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AL discute o uso da fécula da mandioca na produção de pães

Publicado em: 29/04/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

A Mesa dos Trabalhos contou com a participação de diversos segmentos da sociedade
Foto: Arquivo/Agência-Alba
A utilização da fécula (amido extraído das raízes) de mandioca na produção de pães foi discutida, na manhã de ontem, em sessão especial realizada na Assembleia Legislativa. O encontro foi proposto pelo deputado Eduardo Salles (PP),  também autor do projeto de lei que prevê a substituição de até 10% da farinha de trigo pela fécula de mandioca produzida na Bahia. Seria a criação do “pãozinho baiano”,  conforme definiu Eduardo Salles.

O objetivo da sessão, explicou o próprio deputado logo no início dos trabalhos, foi informar e sensibilizar os parlamentares, representantes do governo e de toda cadeia produtiva da mandioca para importância do projeto, que está tramitando na Assembleia Legislativa. Pelo menos 90% da mandioca da Bahia é produzida por pequenos agricultores e a adição dela na fabricação do pão iria trazer benefícios enormes para esse segmento.

O evento foi bastante concorrido, contando com a presença de deputados, representantes de empresas e órgão públicos, de associações de agricultores, panificadores e dois secretários do estado da Bahia: Manoel Mendonça (Ciência, Tecnologia e Inovação) e Vitor Bonfim (Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura).  E coube a Vitor Bonfim declarar o apoio do governador Rui Costa à proposta. “Não tenho dúvida que a Assembleia aprovando o projeto, o governador  vai sancioná-lo porque ele é um homem de coragem, pulso e determinação quando precisa defender os interesses dos baianos”.

A declaração de Bonfim animou Eduardo Salles, que momentos antes relatou a dificuldade para se aprovar uma lei com esse teor no Brasil.  De acordo com ele, um projeto similar ao seu foi apresentado pelo então deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), hoje ministro da Defesa, e aprovado no Congresso Nacional. Mas  o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou por não sancioná-lo. “O lobby do trigo fez forte pressão para que o presidente Lula não sancionasse o projeto”, explicou Salles.

Para o deputado, que foi secretário de Agricultura na gestão do governador Jaques Wagner, o aval de Rui Costa à proposta dá a certeza de que ele será aprovada na Assembleia Legislativa. Ele contou ainda que, para reduzir as resistências, vem discutindo o assunto com os representantes das panificadoras e mostrando, inclusive, que o preço do quilo da fécula da mandioca sai mais barato do que o quilo da farinha de trigo. “Isso se não tiver uma seca como a que tivemos no ano passado, mas o projeto contempla essa possibilidade”.

Outro cuidado que ele teve na proposta foi o de estabelecer a substituição de um produto pelo outro de forma progressiva: 2%, 4%, 6%, 8% e 10% nos cinco anos seguintes à aprovação do projeto de lei.  “Vamos fazer algo escalonado até para ir lubrificando nossas máquinas”.  Para Salles, se o projeto for aprovado na Bahia vai disparar um gatilho pelos  demais estados brasileiro, que vão seguir a Bahia e produzir  o pão com 10% de fécula de mandioca. “Desta forma, teremos o  pãozinho brasileiro”,  acredita ele.

Na sessão de ontem, os argumentos em prol do uso da fécula ganharam o reforço de um dos maiores especialistas na cultura da mandioca. Joselito Motta, engenheiro agrônomo e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), explicou que a mandioca é produto tipicamente brasileiro. “A mandioca inclusive precede a colonização. Pero Vaz de Caminho descreveu em uma carta como os índios eram fortes, robustos, rijos e leves por causa do uso da mandioca”,  afirmou Motta.

Para o pesquisador, não há motivos para o Brasil ser tão dependente de trigo e lembrou que pelo menos 80% deste produto consumido no país é importado. “O trigo está no banco  dos reús, por causa do glúten, uma proteína de difícil digestão e portanto não e favorável ao organismo”, acrescentou. Ele explicou ainda que hoje o teor de glúten no trigo é 20 vezes maior do que no passado.

“A fécula de mandioca dilui o glúten no pão e o torna mais saudável”, defendeu Joselito Motta. Além disso, acrescentou, a fécula torna a massa do pão mais lisa, uniforme e consistente. “O pão não fica oco, fica com mais miolo e não endurece de uma dia para o outro”, explicou. Além da sessão, para que os servidores e as pessoas que frequentam a Assembleia conhecessem mais sobre a mandioca, foram montados no saguão de entrada da Casa pequenos standes com mostras de alimentos feitos tendo como base o produto.


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