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Segunda edição de Cartografia de Canudos será lançada hoje

Publicado em: 10/03/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

Evento ocorre a partir das 17h
Foto: Arquivo/Agência-Alba
Em regime de coedição, a Assembleia Legislativa, o Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IHGB), o Museu Eugênio Teixeira Leal e a Fundação Miguel Calmon lançam hoje, ainda no bojo das comemorações do centenário de nascimento do professor José Calazans, a segunda edição, revisada e ampliada, do livro Cartografia de Canudos. Obra seminal desse historiador, geógrafo, pesquisador e educador, considerado o maior especialista brasileiro no tema, só era encontrada em sebos a preços proibitivos. O lançamento acontecerá a partir das 17h, no Museu Eugênio Teixeira Leal, no Pelourinho.

Presidente em exercício do Legislativo Estadual, o deputado Adolfo Menezes, “sertanejo de Campo Formoso orgulhoso de suas origens”, conhece o drama da guerra que arrasou o povoado de Canudos pela história oral, mas também através da leitura especializada. Ele elogiou a obra do professor José Calazans que oferece um texto preciso, permitindo a compreensão exata do drama dos nordestinos desde o surgimento daquele conselheiro, pois “outros existiam naquela época”. Para o deputado, uma feliz coincidência possibilitou nessa sua segunda interinidade de 2016 representar a Assembleia no lançamento.

O presidente Adolfo Menezes aplaude e apoia o programa editorial executado pela Assembleia Legislativa, “vitaminado nas gestões do meu amigo Marcelo Nilo que realiza um trabalho de extrema relevância cultural – que marcou o trabalho que realizamos e é um ponto pacífico entre todos os parlamentares, uma rara unanimidade”, completou. Por seu turno o presidente do IHGB, Eduardo de Castro registrou que o professor Calasans dedicou muitos anos de sua vida à investigação dos episódios de Canudos e do seu povo, sendo também considerado como “o tradutor do universo sertanejo”.

Para Walnice Nogueira Galvão, professora da USP, que prefaciou a obra, não é exagero afirmar que o livro reeditado pela Assembleia Legislativa, “além de definitivo”, é o mais importante que surgiu no setor de estudos sobre Canudos. “Dedicação de toda uma vida, teve como ponto de partida uma pequena incursão em história oral”, contou ela. “Foi quando José Calasans, em 1950, na esteira da reportagem de Odorico Tavares/Pierre Verger, entrevistou sobreviventes de guerra”.

De acordo com Walnice, os alvos de Calasans em suas pesquisas foram os aspectos menos explorados de Canudos sobre os quais produziu estudos sucessivos, boa parte reunidos em Cartografia de Canudos. “Trouxe à atenção a existência de escolas e professoras em Canudos, havendo inclusive uma Rua da Professora. Conseguiu juntar fragmentos para dar a conhecer o estatuto das mulheres na coletividade. Reconstituiu o funcionamento interno do arraial, tanto na paz quanto na guerra”, escreveu.


CENTENÁRIO


O professor José Calasans Brandão da Silva nasceu na cidade de Aracaju, em Sergipe, em 14 de julho de 1915, mas exerceu importantes cargos na Bahia, onde publicou a maior parte da sua obra. O historiador foi vice-reitor e diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), secretário-geral do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) e diretor do Museu Eugênio Teixeira Leal – sendo mesmo o inspirador do banqueiro Ângelo Calmon para a implantação dessa instituição cultural.

As pesquisas e trabalhos inovadores de José Calasans resultaram em outras grandes obras literárias como No tempo de Antônio Conselheiro (1959), Canudos: origem e desenvolvimento de um arraial messiânico (1974), Canudos na literatura de cordel (1984), Quase biografia de jagunços (1986). O livro Cartografia de Canudos foi lançado pela primeira vez em 1997, contendo a essência dos trabalhos que publicou sobre esse tema. O pesquisador morreu no dia 28 de maio de 2001, em Salvador, em plena atividade intelectual aos 86 anos.

Para quem não conhece ou não lembra da história da Guerra de Canudos - registrada em definitivo na obra-prima Os Sertões, de Euclides da Cunha - o próprio Calasans resumiu em um texto destacado na contracapa do livro, que será lançado pela Assembleia. “Canudos, uma obscura fazenda em suas origens, ganhou projeção nacional entre 1893 e 1897, quando foi destruído pela guerra e pelo fogo após uma sangrenta luta de alguns meses, tornando-se ponto de história do Brasil”.

No mesmo texto, José Calasans observou que a fama da localidade surgiu quando, em junho de 1893, ali chegou e se estabeleceu, acompanhado por milhares de seguidores, “o messias brasileiro mais conhecido e estudado, Antônio Vicente Mendes Maciel, Antônio Conselheiro de Alcunha, também cognominado Bom Jesus Conselheiro e Santo Conselheiro”.


Projeto contou com profissionais qualificados



A nova edição de Cartografia de Candos possui 330 páginas e é fartamente ilustrado, inclusive com a reprodução de documentos da época e fotografias. A capa reproduz pintura do artista plástico Sante Scaldaferri, “Antonio Conselheiro e os Beatos de Belo Monte”, gentilmente cedida para a publicação, bem como a fotografia do autor, cedida por Antonio Olavo.

Os direitos da publicação igualmente foram gratuitamente cedidos à Assembleia Legislativa pela filha do historiador, Madalena Calasans, que emprestou inestimável apoio ao trabalho editorial. O projeto gráfico foi executado pelo designer Bira Paim e prefácio da professora Walnice Nogueira Galvão.

O projeto editorial da Assembleia Legislativo engloba uma série de selos e coleções abrigando obras de maior porte, como a coleção Gente da Bahia e o Ponte da Memória, que relança livros de valor literário/memorialista ou ainda dedicado à recepção de trabalhos inéditos. Entre as personalidades que já foram biografadas na coleção Gente da Bahia, por exemplo, estão artistas plásticos como Carybé, Hansen Bahia, Juarez Paraíso e Calasans Neto. Músicos como o erudito Lindemberg Cardoso e Walter Smetak, ou populares como Riachão, Gordurinha e o pianista Carlos Lacerda. Cineastas como Roberto Pires. Intelectuais como Milton Santos e Edison Carneiro e também políticos como o senador Nélson Carneiro e o deputado Chico Pinto.

Criado na década de 1990 pelo então presidente Antonio Honorato, o programa editorial da Assembleia Legislativa ganhou força com o passar dos anos. Para se ter uma ideia, nas gestões do presidente Marcelo Nilo, a Assembleia publicou mais de 150 volumes. Só da coleção Gente da Bahia, iniciada com a biografia do artista plástico argentino Carybé, foram mais de 40 obras lançad


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