O saneamento como um dos elementos primordiais para combate e prevenção de doenças vetoriais e a notícia de que o Plano de Saneamento do Brasil terá um atraso de 20 anos tornam o debate da temática mais urgente. Para tanto, o vice-presidente da Comissão de Saúde e Saneamento, deputado José de Arimateia (PRB), promoveu audiência pública para discutir o tema.
De acordo com dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na capital baiana o esgotamento sanitário é inexistente para pouco mais de 600 mil habitantes, ou seja, 19,9% da população vivem em condições insalubres. Somado a esses números, 80% dos rios estão comprometidos pela canalização de esgoto, o que reforça a necessidade dos cuidados com a saúde pública. Para discorrer sobre a temática, o proponente trouxe especialistas que abordaram questões importantes do assunto.
José de Arimateia destacou que a falta ou ausência do saneamento básico traduz-se em sérias consequências. "De um lado a população sofre com a proliferação de doenças geradas pelo esgoto, por outro o sistema de saúde pública fica sobrecarregado, não tendo condições de prestar assistência a todos".
Baseando-se em dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o deputado José de Arimateia citou que "o maior entrave para o andamento das obras do setor sanitário é a burocracia", que atrasa a concessão de licenças e demais documentos necessários à continuação das obras.
Patrícia Borja, professora-adjunta do Departamento de Engenharia Ambiental da Escola Politécnica da Ufba, colocou em pauta o Plano de Saneamento da Bahia e a arbovirose. Ela destacou a necessidade de medidas que versem sobre a salubridade ambiental, como o saneamento e trato de endemias. "A preocupação deve está voltada, não apenas para o combate ao mosquito Aedes aegypti, causador da dengue, chikungunya e zika, mas também aos criadouros".
Maria Aparecida Figueiredo, doutora em epidemiológica e diretora de Vigilância Sanitária da Secretaria da Saúde do estado, pontua que debelar os criadouros do mosquito, é o primeiro passo para frear a proliferação das doenças vetoriais.
Para ela, as atuais estratégias de combate e prevenção às doenças vetoriais não têm o efeito esperando porque o acesso ao sistema de esgotamento sanitário ainda é diminuto, "pouco mais de 50% da população nacional dispõem de rede de esgoto adequada". Maria acrescenta que ações conjuntas surtem maior efeito, pois o cuidado com a saúde da população não se limita ao saneamento. "A coleta de lixo regular, a limpeza e conservação das áreas públicas e de órgãos estatais também devem compor as ações de salubridade ambiental".
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