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Proposto o tombamento do trio Armandinho, Dodô e Osmar

Publicado em: 10/03/2006 14:45
Editoria: Diário Oficial

Roberto Muniz destaca o papel da criação de Dodô e Osmar no sucesso do Carnaval baiano
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O deputado Roberto Muniz (PP) propôs, através de um projeto de lei, que o trio elétrico Armandinho, Dodô e Osmar seja tombado como Patrimônio Cultural da Bahia. "Essa é uma atitude mais do que justa diante de tudo que eles fizeram, estão fazendo e hão de fazer para consolidar e expandir cada vez mais a presença dos trios independentes no Carnaval da Bahia", observou Muniz na justificativa da proposição que já está tramitando na Assembléia Legislativa.

Para o parlamentar, a história do Carnaval da Bahia pode ser dividido em duas fases distintas: antes e depois do trio elétrico criado por Dodô e Osmar. "A primeira fase era comandada pela elite dominante através dos grandes bailes dos tradicionais clubes carnavalescos. Com a chegada do trio elétrico, houve uma ruptura desse modelo excludente para um Carnaval participativo", assinalou Muniz.

Ele conta que, segundo relato do próprio Osmar Macedo, tudo começou sem nenhuma premeditação, quando em 1950 uma gigantesca orquestra do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas do Recife deu uma parada em Salvador a pedido da prefeitura para fazer uma rápida apresentação, exibindo o autêntico frevo de Pernambuco. Diante da grande divulgação, os amigos e músicos Osmar e Adolfo Nascimento, o Dodô, resolveram ir até o Campo Grande assistir à apresentação e, empolgados com o frevo, naquela mesma noite decidiram criar a "dupla elétrica".

No dia seguinte, Dodô já construía a fonte que trabalharia ligada na corrente da bateria e armava alto-falantes colocados em frente e atrás da Fobica, enquanto Osmar decorava o Ford 29, de sua propriedade, com confetes coloridos, e pintava compensados recortados em forma de violões para serem nele dependurados. Ensaiaram bastante os frevos pernambucanos e, no domingo de Carnaval, em pleno corso da Rua Chile (onde aconteciam os desfiles dos carros alegóricos dos tradicionais clubes), adentraram Dodô e Osmar com a Fobica tocando frevo com cerca de 300 pessoas atrás, pulando e dançando.

Daí em diante, o Carnaval baiano só fez se agigantar. "Na festa já atestada como a maior do mundo pelo Livro dos Recordes, este ano a movimentação financeira ultrapassou R$1,2 bilhão, segundo estimativas da Emtursa. A soma é o resultado do consumo de mais de dois milhões de foliões - sendo 417 mil turistas, provenientes de mais de 40 países e de todos os estados brasileiros, que tomam conta dos 27km dos circuitos.

"Na avenida, o trio elétrico Armandinho, Dodô e Osmar, além de reviver canções de velhos carnavais, também se integra à nossa cultura afrodescendente", acrescentou o parlamentar no documento. Para Muniz, ao consolidar o Carnaval da Bahia, o trio elétrico Armandinho, Dodô e Osmar tem também o crédito de ser um grande fator de desenvolvimento da economia baiana.



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