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Livro Cartografia de Canudos é relançado com sucesso

Publicado em: 12/03/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

Diretora do Museu Eugênio Teixeira Leal, Eliene Dourado elogiou a qualidade da obra. Representantes de diversos segmentos sociais foram ao Pelourinho prestigiar o evento
Foto: Arquivo/Agência-Alba
O auditório do Museu Eugênio Teixeira Leal – Fundação Econômico – ficou superlotado ontem com a quantidade de presentes no ato de lançamento da segunda edição (revista e ampliada) do livro Cartografia de Canudos, obra seminal do professor José Calasans sobre o épico nordestino. A obra vem a lume às vésperas do 186º aniversário de nascimento de Antônio Vicente de Mendes Maciel, o Conselheiro, nesta segunda-feira, e no bojo das comemorações do centenário de nascimento do autor.

 Representando a Assembleia Legislativa, pois o presidente e vice em exercício, deputados Marcelo Nilo e Adolfo Menezes estavam em missões oficiais, o professor Délio Pinheiro discorreu sobre o programa editorial executado pelo Legislativo, suas parcerias e colaboradores como as entidades associadas para a publicação desta “obra seminal” – o próprio Museu e o Instituto Histórico e Geográfico da Bahia. Enfatizou o apuro gráfico e editorial das obras lançadas e a qualidade literária e histórica desses trabalhos, o que eleva o Legislativo à condição de importante difusor da culta baiana.

ELOGIO

 Patrono do Museu Eugênio Teixeira Leal, Ângelo Calmon de Sá elogiou o trabalho do presidente Marcelo Nilo na área cultural, “talvez o seu maior legado”, falando em seguida da amizade de mais de 60 anos que o uniu ao professor José Calasans, que fora seu professor no colégio Antônio Vieira. Ele parabenizou ainda a direção do museu, por mantê-lo “pulsante” e com um novo foco, educacional, mesmo com as dificuldades geradas pela intervenção.

 Filha do autor, Madalena Calasans agradeceu a iniciativa do Legislativo e do museu, explicando que “Cartografia de Canudos” reúne 27 artigos selecionados que traçam um panorama da obra do professor José Calasans sobre esse épico. Lembrou também a inclusão de um novo texto, sugerido pela professora Walnice Nogueira Galvão da USP, (também presente no lançamento) e do trabalho que ele executou no Museu Eugênio Teixeira Leal, além da homenagem anterior da Assembleia, que em 1999, concedeu-lhe a cidadania baiana. Agradeceu ainda a Sante Scaldaferri, Antonio Olavo, Claude Santos, à família Canário e a Claudius Portugal, que contribuíram com a publicação.

 Para a diretora do museu, Eugênio Teixeira Leal, Eliene Dourado Bina, o apuro gráfico, os detalhes até “poéticos” da publicação a colocam no patamar exigido pelo trabalho do professor José Calasans, pesquisador zeloso, criterioso e perfeccionista com quem teve o privilégio de trabalhar. Ela explicou que a gênese daquela instituição foi a elaboração de um volume com a história do banco Econômico que o professor encaminhou ao colega Waldir Freitas, “atuando José Calasans para convencer o doutor Frank Sá a implantar um memorial”.

 José Calasans Brandão da Silva se formou em Direito, porém se notabilizou internacionalmente como historiador, pesquisador, folclorista, geógrafo e educador. Sergipano nascido em 14 de julho de 1915, foi na Bahia onde trabalhou, estudou, pesquisou e ocupou relevantes cargos. Sobre Canudos, entre ensaios, artigos e livros publicou 68 obras.

 Definido por especialistas como o “tradutor do universo sertanejo”, ele devotou boa parte de sua vida a estudar Canudos, desde a sua gênese, acompanhando relatos e documentos sobre as pregações do Conselheiro antes mesmo de sua chegada ao arraial – até o progressivo envolvimento do exército nas diversas campanhas da guerra de extermínio que dizimou o povoado e a maioria dos sertanejos ali alojados.

 Em sua extensa e profícua vida profissional, José Calasans, exerceu importantes cargos na Bahia, onde publicou a maior parte da sua obra. Entre outros cargos foi vice-reitor e diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), secretário-geral do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) e diretor do Museu Eugênio Teixeira Leal.

 Pesquisas e trabalhos inovadores do professor José Calasans resultaram em outras grandes obras literárias como No tempo de Antônio Conselheiro (1959), Canudos: Origem e desenvolvimento de um arraial messiânico (1974), Canudos na literatura de cordel (1984), Quase biografia de jagunços (1986). O livro Cartografia de Canudos foi lançado pela primeira vez em 1997. O pesquisador morreu no dia 28 de maio de 2001, em Salvador, em plena atividade intelectual aos 86 anos.


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