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Luta pela reforma agrária é tema de sessão na AL

Publicado em: 15/04/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

No evento, idealizado por Marcelino Galo, foram lembrados os 20 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás
Foto: NeusaMenezes/Agência-Alba
Para lembrar o assassinato de 19 trabalhadores rurais pela Polícia Militar no  Pará, em 1996, episódio conhecido como o massacre de Eldorado dos Carajás, o deputado petista Marcelino Galo convocou sessão especial para debater os 20 anos do massacre e o Dia Mundial da Luta pela Reforma Agrária e Justiça no Campo. 

O evento reuniu assentados da reforma agrária, sem-terra, sem teto, povos do campo, comunidade quilombolas, movimentos sociais da pesca e da cidade, reforçando a luta pela terra, por reforma agrária e justiça no campo. “Temos o entendimento de que é preciso avançar com a reforma agrária que, infelizmente, segue parada no Brasil, contribuindo, assim, para que as desigualdades e a violência persistam em nossa sociedade. Com a tentativa de golpe empreendida pela direita, esse quadro pode piorar significativamente no país”, alertou Galo.
Estiveram presentes os deputados petistas Bira Corôa, Fátima Nunes e Joseildo Ramos; o secretário de Desenvolvimento Rural, Jerônimo Rodrigues; o dirigente da Frente Nacional de Luta, José Rainha Júnior; o superintendente Regional do Trabalho e Emprego, Zé Maria Dutra; o ouvidor geral do Estado, Yulo Oiticica; dirigente do Movimento dos Trabalhadores, Assentados, Acampados e Quilombolas (Ceta), Edino Souza; dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Edvagno Mato; a coordenadora do Grupo Geografar da Ufba, professora Guiomar Germani; representante da União de Resistência Camponesa, Antônio Carlos Ferreira; coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Independentes, Wedson Souza Santos; Carlos Eduardo Lemos Chaves, coordenador da Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais; representante do Incra – Bahia, Ciro Cedraz; Fábio Nogueira, representante da Frente Povo sem Medo; e o representante da Consulta Popular, Mário Soares Neto.

CARAJÁS

No próximo domingo (17), completa 20 anos que 19 trabalhadores sem-terra foram assassinados a sangue frio pela polícia do Estado do Pará, em Eldorado dos Carajás. “Não temos nada pAra comemorar. Se passaram 20 anos e nada mudou. A nossa sociedade continua matando sem-terra e índio”, alertou Zé Maria. Ele diz que houve um erro de análise após a chegada do Partido dos Trabalhadores no governo. “Acreditamos que chegando lá faríamos uma grande transformação. Erramos por acreditar que a casa grande aceitaria as mudanças da senzala”, completou.
Zé Maria acredita que o atual momento do país se configura como uma luta de classes e afirmou a necessidade de superação deste modelo econômico para haver uma reforma agrária e urbana. 
Marcelino Galo apontou os governos do PSDB como “caçadores dos trabalhadores rurais”, na época do massacre dos Carajás, o governador do Pará era do partido tucano e, mais recentemente, abril de 2016, mais dois trabalhadores sem-terra foram assassinados pela polícia do Paraná, governado por um peessedebista. 

HOMENAGEADA

A sessão especial homenageou a professora Guiomar Germani, coordenadora do Projeto Integrado de Pesquisa “A Geografia dos Assentamentos na Área Rural”, GeografAR, da Ufba. O projeto desenvolve pesquisas analisando o processo de produção e reprodução do espaço geográfico no campo baiano, em suas distintas temporalidades, especialidades e territorialidades. 
“Essa homenagem é muito significativa porque acreditamos que a reforma agrária popular é uma das condições para a construção de um país diferente. Nos debruçamos sobre o campo e vamos tentando construir as nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão junto com o sujeito que sofre, que constrói, que vive nesse campo baiano”, pontua a professora Guiomar Germani, coordenadora do projeto.

GOLPE

A sessão especial foi um grande ato em defesa da democracia e contra o golpe em curso no Brasil. Marcelino acredita que é preciso compreender o momento histórico que estamos vivendo e empreender a luta democrática contra o golpe, por justiça e mais avanços nas conquistas sociais. 

Zé Rainha defendeu a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Ele  acredita que o lugar dos movimentos sociais é na rua. “Precisamos dizer o que queremos, não podemos retroceder nos avanços conquistados. A juventude não pode ser forjada por um projeto diferente que não seja da mudança”, completou o líder.

Por fim, Galo elencou avanços com os governos petistas na presidência da República e destacou que um dos mais importantes foi que “a Universidade mudou de cor”. O deputado acredita que o processo de impedimento não interessa a classe trabalhadora e afirmou para um plenário cheio que “Não vai ter golpe.”.


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