seu fervor religioso".  

Além do presidente, do homenageado e do proponente da sessão, a mesa dos trabalhos contou com o ex-governador Lomanto Júnior, o chefe da Casa Militar, coronel Cristóvão Rios, o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Paulo Maracajá, o presidente da Fundação Visconde de Cairu, Walter Crispim, a presidente da Associação Comercial da Bahia, Lise Weckerle, e Claudelino Miranda, membro da Comissão Comemorativa dos 90 anos de Sadoc.



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