A sessão solene para a entrega do Título de Cidadã Baiana à presidente Dilma Rousseff acabou convertida em ato em defesa de seu mandato presidencial ameaçado pelo impeachment em discussão no Senado Federal. Os oradores da sessão, a própria homenageada, o proponente, deputado Rosemberg Pinto, líder da bancada do PT, e o presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo, defenderam seu retorno ao cargo, louvando sua história política, as realizações em prol das camadas menos favorecidas e o muito realizado em benefício da Bahia e dos baianos. Os integrantes da bancada da minoria decidiram não comparecer à solenidade.
A presidente Dilma Rousseff chegou ao Legislativo às 12h20, acompanhada do governador Rui Costa e seu antecessor, Jaques Wagner, que foram recebidos na rampa de acesso à Assembleia pelo presidente Marcelo Nilo. Ainda na rampa uma rápida apresentação cultural tipicamente baiana, com baianas trajadas a rigor “benzendo” a homenageada com pétalas de rosa e a exibição de uma roda de capoeira. As autoridades foram conduzidas pelo presidente Marcelo Nilo até o Salão Nobre, aguardando a comissão de líderes partidários que os conduziriam ao plenário – onde, na chegada, foram longamente aplaudidos de pé.
Com a mesa de honra constituída, os trabalhos foram abertos às 13h, com a execução do Hino Nacional Brasileiro pelo sargento Lima e pelo sub-tenente Josué da PM. A saudação em nome do Legislativo feita pelo proponente da homenagem, deputado Rosemberg Pinto, foi precedida pela exibição de um vídeo com um breve resumo da trajetória da presidente Dilma Rousseff, seguido de calorosos aplausos.
O discurso o líder do PT teve conteúdo fortemente político, na linha da ilegitimidade do afastamento da presidente, em defesa da sua história, do projeto político iniciado com o ex-presidente Lula e da obra da gestão Dilma Rousseff. Rosemberg Pinto fez uma veemente defesa da Petrobras e do pré-sal, finalizando, em tom emotivo, ele conclamou a “conterrânea” a se adaptar a expressões baianas, como “oxente”, e à nossa “rica culinária” não esquecendo do acarajé e da carne do sol com pirão de leite – se a carne for de Itororó (sua cidade natal), melhor ainda, completou.
Em seguida a cantora Juliana Ribeiro interpretou a música “Bahia com H”, de Denis Brean, que “bem representa nossa terra,” como frisou o deputado Marcelo Nilo. Para o ápice da homenagem, a entrega da placa que simboliza a concessão da cidadania baiana, o presidente Marcelo Nilo convidou para acompanhá-lo nesse ato o governador Rui Costa, o ex-governador Jaques Wagner, o proponente, o deputado Zé Neto e o presidente do PT baiano, Everaldo Anunciação. Foi um momento de elevada emoção – aplaudido pelos presentes de pé.
Foi então exibido outro vídeo com uma síntese das obras e serviços que a gestão da presidente Dilma Rousseff carreou para a Bahia. Da tribuna, ela agradeceu a homenagem que lhe foi prestada pelos representantes legítimos dos baianos e defendeu todos os 54 milhões e 500 mil votos que recebeu. A ênfase em lembrar a fração, os 500 mil, fez o plenário desabar em aplausos, num clima de comício que obrigou o presidente da Casa a refrear o ímpeto dos militantes, lembrando que haveria um ato público externo.
A presidente fez uma defesa apaixonada de sua administração citando os principais programas que executou, descendo a detalhes naquilo diretamente relacionado à Bahia, e bateu duro no presidente interino Michel Temer a quem tratou como “interventor”. Para Dilma Rousseff, o golpe agora perpetrado contra as instituições difere daqueles do passado, onde assomavam tanques e soldados: “O modelo agora é diferente, como se a árvore da democracia fosse sendo atacada por parasitas implacáveis que querem tirar-lhes a seiva”. Completou dizendo que não se pode deixar esses “parasitas matar a nossa árvore” e também agradecendo aos representantes dos baianos pela honraria, especialmente ao proponente e ao presidente da Casa.
Coube ao deputado Marcelo Nilo encerrar os trabalhos, lembrando o impacto da emoção que vivia, “uma das maiores desde que há 25 anos cheguei aqui para lutar pela democracia, comparando-a ao sentimento que sentiu ao empossar os governadores Jaques Wagner (e depois) Rui Costa. O conteúdo do discurso foi político, pois considera Dilma Rousseff a cidadã mais injustiçada da República, já que é uma mulher honrada, uma guerreira”.
Ele lembrou que é “uma dádiva de Deus nascer na Bahia”, terra de Rui Barbosa, de Ivete Sangalo, Jorge Amado, Dorival Caymmi, Anísio Teixeira e agora também da mineira Dilma Rousseff. A sessão foi encerrada às 14h42, com o Hino da Bahia entoado pelos músicos da PM, seguindo a presidente e os demais integrantes da mesa de honra direto para a área externa onde aconteceu o ato “Político e Cultural com os Movimentos Sociais”.
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