Os integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) receberam ontem pela manhã, em sessão especial, proposta pelo deputado Bira Corôa (PT), no plenário da Assembleia Legislativa, uma grande homenagem pelo Dia Internacional da Luta Camponesa, em memória aos 20 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás.
Cerca de quatro mil integrantes do MST lotaram todas as dependências do plenário da Casa e também do pátio externo do prédio anexo. A sessão especial foi aberta pelo próprio presidente do Poder Legislativo, deputado Marcelo Nilo (PSL), que fez questão de destacar, para os membros do MST, que era uma grande satisfação tê-los na Assembleia, pois esta é a Casa do povo. Ele aproveitou também para elogiar o proponente do evento, Bira Corôa, pela homenagem que foi realizada.
Portando muitas bandeiras e faixas, os homenageados uniformizados chegaram na Assembleia com instrumentos de percussão, gritos de guerra e cantando letras alusivas à luta que travam pela reforma agrária, mas prometendo também intensificar as ocupações, enquanto não são atendidos, pois mais da metade das terras do país, estão em poder de 40 mil posseiros.
O deputado Bira Corôa que, a exemplo do presidente Marcelo Nilo, também foi aplaudido calorosamente e depois da execução do Hino Nacional, iniciou sua participação, justificando.
“Quero fazer uma saudação muito especial a esses companheiros. Considero o MST o maior símbolo de resistência da nossa luta. Não vamos celebrar e também não vamos comemorar essa data em que nossos irmãos foram abatidos no campo. Vamos, sim, fazer este registro em respeito a todos os acampados e assentados e desejar um dia de muita luta”, disse Bira, lembrando que o Estado possui 10.397 famílias assentadas em 146 assentamentos e 25.460 acampados divididos em 10 regiões da Bahia.
HISTÓRICO
O Massacre de Eldorado dos Carajás foi a morte de 21 trabalhadores sem-terra que aconteceu em 17 de abril de 1996, no município de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, decorrente de uma ação criminosa da Polícia daquele estado.
Dezenove trabalhadores foram assassinados e morreram no local e mais dois, que foram baleados, morreram posteriormente. O crime bárbaro aconteceu quando 1.500 sem-terra que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha pacífica em protesto contra a demora da desapropriação de terras, principalmente as da Fazenda Macaxeira. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local, porque obstruiriam a rodovia BR-155, que liga a capital Belém ao sul do estado.
O massacre se deu no governo de Almir Gabriel. A ordem para ação partiu do secretário de Segurança Pública do estado, Paulo Sette Câmara, que declarou após o massacre que autorizara a usar a força necessária, inclusive atirar. A perícia constatou que pelo menos 10 sem-terra foram executados a queima roupa. Os 155 policiais militares que participaram da operação foram indiciados sob acusação de homicídio pelo inquérito da própria Polícia Militar. Como não houve perícia nas armas e projéteis para saber quais policiais atingiram determinadas vítimas, 21 homicídios e as diversas lesões, eles permanecem, na sua grande maioria, impunes.
Muitos depoimentos dos integrantes da Mesa na sessão especial de ontem, que contou com muitas autoridades e líderes políticos além das deputadas Neusa Cadore, Fátima Nunes e Maria del Carmem, todas do Partido dos Trabalhadores, da secretária estadual da Promoção da Igualdade, Vera Lúcia e o coordenador nacional do MST, Evanildo Costa, emocionaram os presentes e mereceram insistentes aplausos e gritos de guerra dos sem-terra.
Evanildo chegou a lembrar os companheiros de luta pelo socialismo, capitão Lamarca e o guerreiro Zequinha e afirmou. “A luta continua”, referindo-se a esta frase célebre do capitão Lamarca, quando abraçava um companheiro de luta.
Ao final com a execução do Hino da Bahia, Bira Corôa não escondeu estar emocionado pelo brilhantismo da sessão especial que propôs.
“O dia de hoje é diferente porque os sem-terra entraram pela porta da frente da Assembleia para serem homenageados e a Casa teve esse privilégio. Nós estamos registrando os 20 anos de impunidade pela Justiça no massacre de Carajás”, concluiu Bira Corôa, bastante emocionado.
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