A agressão sofrida pelo repórter fotográfico Paulo Mocofaya quando trabalhava em Camaçari foi repudiada na Assembléia Legislativa pelo deputado Edson Pimenta (PCdoB), através de moção de pesar que protocolou junto à Secretaria Geral da Mesa. O parlamentar fez um libelo contra a violência e defendeu a liberdade de expressão - e de opinião - destacando o fato do profissional não ter esboçado qualquer reação.
De acordo com o deputado, o fotógrafo foi apanhado de surpresa. "O ataque desferido pelo sócio majoritário da TV Camaçari, Juciélio Andrade de Oliveira, foi feito de forma arbitrária e desrespeitosa. O jornalista fazia a cobertura de audiência ocorrida no Ministério Público do Trabalho, provocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade no último dia 17", informou o comunista, acrescentando que o incidente aconteceu na frente do prédio onde se realizava a audiência que apura a hipótese da TV Camaçari estar cometendo irregularidades na contratação de funcionários sem a devida habilitação profissional.
"Paulo Mocofaya foi vítima de um ato de selvageria que chocou a todos os presentes", salientou o deputado do PCdoB, que frisou o fato do profissional ser "agredido a socos e empurrões, tendo Juciélio Andrade de Oliveira procurado ainda quebrar o equipamento. Segundo testemunhas, tais fatos deixaram as autoridades e os presentes no local estarrecidos, dado à ousadia e desrespeito dos atos". Pimenta lamentou a constância dos crimes e de outros atos de violência cometidos contra os trabalhadores da imprensa em nosso estado, preocupando sindicatos das categorias dos meios de comunicação - principalmente pela impunidade observada nesses episódios, assinalou.
LIBERDADE
A investigação severa desses crimes contra a liberdade de imprensa e a punição dos envolvidos em processos dessa natureza não podem continuar a registrar baixos índices, quer pela falta de estrutura policial, quer pela morosidade da Justiça, pois, segundo o deputado, "isto faz de seus autores reincidentes e espelho para a continuidade dessa prática repugnante". O parlamentar ressaltou também o desrespeito do autor das agressões para com o poder público constituído, "violando o estado de direito amparado pela oligarquia monolítica que, por muitos anos, governou aquele município".
O parlamentar acredita que o despertar para um novo tempo, às vezes, deve ser ocorrer contra os dominantes de antes, de forma exemplar e rígida, para que sejam respeitadas a diversidade de pensamentos e a pluralidade dos atos. "Esta agressão fica ainda mais escabrosa tendo partido de um cidadão que atua à frente de empresa de radiodifusão, logo é concessionário do poder público nacional", destacou.
SINDICATO
A agressão perpetrada contra o fotojornalista Paulo Mocofaya, profissional com quase 30 anos de história no jornalismo baiano, foi repudiada com vigor também pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia, Sinjorba, através de nota pública emitida por sua presidente, a jornalista Kardelícia Mourão. Mocofaya recebeu também moções de solidariedade da Associação dos Repórteres Fotográficos, Arfoc, e do Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade, Sinterp.
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