Os 94 anos de fundação do Partido Comunista do Brasil (PC do B) foram comemorados ontem, em sessão especial realizada na Assembleia Legislativa. Comandado pelo presidente da Casa, Marcelo Nilo, o evento foi proposta pelos deputados comunistas Bobô, Fabrício Falcão e Zó. A sessão contou com a presença da presidenta nacional do PC do B, deputada Luciana Santos; da senadora Vanessa Grazziotin e a deputada federal Alice Portugal. Delegações de Cuba, Angola e Coreia do Norte se fizeram presentes, além de deputados estaduais e dirigentes de diversas legendas, vereadores e a militância do partido. O ex-deputado estadual e ex-prefeito de Irecê Zé das Virgens participou do evento, sendo saudado pela mesa por sua recente filiação ao PC do B.
O deputado Zó falou em nome da bancada do PC do B na Assembleia. Ele disse que tem 30 anos de militância no partido e que continua nas mesmas trincheiras de lutas pelo interesse dos estudantes, trabalhadores e para que o Brasil siga em frente no caminho do progresso que tem se verificado nos últimos anos. “Estamos aqui por convicção, por ideologia e a luta que se apresenta é contra o golpe que as elites querem praticar contra o povo”, afirmou.
De acordo com Daniel Almeida, presidente do Comitê Estadual do PC do B na Bahia, a sessão especial serve para reafirmar o papel protagonista do partido na história do Brasil, sempre comprometido com ideais socialistas e progressistas. “A história do PC do B é marcada por embates populares, a defesa da democracia e dos direitos dos cidadãos. Em momentos turbulentos como este, é essencial reafirmarmos o compromisso do partido com a história do nosso país e contra qualquer tipo de golpe”, reiterou Daniel.
Já a presidente do partido, Luciana Santos, afirmou que o desafio atual é construir um partido comunista contemporâneo. “Forças reacionárias e a grande mídia disseminam o ódio e a violência sectária contra a esquerda, contando com a força motriz da operação lava-jato sob o falso manto de combate à corrupção. Não se faz justiça afrontando o estado de direito”, afirmou.
O governador Rui Costa agradeceu aos dirigentes do partido por ter escolhido a Bahia para celebrar a data comemorativa. Rui Costa agradeceu também aos militantes do partido por participarem da campanha de 2014 para o governo do Estado “fazendo prevalecer o projeto democrático em curso na Bahia”. Rui Costa ressaltou que parte do ódio estimulado pela mídia não é pelos erros do governo. “Eles nos condenam por nossos acertos, não aceitam que uma empregada doméstica vá ao cinema ou que o filho dela consiga chegar à universidade. É uma herança racista e escravocrata”, afirmou.
HISTÓRIA
Em 25 de março de 1922, Joaquim Barbosa e Manuel Cendón, alfaiates; Cristiano Cordeiro, advogado; Abílio de Nequete, barbeiro; Hermogêneo Fernandes da Silva, eletricista; João da Costa Pimenta, gráfico; Astrojildo Pereira, jornalista; Elias da Silva, pedreiro e o vassoureiro Luís Pérez, reuniram-se em Niteroi (RJ) e fundaram o Partido Comunista do Brasil.
Nesses 94 anos de existência, conforme relataram os participantes da sessão, o partido sempre levantou as bandeiras da liberdade, da soberania nacional, da democracia, dos interesses dos trabalhadores e trabalhadoras, da juventude, das mulheres e de outros setores que quase nunca tiveram voz e vez na sociedade. Dos seus 94 anos de existência, 2/3 foram vividos na clandestinidade, proibido de expressar livremente suas propostas e ideias.
Num curto período em que conquistou a legalidade, 1945/1947, o Partido participou ativamente do processo constituinte de 1946, ocasião em que elegeu 14 deputados federais e um senador, Luís Carlos Prestes, com uma estrondosa votação. Contribuição marcante dos comunistas para a Constituição de 1946 foi a conquista da liberdade religiosa e de culto em nosso país, proposta apresentada pelo deputado comunista e romancista Jorge Amado.
Só em 1985, após o fim do Regime Militar de 64 e no início da redemocratização do país, o PC do B voltou à legalidade, participando da vida política do país. Nesse novo período, de 31 anos de legalidade, teve posição destacada na Constituinte de 1987/88, defendendo intransigentemente a soberania nacional, o Estado Democrático de Direito e as conquistas trabalhistas e sociais.
Posteriormente, na década de 90, cerrou fileiras na luta contra o neoliberalismo e, consequentemente, a entrega do patrimônio nacional e a retirada de direitos trabalhistas. Com a eleição de Lula, em 2002, o Partido passa a ocupar postos de destaque na administração pública.
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