O restaurante Grande Sertão, no Costa Azul, foi o cenário escolhido pelo forrozeiro Zelito Miranda para lançar sua autobiografia, integrante da coleção “Gente da Bahia”, publicada pela Assembleia Legislativa para resgatar e reverenciar a memória, a vida e a obra de baianos icônicos nos mais variados campos da atividade humana. O salão do restaurante ficou lotado e a solenidade foi animada por um grupo de forró pé de serra, que tocou durante a longa sessão de autógrafos.
O músico e escritor (este é o segundo livro que ele lança), acostumado com a ribalta há décadas, pois também atuou em teatro e cinema de forma profissional, mostrou-se encabulado no curta fala de apresentação do livro e de agradecimento ao Legislativo que fez, mas frisou o reconhecimento do “mundo da cultura” pelo trabalho editorial que a Assembleia realiza, especialmente na gestão do presidente Marcelo Nilo. Zelito Miranda louvou a sensibilidade do presidente do Legislativo e falou sobre a importância da “lei do forró” que, sob inspiração de Marcelo Nilo, foi votada no ano passado, reservando para bandas e músicos do forró tradicional, o pé de serra, nativo, 60% das contratações do estado na promoção das festas juninas (e outras no interior).
RESGATE
O presidente da Assembleia informou que sob sua gestão já foram lançados 168 livros. Ele também frisou a importância que confere à preservação da história da Bahia e dos baianos. Daí o foco maior do trabalho editorial do Legislativo ser focado em biografias de baianos ilustres (inclusive daqueles que decidiram viver aqui), porque “nascer na Bahia é uma dádiva de Deus não concedida a todos” – e nos resgate de obras importantes, fora do catálogo das editoras comerciais, desconhecidas pelas novas gerações. Para o deputado Marcelo Nilo, fazer cultura é obrigação de todos os homens públicos, pois sem esse identidade não se chega à cidadania plena.
Explicou ainda que a Assembleia Legislativa agora é a maior editora da Bahia, não sendo essa sua maior função, pois compete ao Poder que dirige fazer as leis e fiscalizar os demais poderes. “Isso é feito de maneira republicana, sem que abramos mãos de nossas prerrogativas e deveres institucionais”, mas registrou que era preciso avançar além do que manda a Carta Magna, abrindo a Casa para a sociedade e recebendo todos os movimentos sociais e empresariais e também levando o Legislativo ao interior através do programa Assembleia Itinerante. O outro ponto que registrou de avanço em sua gestão, foi justamente na área editorial através do programa Assembleia Cultural, que tem o seu “item mais interessante, justamente a coleção Gente da Bahia”. O deputado Marcelo Nilo discorreu ainda a respeito de vários dos livros publicados, destacando a Mulher de Roxo, que trata da louca que perambulou por décadas na rua Chile, escrito pela Jornalista Patrícia Moura.
LEI
Em sua fala, Zelito Miranda também falou sobre a “lei do forró”, que, para ele, trata-se de instrumento legal indispensável à perenidade desse gênero legitimamente nordestino, oferecendo também trabalho para cerca de 200 grupos baianos reunidos em uma associação que preside, sujeitos a modismos e a competição desleal com grandes nomes da música nacional nesse segmento quando da contratação pelas prefeituras e pelo poder público em geral. Ele citou ainda alguns dos personagens da coleção Gente da Bahia já resgatados através desses perfis biográficos: Riachão, Gordurinha, Clarindo Silva, Lage, mestre Pastinhas e Walter Spinelli.
Marcaram presença no lançamento, além presidente Marcelo Nilo, o deputado Marcelino Galo(PT), os deputados federais Jorge Solla (PT) e Dadvison Magalhães(PC do B), e vereadores de Salvador, como Cláudio Tinoco (DEM) e Euvaldo Jorge (PPS), do ex-secretário de Comunicação do Estado, Robinson Almeida, e Carlos Sodré, que representou o secretário de estado, Nestor Duarte. Jornalistas, músicos, escritores e amantes do forró também prestigiaram o lançamento.
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