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Combate ao racismo marca sessão da Consciência Negra

Publicado em: 29/11/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

No evento, estudantes do Colégio Terceiro Milênio, do bairro da Mata Escura, juntaram-se aos convidados dos mais diversos setores sociais.Os trabalhos, idealizados por Luciano Simões Filho, foram abri
Foto: Paulo Mocofaya/Agência-Alba
O combate ao racismo é uma causa de todos, é uma questão brasileira. A afirmação, feita pela secretária de Reparação de Salvador e ex-reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Ivete Sacramento, resume o espírito que tomou conta, ontem, da sessão especial realizada na Assembleia Legislativa da Bahia para celebrar o Dia da Consciência Negra. A sessão foi proposta pelo deputado Luciano Simões Filho (PMDB) e reuniu autoridades, militantes do movimento negro, professores e estudantes da rede pública do estado.
No discurso que abriu o evento, Luciano Simões Filho lembrou que o Dia da Consciência Negra foi escolhida por conta da morte de Zumbi dos Palmares, ocorrida há 321 anos. “Além de lembrarmos a importância deste líder negro e símbolo de resistência contra a escravidão do Brasil, precisamos refletir sobre o papel do povo negro na sociedade e as batalhas travadas pela liberdade, principalmente aqui na Bahia”, defendeu ele.

Para Luciano Simões Filho, não basta apenas reverenciar o passado e a luta do povo negro. “É no dia a dia que precisamos demonstrar este reconhecimento, a partir do estabelecimento de políticas públicas que tentem reparar os atrasos históricos e de enfrentamento ao racismo, pela igualdade, melhorias sociais, de saúde e educação”.

De acordo com Simões, o PMDB tem travado uma luta intensa em defesa de uma política mais agressiva para a comunidade negra, através do PMDB afro. Afirmação reforçada pelo presidente do PMDB Afro, secção Bahia, Nestor Duarte Neto. Assim como Ivete, para Nestor Neto, a luta contra o racismo independe de partido político, raça e religião. “É reconhecendo o racismo que se combate ele”, acredita.
Nessa mesma linha, Ivete Sacramento defendeu que para combater o racismo é preciso primeiro conhecer não só a história, como também a situação em que vive hoje a população afrodescendente na Bahia e no Brasil. “Quem de nós conhece a localização das comunidades quilombolas de Salvador? Tem gente que não sabe nem o que é, mas os quilombolas existem, são irmãos, são brasileiros e têm os mesmos direitos que temos”, observou.

Ivete não ficou só no discurso. Ela, que foi a primeira reitora a implementar a política de cotas numa universidade no Brasil, cobrou dos deputados a elaboração de leis e políticas públicas que favoreçam as comunidades afrodescendentes. “Precismos, sim, trazer para essa Casa não só a presença física dos negros, mas as políticas públicas para alcançarmos os negros em todo estado da Bahia, estudando o problema do racismo, promoção da igualdade e fazendo propostas efetivas para beneficiar essa população”.

Ela lançou ainda um desafio para o deputado Luciano Simões Filho: o de elaborar  projetos  para as comunidades quilombolas da Bahia,  junto a com a Fundação Cultural Palmares. “Temos que mudar a legislação para reparar essas comunidades e mudar legislação é com esta Casa aqui”, argumentou. “O senhor será o representante das causas negras neste Parlamento”, acrescentou ela, se dirigindo ao peemedebista. 

A sessão de ontem foi marcada também por apresentações de música, teatro e pela entrega de certificados a personalidades que têm serviços prestados em benefício da população negra. O professor e historiador Elísio Brasileiro deu também uma aula muito esclarecedora sobre o papel do negro na formação da sociedade brasileira. 

“Pelo amor de Deus, quem não tem sangue africano aqui?”, questionou o professor. “Quando vejo algum ato racista, o primeiro sentimento que tenho é de pena, porque quem estuda o mínimo da nossa cultura sabe que a população brasileira é miscigenada e formada por três etnias: o branco, o índio e o negro”, concluiu ele.


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