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Comissão de Saúde promove debate sobre o HTLV

Publicado em: 25/05/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

Audiência pública foi proposta pelo deputado Alex da Piatã
Foto: Arquivo/Agência-Alba
Para tratar das medidas capazes de mitigar o sofrimento dos portadores de HTLV, a Comissão de Saúde e Saneamento realizou na manhã de ontem uma audiência pública proposta pelo deputado Alex da Piatã (PSD), que também abordou os impactos da doença na vida dos portadores.
Vírus Linfotrópico da Célula Humana (HTLV) é um retrovírus da mesma família do HIV, que infecta a célula T humana, um tipo de linfócito importante para o sistema de defesa do organismo. No Brasil, o vírus foi isolado, no portador de um tipo raro de leucemia, na década de 1980. No entanto, mais de trinta anos após a descoberta do vírus, ele ainda representa um grande problema de saúde pública. Dados divulgados no VIII Simpósio Internacional Sobre HTLV, apontam que mais de 20 milhões de pessoas no mundo são portadoras do vírus. No Brasil, esse número chega a 2,5 milhões e, na capital baiana estima-se que mais de 50 mil soteropolitanos estejam infectados.
 
Com a participação de especialista no assunto, foi possível trazer maiores esclarecimentos, principalmente sobre o diagnóstico e as primeiras manifestações da doença, como pontuou a médica Rosana Andrade, especialista em ciência da saúde. Segundo ela, várias são as manifestações da doença, “mas são confundidas com enfermidades compatíveis com a idade dos pacientes”. Rosana revela que, pelo fato da infecção ser detectada, na maioria dos casos, após a segunda ou terceira década pós contagio, boa parte dos infectados já tem idade superior a 50 anos. A médica ainda acrescenta que 5% dos pacientes têm a infecção urinária como o primeiro sinal de HTLV.

Bernardo Galvão, também coordenador do Centro de HTLV que funciona na Escola de Bahiana de Medicina e especialista em patologia humana e doutor em imunopatologia, destaca a doença pode afetar o sistema nervoso de alguns pacientes. De acordo com o médico, “alguns portadores de HTLV podem ter déficit no sistema motor e podem evoluir para estágios neurovegetativos”. Bernardo acentua que não existe cura para o HTLV, mas é possível proporcionar ao paciente infectado um tratamento que reduz os efeitos do vírus e uma melhor qualidade de vida. 

O deputado Alex da Piatã, presidente do colegiado, pontuou “a urgente necessidade de ações que possam dar maior visibilidade à existência do vírus, assim como tem sido feita com as campanhas de prevenção e combate ao HIV”. O deputado também ressalta o trabalho da deputada Fabíola Mansur (PSB), na elaboração de proposição que institui o dia estadual de prevenção e combate ao HTLV I – II. Para o parlamentar, o somatório dessas iniciativas pode impactar de forma positiva na pulverização dos cuidados cabíveis à doença.

Em concordância a fala do deputado, Adjeane Oliveira, presidente a Associação HTLVida, descreve que os portadores de HTLV carecem de uma maior assistência do estado, principalmente no que tange aos insumos necessários aos portadores que manifestaram os sintomas mais graves da doença, a exemplo dos problemas urinários e, principalmente os de locomoção. Adjeane também pontua a necessidade de profissionais qualificados para atender a este público e de mais centros de multidisciplinares de assistência aos pacientes.


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