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Clássicos da literatura baiana são lançados pela Assembleia e ABL

Publicado em: 19/03/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

Filha do escritor Guido Guerra, Isadora Guerra agradeceu às instituições pela nova edição da obra. Escritores, acadêmicos e intelectuais prestigiaram o evento no Palácio Góes Calmon
Foto: Arquivo/Agência-Alba
Em um clima de emoção e saudade, foram lançados na última quinta-feira, no Palacete Góes Calmon, sede da Academia de Letras da Bahia, os volumes 11 e 12 da coleção Mestres da Literatura Baiana, parceria editorial formada pela instituição e a Assembleia Legislativa, respectivamente “Vila Nova da Rainha Doida”, de Guido Guerra, e “Viventes de Água Preta”, de Jorge Medauar. A coleção Mestres da Literatura Baiana tem por objetivo a publicação de obras de autores baianos vivos e mortos, contemplando todos os gêneros literários que, embora de importância fundamental para a constituição da literatura baiana, têm suas obras esgotadas ou fora do circuito comercial.  

A presidente da academia, Evelina Hoisel, lembrou que a parceria começou na presidência do acadêmico Aramis Ribeiro Costa e se tornou uma ação muito importante de preservação da memória cultural e literária. “Neste momento de crise,  agradeço o empenho do presidente Marcelo Nilo e dos membros do projeto editorial da AL por mais esses lançamentos. E que esse ano seja ainda mais produtivo”, disse a presidente. 

O assessor para Assuntos de Cultura da Assembleia Legislativa, Délio Pinheiro, desculpou-se pela ausência do presidente Marcelo Nilo, que foi impedido de comparecer à solenidade por estar comandando os trabalhos no parlamento e afirmou que a parceria com a ALB na Coleção Mestres da Literatura empresta relevo as publicações. “Oscilamos um pouco no começo, mas agora temos conseguido lançar livros de alto nível”, afirmou Délio Pinheiro.

O acadêmico Ruy Espinheira,  que prefaciou o livro “Vila Nova da Rainha Doida”, disse que recebeu com grande emoção o encargo. “Guido, de início, foi um grande amigo, uma alma generosa dedicada ao próximo. Além disso, tinha grande talento, como jornalista e escritor mantinha um senso ético, um dever jornalístico e literário admirável”, afirmou Espinheira.

Ele disse que o lançamento é uma obra-prima do conto. “É um oferecimento sofisticado que estamos fazendo a literatura brasileira”, disse Espinheira, ressaltando que ao ler a reedição do livro gostou mais do que quando leu a primeira vez quando foi lançado. “Na arte não há datação. Esse livro é um exemplo”, afirmou Espinheira.

Já o acadêmico Aramis da Costa parabenizou a ALB e a Assembleia Legislativa pela manutenção da parceria ressaltando que os lançamentos continuam “de altíssima qualidade”. Ele disse que entre outros aspectos a Coleção tem revelado a excelência dos contistas na Bahia, citando Vasconcelos Maia, João Carlos Teixeira Gomes e as obras de Guido Guerra e Jorge Medauar como exemplos.
Sobre Viventes de Água Preta, de Jorge Medauar, Aramis afirmou que é uma obra ligada a Bahia pelo cenário, histórias e linguagens do estado. “O importante no livro não é só o que se conta, mas como é contado. É um livro delicioso que honra a literatura baiana e deveria estar no cânone da literatura brasileira”, afirmou.

Segundo Cid Seixas, que faz o prefácio do livro “Vila Nova da Rainha Doida”, a obra é a volta do escritor e jornalista por formação Guido Guerra ao campo da batalha da história curta. “Neste livro ele realiza alguns contos exemplares, capazes de permanecer na mente do leitor engendrando outras palavras. Palavras ditas no interior de cada um de nós quando tecemos o fio de ligação entre o destino dos seus personagens e o nosso cotidiano de leitores”, completou. 

Já Jorge Medauar nasceu no dia 15 de abril de 1918 numa localidade do Sul da Bahia, hoje chamada de Uruçuca. Residiu quase toda a sua vida em São Paulo, onde foi jornalista e publicitário, além de poeta e contista. Como escritor, manteve sempre, como cenário e matéria de sua ficção, a paisagem, a gente, os costumes e as histórias de sua cidade baiana. Sua obra de ficcionista, conhecida e reconhecida nacionalmente, recebeu o prêmio Jabuti em 1959.  

Segundo o acadêmico Aramis Ribeiro da Costa, em “Viventes da Água Preta” as histórias parecem estar sendo narradas em uma rede e à sombra de uma árvore copada. “Esses contos são encantadores na sua linguagem peculiar, quase sempre rústica e por vezes poética, de uma rudeza que transmite veracidade, mas de uma poesia que enternece. Deliciosos pelo que contam e pela forma de contar, ainda mais pela forma de contar do que pelo que contam, embora também surpreendam pelo que contam, fechando, nessa completude, o desejado círculo da sedução do leitor”, afirmou Aramis da Costa. 


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