Para conhecer e debater “os questionamentos, deficiências e carências” do esporte universitário na Bahia e traçar um panorama sobre seus desafios, o presidente da Comissão Especial de Desporto, Paradesporto e Lazer da Assembleia Legislativa, deputado Bobô, do PC do B, realizou ontem audiência pública com o objetivo de “lançar um olhar forte” sobre o assunto.
“A situação é difícil” foi o tom dos pronunciamentos. A começar pela inexistência de uma política pública nacional voltada ao esporte universitário, o que produz reflexo negativo em todas as universidades federais do país. Na Bahia, apesar desta deficiência e para contorná-la, foi criado um Grupo de Trabalho no âmbito da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (Proae), da Universidade Federal da Bahia, que no momento se dedica a elaborar uma política para o segmento esportivo na comunidade universitária que englobe todos os atletas, sejam estudantes, técnicos ou professores.
Segundo Mário Sérgio Nascimento Silva, coordenador do grupo de esportes e lazer da Proae, “não há estrutura institucional que dê suporte” ao esporte universitário, mas ainda assim a Pró-Reitoria investe cerca de R$ 300 mil ao ano em apoio aos atletas, que treinam por conta própria, mas recebem da Ufba suporte no pagamento da inscrição, fornecimento de uniformes, passagens, hospedagens. A Bahia não participa mais do programa Bolsa Atleta, do Ministério dos Transportes, porque estava havendo dificuldades em adequar os desportistas baianos aos critérios da Lei, com a Ufba “correndo o risco de pagar a quem não precisa”. O Bolsa Atleta concede recursos que vão de R$ 370,00 a R$ 3.100,00 mensais.
FUTURO
Ainda assim o grupo de trabalho da Proae pretende incluir formas de apoio financeiro aos universitários baianos, tanto para os que praticam esportes de alto rendimento quanto para os de representação. Mário Sérgio não considera justo que os atletas “estudem o dia todo e treinem à noite sem uma ajuda de custo”. E tenta firmar convênio com o Governo do Estado, através da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esportes para que possam ser utilizados os equipamentos do Estado não somente pelos estudantes, mas pelas comunidades do entorno dos campi.
A Ufba já desenvolve um projeto de inclusão com o bairro do Calabar e pretende estender esta ação às demais comunidades vizinhas das suas unidades em Salvador. Por este convênio, as cinco quadras, o campo de futebol e a pista de atletismo da Universidade seriam igualmente utilizadas para as práticas esportivas.
Hoje a Bahia tem 120 atletas nas modalidades de esportes coletivos de quadra, individuais e 400 estudantes que jogam futebol. O campeonato universitário deste esporte começa no próximo dia 26 e envolve cerca de 20 cursos da Ufba. Mas há bem mais desportistas universitários na Bahia. Segundo dados da Federação Universitária Baiana de Esporte (Fube), há cadastrados no seu sistema cerca 1.500 atletas e 44 instituições de ensino.
TROFEUS
Conforme seu presidente, Simon Vasconcelos, as carências são muitas e o processo da Fube “é lento”. A entidade estava desativada e começa o processo de reorganização em busca “da construção de credibilidade”, sobretudo junto a parceiros em potencial, como é a Sudesb – Superintendência dos Desportos do Estado, de quem a Federação espera apoio institucional (indicando estudantes para receberem os benefícios do Faz Atleta) e financeiro, com o Governo fornecendo “ajuda de custo” para os jogos da Liga Baiana Universitária e para as viagens.
A Bahia acaba de retornar dos Jogos Universitários Brasileiros – Jubes, realizados em Cuiabá. Participou com 60 atletas e conquistou dois troféus de vice-campeã no futsal e handball, com equipes da Faculdade Social da Bahia. Este resultado fez a Bahia subir para 1ª divisão do Jubes. Apesar de todas as dificuldades e desafios, Simon Vasconcelos está confiante quanto ao futuro dos esportes universitários.
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