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Legislativo concede Comenda 2 de Julho à socióloga Vilma Reis

Publicado em: 28/10/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

Ouvidora da Defensoria Pública foi bastante aplaudida quando recebeu a honraria
Foto: Arquivo/Agência-Alba
Referência em ações de defesa e garantia de direitos da população negra, mulheres, jovens, comunidades quilombolas e LGBT, a socióloga e ouvidora da Defensoria Pública da Bahia, Vilma Reis, recebeu, na manhã de ontem, às 10h, no plenário da Assembleia Legislativa, a Comenda 2 de Julho. Segundo o deputado estadual Gika Lopes (PT), proponente da homenagem, a entrega da honraria  não representa apenas uma homenagem, mas “uma forma de reconhecimento a todos e todas que contribuem ou tenham contribuído para o desenvolvimento político, social e administrativo da Bahia”, afirmou. 

Gika Lopes contou que a entrega da comenda é o reconhecimento da trajetória e dedicação aos movimentos sociais e ao serviço público da Bahia por Vilma Reis. “É uma vida de luta pela organização e empoderamento daqueles que historicamente tiveram seus direitos negados em nosso Estado e no Brasil”, ressaltou o deputado, salientando que Vilma Reis exerceu a função de Ouvidora Geral na Defensoria Publica do Estado da Bahia, desenvolvendo com responsabilidade um serviço público de grande importância para a sociedade baiana.

Representando a Defensoria Pública, Ralison Gimeniz afirmou que a Defensoria Pública não seria o que ela é hoje sem a presença de Vilma Reis no órgão. “Eu sou defensor público desde 2007 e boa parte do meu curso de formação foi feito por Vilma Reis. Tenho certeza que isso influenciou muito no defensor que eu me tornei e nos valores que adquiri. Essa homenagem se dá pelos seus muitos méritos”, afirmou. 

A secretária de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, representado o governador Rui Costa, parabenizou a iniciativa do deputado Gika Lopes pela coragem de fazer história na Assembleia Legislativa. “Parabéns Gika Lopes por trazer aqui o registro do reconhecimento da luta do povo negro ao outorgar essa medalha à socióloga, mulher guerreira dos direitos humanos e companheira de luta, Vilma Reis”, afirmou. 

Em seu discurso, Vilma Reis ressaltou a importância dos movimentos sociais como transformadores de realidades e falou sobre as dificuldades de construir esses movimentos no interior do Estado. “Para nós, esse momento é tão importante quanto foi  Maria Felipa entrar em Salvador, na Independência da Bahia. Foi uma mulher negra que nos fez ter o 2 de julho, tornando possível estarmos aqui de pé, vivas, para contar essas histórias”, disse.

Na oportunidade, Vilma Reis também encaminhou duas propostas para serem analisadas na Assembleia Legislativa, através do deputado Gika Lopes e demais parlamentes presentes na sessão. A aprovação de um plano de trabalho produzido pela Rede de Mulheres Negras e a votação da nova Lei Orgânica da Defensoria Pública.

HISTÓRIA

A socióloga Vilma Reis, formada pela Universidade Federal do Estado da Bahia (UFBA), foi coordenadora executiva do Ceafro e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN). E também coordenadora do Centro de Combate ao Racismo do Estado da Bahia. Em 1989 atuou nas lutas pelo direito a moradia. De 1996 a 1999, atuou no Fórum de Mulheres de Salvador. Entre 2009 e 2012, participou do Movimento de Defesa das Comunidades Quilombolas na Chapada Diamantina. Uma longa trajetória de luta e organização do povo na Bahia.
Natural de Nazaré, Recôncavo Baiano, é ativista do Movimento de Mulheres Negras. Foi professora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), pesquisadora associada do projeto Raça e Democracia nas Américas e da Associação Nacional de Cientistas Políticos Negros (as) dos EUA.
Vilma Reis também foi coordenadora executiva do Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceafro) e presidente do Conselho de Desenvolvimento das Comunidades Negras. É referência nacional na luta contra a discriminação racial e pelos direitos das religiões de matriz africana.


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