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Assembleia realiza sessão especial em defesa da vaquejada

Publicado em: 08/11/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

Evento idealizado pelo deputado Eduardo Salles contou com a participação de diversos setores da sociedade civil organizada
Foto: Arquivo/Agência-Alba
“Senhor ministro, pelo amor de Deus. Não acabe a Vaquejada. Ela é nosso sustento, nosso pão de cada dia. Ela é o nosso emprego, nossa única alegria”. Foi com os versos de Adelmário Coelho e Duda Mendonça, que teve início a sessão especial em defesa da vaquejada, proposta pelo deputado Eduardo Sales (PP). A sessão começou às 10h, com o plenário lotado de vaqueiros, criadores, promotores e representantes dos diversos segmentos envolvidos com a prática – unânimes em negar a ocorrência de maus tratos com os animais.

Na área frontal ao Palácio Deputado Luís Eduardo, cavalos, bois (de sela), garrotes e vaqueiros (encourados) compuseram o clima festivo no qual os trabalhos foram revestidos. Esta sessão especial contou ainda com o apoio dos deputados Gika Lopes (PT), Leur Lomanto Jr. (PMDB) e Adolfo Viana (PSDB), coautores do requerimento de sua convocação. 

Os trabalhos tiveram o intuito de mobilizar os amantes dos esportes a cavalo para levar ao conhecimento da sociedade que é possível manter a tradição das vaquejadas sem imputar qualquer tipo de maus tratos aos animais que se fazem presentes na prática. Além de discutir os meandros da prática, a sessão pautou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que no último dia 6 de outubro julgou inconstitucional a lei cearense nº 15.299/2013 que regulamenta a vaquejada. 

Sob os aplausos de vaqueiros, lideres de associações e donos de haras, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PSL), convocou os integrantes da mesa de honra dos trabalhos deixando clara a sua posição de apoio ao movimento e de repúdio à criminalização da vaquejada. Nascido em Antas, na região Nordeste da Bahia, produtor rural, ele conhece a importância dessa tradição para os nordestinos – sobretudo para quem vive no campo. O deputado Marcelo Nilo nega a existência de negligência ou de descuido com os animais e lembrou que “os esportes com cavalo e as vaquejadas fazem parte da vivência de todos aqueles com origem no campo”.

 O presidente da Assembleia também ressaltou que esta é uma luta de cunho político e jurídico, mas que o povo do nordeste participará desta luta em todas as frentes, convencido do apoio de toda a bancada federal da Bahia à revisão da decisão do STF e do estabelecimento de uma legislação nova adequada a esse tipo de esporte, que junto com os rodeios mobilizam a população rural brasileira.

O deputado Eduardo Salles, proponente da sessão especial, idealizador da cavalgada realizada ontem na capital baiana, em reação decisão do STF, “argumenta que é um equívoco considerar inconstitucional a lei que regulamenta a vaquejada no estado do Ceará”. Segundo o progressista, a ação do Supremo que gerou uma reação de não aceitação em todos os estados do Nordeste, que vem somada à apreensão da inconstitucionalidade cearense chegar à Bahia e aos demais estados da região que têm como pratica cultural a vaquejada.

Na mesma linha de entendimento, o vice-governador João Leão declarou que “não há sentido na proibição da vaquejada, pois trata-se de uma pratica antiga que movimenta a economia de inúmeras cidades do interior baiano”. O vice-governador revela que em sua juventude “correu atrás de boi e aprendeu com os vaqueiros boa parte das suas experiências de vida”.

Sob os aplausos dos presentes, o senador Otto Alencar coloca em questão a falta de audiências públicas para melhor debater o assunto. “O STF considerou como inconstitucional uma lei sem abrir para discussão popular, sem ouvir os prós e os contras da questão”. O senador baiano ressaltou que o Supremo emitiu  parecer frente ao artigo 225, inciso 7º da Constituição Federal que veda práticas que submetam animais à crueldade, sem uma avaliação prévia do que verdadeiramente ocorre nas arenas.

Ismael Ribeiro, vaqueiro desde os 15 anos, admitiu que caso a proibição do Supremo chegue à Bahia prejudicará inúmeras famílias do semiárido. Aos 80 anos Ismael diz que assim como ele, muitos vaqueiros não se vêm em outra profissão. “Nos escolhemos ser vaqueiros. É a nossa profissão e temos orgulho dela”, relatou.

Caso a decisão do Supremo seja estendida a todos os estados desempregará mais de 700 mil brasileiros. No Ceará, as vaquejadas geram uma renda de aproximadamente 14 milhões de reais por ano. Na Bahia, os eventos geram cerca de 5 mil empregos diretos e fomentam uma indústria que vai desde os cuidados médicos e materiais de proteção tanto para os animais quanto para os vaqueiros, além da confecção de produtos especializados, como ração, botas, cintos, chapéus, dentre outros.

Juntaram-se a Eduardo Salles na defesa da vaquejada, a deputada Fátima Nunes (PT), o presidente da Associação Baiana de Vaquejada, Valmir Velozo; o vaqueiro Gilvan Santos; o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo de Passeio e Esporte, Leonardo Abreu, entre outros.


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