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Esporte nas escolas é tema de audiência pública

Publicado em: 12/05/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

O presidente Bobô destacou o esforço da comissão para transformar o esporte em política de Estado
Foto: Arquivo/Agência-Alba
A tese de que o esporte nas escolas é uma importante ferramenta de inclusão e transformação de vidas deu o tom da audiência pública sobre as Olimpíadas Estudantis, realizada na manhã de ontem, pela Comissão de Desporto, Paradesporto e Lazer da Assembleia Legislativa. O evento foi marcado pela grande presença de professores e estudantes de várias escolas públicas de Salvador.

Na abertura, o presidente do colegiado, deputado Bobô (PC do B) destacou o esforço da comissão para transformar o esporte em política de Estado. “É muito importante tratar esse tema aqui e tirar encaminhamentos para levarmos ao governo. Construiremos uma sociedade melhor através da educação, do esporte e da cultura. É essencial que os jovens cobrem dos poderes públicos mais direitos”, afirmou, ressaltando que o governador Rui Costa tem um olhar especial para a educação, inclusive visitando escolas pelo interior da Bahia.

Vice-presidente da comissão, o deputado Manassés (PSL) lembrou que a audiência gera um documento com as críticas e sugestões. “Os jogos estudantis envolvem milhares de alunos e podem revelar atletas de alto rendimento. Durante a competição, nossos jovens se mobilizam por suas escolas e suas equipes. Educar o jovem hoje é não punir e não tratar o adulto de amanhã”, frisou, destacando que é a participação da juventude na política que melhorará a sociedade.
Para a deputada Neusa Cadore (PT), a política é um espaço importante na definição de muitas coisas para a vida das pessoas. “É muito positivo ter professores e estudantes na Assembleia para trazer suas ideias. A comissão é um espaço para a voz de vocês”, declarou. Membro do colegiado, o deputado Herzem Gusmão (PMDB) enfatizou que a solução para o País está na juventude. “Disputei os jogos abertos e universitários. Sei da importância das competições escolares. Um bom exemplo é a cidade colombiana de Medelin, que era a mais violenta do mundo e hoje é a mais criativa, graças ao esporte e à cultura”, disse.

Já o deputado Zó (PC do B) lembrou da vitória dos estudantes de São Paulo, que conseguiram a instalação da CPI da Merenda, no governo de Geraldo Alkmin (PSDB). “Temos programas importantes como o Faz Atleta e o Bolsa Esporte, que precisam ser fortalecidos. O jogador Daniel Alves (do Barcelona) foi um dos muitos talentos que participaram dos Jogos do Interior”, lembrou, afirmando que é fundamental a participação dos jovens na construção de políticas públicas.

AÇÕES DE GOVERNO

Dirigente da Sudesb, Paulo César ressaltou que é na escola que tudo começa. “O grande desafio é colocar o esporte na grade curricular dos alunos. O apoio da Sudesb ao esporte tem sido fundamental para estudantes e atletas, que recebem passagem aérea, hospedagem em hotel e alimentação para participarem das competições. Muita coisa está avançando, como a construção de equipamentos como o Centro de Judô, a piscina olímpica e a recuperação de quadras esportivas. É importante interiorizar ainda mais as competições e criar a Secretaria de Esporte no governo”, defendeu.

Representando a Secretaria de Educação, o professor José Fernandes destacou o papel da comissão na articulação das demandas do esporte no Parlamento. “Já realizamos as etapas municipais e zonais, preparatórias para os jogos estaduais. A ideia é unificar jogos e olimpíadas, nas modalidades individuais e coletivas. É preciso maior sensibilidade dos prefeitos e das escolas para desenvolverem o esporte estudantil”, pontuou.
AVANÇOS E DESAFIOS

Professores e diretores de escolas presentes relataram algumas situações vivenciadas no cotidiano. O professor Nilton Gomes, do colégio Ruben Dário, lembrou que muitos alunos se destacaram nos antigos Jogos da Primavera. “Perdi vários alunos para as drogas e para a criminalidade. O Colégio Padre Luis Palmeiras em Simões Filho já foi vice-campeão dos jogos nacionais e hoje não tem nada. A situação é difícil, mas não desistimos. Eu os alunos já tivemos que pintar a quadra para fazer as atividades”, lamentou.

O professor Pimenta enfatizou que temos uma orla imensa, mas nenhuma equipe de esporte na areia, e espera que a comissão possa ajudar a mudar essa realidade. A diretora do 2 de Julho, Margarete Gabian, lembrou que as escolas não possuem quadra coberta e a cidade não tem muitos espaços esportivos. Professora do Assis Chateaubriand, Juliana Bastos destacou os avanços nos governos recentes, com os programas sociais. “Precisamos de infraestrutura e material para desenvolver as atividades”, disse.

Para os professores do colégio Vitor Soares, José Batista e Ivan Medeiros, faltam espaços e determinação dos poderes públicos. “Além da camisa, o governo deveria conceder short e tênis. Temos muitos alunos sem condições”, pontuou Batista. “Temos vários estudantes paraatletas que ganharam competições. Vamos dar atenção às pessoas deficientes e pensar em jogos estudantis de praia”, defendeu.

De acordo com o professor do colégio Moura Bastos, Denivaldo, se derem esporte aos jovens, eles não vão querer drogas. “Acreditamos que, com a comissão, poderemos mudar essa situação difícil”, proclamou.

ESPERANÇA

Mesmo diante de um quadro difícil, os estudantes mostraram que ainda apostam em uma sociedade melhor através da educação. O representante da ABES (Associação Baiana de Estudantes Secundaristas), Wallace Leão disse que o esporte faz a diferença. “Tive alguns amigos que foram para as drogas, mas outros foram salvos pelo esporte na escola. É absurdo saber que a Secretaria liberou R$ 105 mil para cobrir a quadra da escola, e até agora nada foi feito. Não podemos aceitar que nossos professores tenham que colocar seu dinheiro para comprar equipamentos. É importante também termos psicólogos e assistentes sociais para ajudar na formação dos alunos”, indicou.

Segundo os estudantes Gabriel Silva e Jônantha Andrade, o esporte ajuda a melhorar o rendimento escolar. “Gosto de futebol e handebol, mas não consigo praticar por falta de condições da escola. Uma vez, o professor de Educação Física desistiu de dar aula por falta de segurança”, disse Andrade.


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