“Maria, Maria é um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta. Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta”. Ao som da Banda percussiva Didá e com o plenário repleto de “Marias”, teve inicio a sessão especial em celebração ao “Outubro Rosa”.
Realizada na manhã de ontem, no plenário da Assembleia Legislativa, a sessão atende a uma proposta da Comissão dos Direitos da Mulher, presidida pela deputada Fabíola Mansur (PSB), em conjunto com a Comissão de Saúde e Saneamento, liderada pelo também deputado Alex da Piatã (PSD). A sessão, assim como a realizada em 2015, colocou em pauta a necessidade de mais políticas públicas através da elaboração de propostas que ampliem o acesso aos serviços de saúde para o diagnostico precoce e principalmente as alternativas de tratamento.
De acordo com a oncologista Vanessa Dybal, a assistência em saúde oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) “está muito a quem das demandas que o sistema anualmente recebe”. Vanessa revela que a maioria das pacientes tratadas pela rede particular, ainda que descubram o câncer em seus diferentes estágios têm possibilidade de cura e expectativa de vida superior a 95%, em relação às pacientes tratadas pela rede pública. Ela atribui essa disparidade à deficiência no acesso aos exames preventivos e à assistência medicamentosa. Mesmo esta sendo incorporada pela rede pública, a distribuição não é eficaz.
Thiago Turbay, assessor de Relações Governamentais da Femama, Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, pontua a falha do sistema público de saúde, SUS, ao registrar os números de pessoas com câncer, principalmente o de mama. “Mesmo após anos de conhecimento da doença, o SUS ainda não consegue computar o contingente de pacientes com câncer”. Todo esse descontrole, segundo Thiago, está refletido na falta de qualidade e eficácia dos atendimentos prestados neste sentido.
Em debate realizado na assembleia em outubro de 2015, o assessor da Femama, também pontua que a parcela do orçamento da saúde destinado a oncologia era de 2%, o que significava R$ 103 bilhões de reais. Em 2016 o cenário não é diferente. No entanto, a impressão clara, tanto para o assessor da Femama quanto para os presentes, é que as dificuldades enfrentadas pelos pacientes com câncer é a má gestão dos recursos.
Presidindo a mesa de trabalho, Fabíola Mansur ressaltou que a sessão é o momento para reunir ideias, questionamentos e soluções inteligentes trazidas por pacientes e entidades de assistência à pessoa com câncer de mama ou não, “para que a partir dessas demandas, tenhamos condições de construir uma proposta segura, bem embasada e munida da força e garra que as mulheres que enfrentam uma doença tão agressiva como o câncer tem”.
Ao lado das deputadas Ângela Sousa (PSD) e das petistas Fátima Nunes e Neusa Cadore, Fabíola Mansur chamou à atenção para os números do câncer de mama no estado. Segundo a presidente da Comissão de Direitos das Mulheres, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima em 57.960 novos casos de câncer de mama no Brasil. Na Bahia esse número chega a 2.760 novos casos
DEPOIMENTO
Romilza Medrado, 52 anos, teve o primeiro diagnostico de câncer de mama aos 32 anos. A descoberta aconteceu em uma época em que os tratamentos ainda eram extremamente agressivos e danosos à qualidade de vida do paciente. No entanto, Romilza encontrou apoio ao lado dos assistidos pela Núcleo Assistencial para Pessoas com Câncer (Naspec), fundado por ela e outros parceiros e oficializado juridicamente em maio de 1996. O núcleo foi criado para atender pacientes que vinham do interior da Bahia fazer tratamento em Salvador, por muitos anos Romilza abrigou essas pessoas em sua casa, um exemplo que vem sendo cultivado desde que ela tinha 14 anos.
Após o tratamento do câncer descoberto aos 32 anos. Em 2013 Romilza enfrentou novamente a doença, quando descobriu um nódulo a outra mama. Bem humorada e se submetendo a tratamentos menos agressivos, Romilza não permitiu que a doença afetasse seu psicológico se mantém firma na luta por uma assistência em saúde melhorar. “Não podemos desistir. Temos que lutar com todas as nossas forças”, diz.
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