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Legislativo lança livro de José Calasans sobre Canudos

Publicado em: 04/03/2016 00:00
Editoria: Diário Oficial

Lançamento ocorre dia 10 de março, a partir das 17h, no Museu Eugênio Teixeira Leal (Pelourinho)
Foto: Arquivo/Agência-Alba
Historiador, geógrafo, pesquisador, educador e intelectual, José Calasans já foi definido ainda como o “tradutor do universo sertanejo”. Para merecer mais esse título, ele devotou boa parte de sua vida a estudar Canudos, do surgimento de Antônio Conselheiro à guerra que dizimou o povoado do interior baiano. Aproveitando a passagem do centenário de nascimento do mestre, celebrado em 2015, a Assembleia Legislativa - em parceria com o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia,  o Museu Eugênio Teixeira e a Fundação Miguel Calmon – lançará uma de suas mais importantes obras: o livro Cartografia de Canudos.

O lançamento está marcado para a próxima quinta-feira (10 de março), a partir das 17h, no Museu Eugênio Teixeira Leal (Pelourinho). Será a segunda edição de Cartografia de Canudos que reúne uma parcela significativa das publicações de José Calasans relativa à Canudos. 
Para quem não conhece ou não lembra da história da Guerra de Canudos - registrada em definitivo na obra-prima Os Sertões, de Euclides da Cunha - o próprio Calasans resumiu em um texto destacado na contracapa do livro, que será lançado pela Assembleia. “Canudos, uma obscura fazenda em suas origens, ganhou projeção nacional entre 1893 e 1897, quando foi destruído pela guerra e pelo fogo após uma sangrenta luta de alguns meses, tornando-se ponto de história do Brasil”.

ESTUDOS

No mesmo texto, José Calasans observou que a fama da localidade surgiu quando, em junho de 1893, ali chegou e se estabeleceu, acompanhado por milhares de seguidores, “o messias brasileiro mais conhecido e estudado, Antônio Vicente Mendes Maciel, Antônio Conselheiro de Alcunha, também cognominado Bom Jesus Conselheiro e Santo Conselheiro”.
“O professor Calasans dedicou muitos anos de sua vida ao estudo da história da Bahia, voltado especificamente à investigação dos episódios de Canudos e do seu povo”, observou a diretora-executiva do Museu Eugênio Teixeira Leal, Eliene Dourado Bina. “Essas pesquisas resultaram em dezenas de publicações, no Brasil e em Portugal que, para além de desvendar os fatos históricos da mais alta relevância, por sua abordagem inovadora teve como corolário também o resgate da autoestima do canudense e do sertanejo baiano”, acrescentou.

Para a professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Walnice Nogueira Galvão, que prefaciou a obra, não é exagero afirmar que o livro reeditado pela Assembleia Legislativa, “além de definitivo”, é o mais importante que surgiu no setor de estudos sobre Canudos. “Suma da dedicação de toda uma vida, teve como ponto de partida uma pequena incursão em história oral”, contou ela. “Foi quando José Calasans, em 1950, na esteira da reportagem de Odorico Tavares/Pierre Verger, entrevistou sobreviventes de guerra”.

De acordo com Walnice, os alvos de Calasans em suas pesquisas foram os aspectos menos explorados de Canudos, sobre os quais produziu estudos sucessivos, boa parte reunidos em Cartografia de Canudos. “Trouxe à atenção a existência de escolas e professoras em Canudos, havendo inclusive uma Rua da Professora. Conseguiu juntar fragmentos para dar a conhecer o estatuto das mulheres na coletividade. Reconstituiu o funcionamento interno do arraial, tanto na paz quanto na guerra. Transformou em pessoas de carne-e-osso figurantes até então de papel, chegando a montar um Catálogo de Heróis com as “‘quase biografias de jagunços’”, escreveu.

José Calasans Brandão da Silva nasceu na cidade de Aracaju, em Sergipe, mas exerceu importantes cargos na Bahia, onde publicou a maior parte da sua obra. O historiador foi vice-reitor e diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), secretário- geral do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) e diretor do Museu Eugênio Teixeira Leal.

AS pesquisas e trabalhos inovadores de Calasans resultaram em outras grandes obras literárias como No tempo de Antônio Conselheiro (1959), Canudos: origem e desenvolvimento de um arraial messiânico (1974), Canudos na literatura de cordel (1984), Quase biografia de jagunços (1986). O livro Cartografia de Canudos foi lançado pela primeira vez em 1997. O pesquisador morreu no dia 28 de maio de 2001, em Salvador, em plena atividade intelectual aos 86 anos.

PROJETO

O projeto editorial da Assembleia Legislativo da Bahia engloba  uma série de selos e coleções abrigando obras de maior porte, como a coleção Gente da Bahia e o Ponte da Memória, que relança livros de valor literário/memorialista ou ainda dedicado à recepção de trabalhos inéditos.. 
Entre as personalidades que já foram biografadas na coleção Gente da Bahia, por exemplo, estão artistas plásticos como Carybé, Hansen Bahia, Juarez Paraíso e Calasans Neto. Músicos como o erudito Lindemberg Cardoso e Walter Smetak, ou populares como Riachão, Gordurinha e o pianista Carlos Lacerda. Cineastas como Roberto Pires.  Intelectuais como Milton Santos e Edison Carneiro e também políticos como o senador Nélson Carneiro e o deputado Chico Pinto. 

Criado na década de 1990 pelo então presidente Antonio Honorato, o programa editorial da Assembleia Legislativa ganhou força com o passar dos anos. Para se ter uma ideia, nas gestões do presidente Marcelo Nilo, a Assembleia publicou mais de 150 volumes. Só da coleção Gente da Bahia, iniciada com a biografia do artista plástico argentino Carybé, foram mais de 40 obras lançadas.



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