A Assembleia Legislativa concedeu ontem Título de Cidadã Baiana à advogada e missionária Rogéria Santos, em sessão especial bastante concorrida. A Mesa de Honra foi composta pelos deputados José de Arimateia (PRB), propositor da homenagem, e Sidelvan Nóbrega (PRB), próceres e representantes da Igreja Universal do Reino de Deus, da Record, da OAB do município e da sociedade civil organizada.
Rogéria é uma lutadora. Casada com o bispo Sérgio Simplício há 25 anos, dedica-se há 14 ao trabalho voluntário, tendo estendido seu ativismo à África, onde prestou auxílio direto e indireto a mais de 20 mil pessoas, em dois países massacrados por longos anos de guerra civil. “Em Moçambique, dedicou cinco anos à frente de auxílio e assistência a mulheres e crianças vítimas da guerra”, disse Arimateia em seu pronunciamento de saudação. “Em Angola, permaneceu nove anos, onde liderou o enfrentamento à pobreza e à fome, dirigindo seus esforços especialmente às famílias carentes vitimadas pela guerra”, contou o parlamentar.
A homenageada é natural de São João do Meriti, Baixada Fluminense, onde iniciou a trabalhar com apenas 15 anos, mesmo nunca tendo abandonado os estudos fundamentais e médios. “Apesar de uma infância e juventude conturbadas, em contato com violência e maus-tratos durante um período em sua vida, foi aos 22 anos que ela viu a verdadeira luz no fim do túnel”, disse o deputado parafraseando o cantor Roberto Carlos ao afirmar que “essa luz só podia mesmo ser Jesus”.
O trabalho missionário foi reforçado no retorno ao Brasil, quando ela ingressou na faculdade, onde se formou em direito e atualmente faz pós-graduação em direito público. Rogéria é também radialista, sendo responsável pelos programas SOS Mulher (Na Rede Aleluia) e Explicando o seu Direito (na Rádio Sociedade). “Desta forma, ela atua e milita como representante da sociedade civil junto às entidades de defesa dos direitos humanos e dos animais”, elogiou.
Rogéria foi recebida no plenário ao som de atabaques pelas representantes da FJU (Força Jovem da Universal) e a Musa Negra 2015. “Qual é a emoção de receber esse título?”, perguntou no discurso de agradecimento e respondeu: “É o peso da responsabilidade de honrar meu povo”. Ela disse que não merecia a honraria, porque só tem a força que o Senhor Jesus colocou dentro dela. Por conta disso, logo no início do pronunciamento, ela pediu um aplauso caloroso em glória a Jesus e foi correspondida com entusiasmo.
Pouco antes da entrega do título, Arimateia reservou uma surpresa para Rogéria ao trazer a mãe do Rio de Janeiro. A homenageada não conteve a emoção ao rever a mãe após dois anos e buscou apoio no marido, sentado ao seu lado. “É um quadro lindo, depois do meu diploma e do exame da Ordem, mas se não tiver significado, se torna mais uma coisa para tirar a poeira”, disse ao exortar a todos que busquem servir ao próximo e buscar o amor puro, desinteressado.
Empolgada, a missionária citou nominalmente várias das pessoas que lotavam o plenário e as galerias, ressaltando o trabalho e as dificuldades que cada uma delas enfrenta para servir ao próximo. Ela fez questão de dividir o título com o grupo Mulheres em Ação, quebrando o protocolo ao convocá-las à tribuna. “Elas me ensinaram a amar a Bahia e o quanto as mulheres precisam”, disse.
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