O transcurso do 100º aniversário do monsenhor Gaspar Sadoc da Natividade, que ocorre neste domingo, foi comemorado na Assembleia Legislativa através de uma moção elaborada pelos nove integrantes da Mesa Diretora e será inserida nas comemorações da efeméride. O presidente Marcelo Nilo parabenizou o religioso “o maior orador sacro da Bahia nos últimos tempos, sacerdote que dedicou toda a sua longa e produtiva vida ao próximo. Fosse no trabalho pastoral, como educador e no trabalho assistencial que sempre prestou a famílias carentes”.
O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia lembrou a participação ativa do monsenhor na vida social e eclesiástica de nossa terra, sendo admirado e querido por toda a população baiana – a católica em especial – sendo inteiramente merecedor da homenagem prestada pelo Legislativo. Acrescentou que a idade avançada com seus achaques de saúde não abalou a lucidez do homenageado, tanto que um dos pontos altos das comemorações do centenário de nascimento é o lançamento de um livro com 60 textos do religioso.
Os demais integrantes do colegiado, deputados Adolfo Menezes, Tom Araújo, Carlos Geilson, Pastor Sargento Isidório, Leur Lomanto Jr., Aderbal Caldas, Fabrício Falcão e Sidelvan Nóbrega igualmente louvaram “a vida dedicada ao outro” do monsenhor Sadoc, expressando a satisfação que sentiram em homenagear um ser humano bondoso, humilde, abençoado com longevidade de que poucos seres humanos desfrutam uma verdadeira graça. Registre-se o colegiado é ecumênico, com parlamentares praticantes de outras religiões.
LONGEVIDADE
A moção de congratulações da Mesa Diretora protocolada junto à Secretaria Geral da Assembleia Legislativa contém um breve perfil biográfico do monsenhor Gaspar Sadoc, que é natural de Santo Amaro da Purificação e desde a mais tenra idade manifestou inclinação para a vida religiosa. Portanto em 1929, com apenas 12 anos, entrou em Salvador para o antigo seminário de Santa Teresa, na rua do Sodré, onde funciona hoje o Museu de Arte Sacra. Bom aluno, cursou Filosofia, Teologia e Direito Canônico, sendo ordenado padre em 30 de novembro 1941, aos 23 anos.
A ordenação foi realizada pelo arcebispo dom Augusto Álvaro da Silva, o cardeal da Silva, em solenidade realizada na Catedral Basílica. No ano seguinte, em fevereiro, ele tomou posse da sua primeira paróquia, a de São Cosme e São Damião, na Estrada da Liberdade – sendo o seu primeiro vigário. Também em 1942 começou a ensinar latim no colégio da Soledade. A longa vida religiosa do monsenhor Sadoc o levou ainda a ser capelão dos Maristas, das Dorotéias e do Rosário no Pelourinho. Em 1951 ele foi nomeado vigário da paróquia de Cristo-Rei e São Judas Tadeu, onde construiu a matriz, inaugurando-a em 1960.
Entre as inúmeras atividades que desempenhou, ele lecionou História da Filosofia, História Eclesiástica, Patologia e Apologética Científica no Seminário Maior da Bahia, mas ensinou também em escolas laicas como o ginásio Dom Macedo Costa, na Faculdade de Filosofia, no Colégio Militar do Salvador e na Escola Técnica Federal da Bahia. Nessa instituição de escol ele ensinou por 25 anos.
Em 1968 o cardeal dom Eugênio Salles o transferiu para a paróquia em que desenvolveu o mais longo trabalho evangelizador e social, tarefas que o tornaram conhecido dos baianos, mesmo daqueles residentes em locais longínquos, e a sua fama de orador sacro floresceu: a de Nossa Senhora da Vitória. Nesta comunidade, ele permaneceu na função de pároco por 38 anos, fundando a creche escola Nossa Senhora da Vitória e um centro médico odontológico para atendimento a pessoas carentes.
No final da moção de congratulações, os integrantes da Mesa Diretora solicitam que seja dado o conhecimento do seu teor ao homenageado, ao arcebispo dom Murilo Krieger, a paróquia de Nossa Senhora da Vitória e a hierarquia católica da Bahia.
REDES SOCIAIS