Uma comissão parlamentar para acompanhar e apoiar os servidores do Derba, órgão extinto por lei em 2014. Esta foi a proposta do deputado Hildécio Meireles (PMDB) em sessão especial realizada ontem à tarde. Ele garantiu que tomará a iniciativa na próxima sessão plenária e foi apoiado imediatamente pelos deputados Eduardo Salles (PP) e Luciano Simões Filho (PMDB). O peemedebista lembrou que chegou a propor a CPI das obras inacabadas, recolheu as 21 assinaturas necessárias, mas o governo utilizou a maioria para inviabilizá-la. Salles, por sua vez, lembrou a sua condição de governista e se ofereceu para facilitar a interlocução entre as partes.
A Assembleia Legislativa recebeu servidores do Derba que ainda estão na ativa e aposentados, a exemplo do ex-senador Rui Bacelar e do ex-secretário de Transportes e ex-diretor do Derba, Carlos Alberto Mendes. “Me formei em 1960 e neste mesmo ano ingressei no Derba, de onde só saí quando me aposentei”, contou o ex-secretário ao se definir entre a indignação e a tristeza com a extinção do órgão, sentimento compartilhado por todos os que se pronunciaram na tarde de ontem.
Hildécio Meireles, proponente da sessão, foi o primeiro a se pronunciar, apresentando um amplo painel a respeito do Derba, desde 1917, quando foi criado, passando pelas décadas de 1950 a 70, quando o departamento teve grande desenvolvimento com a implantação de oficina central, laboratório de solos, a primeira sede de administração central e as residências regionais de manutenção e conservação.
O parlamentar citou a construção de diversas estradas desde aquela época, perfazendo um total de 20 mil quilômetros. “Ao longo de um século, o Derba chegou a contar com 7,5 mil servidores”, disse Hildécio, lamentando a situação de penúria por que passam atualmente os servidores do órgão, segundo ele e outros oradores, vítimas de pressões do governo, assédio moral, desvio de função e transferências compulsórias.
“O que precisamos hoje é debater o que será do futuro desses servidores”, disse, propondo também que se leve o problema ao Tribunal Regional do Trabalho para “expor a situação vexatória que estão passando os funcionários e para que o estado trate com dignidade e decência”. Exemplos da situação foram dados por Nilton Ramos, presidente da Asderba – Sindicato, em pronunciamento inflamado: tratoristas, por exemplo, estariam sendo obrigados a capinar lugares como Detran e Secretaria de Educação e patrolistas tendo de se enfiar debaixo de carros para anotar número de chassis.
“As rodovias estão péssimas, 78% das estradas se encontram intransitáveis, a exemplo da região de Iguaí, Ibicuí e Nova Canaã, que perderam até as linhas de ônibus da Águia Branca por falta de trafegabilidade”, disse o sindicalista. Hildécio e Carlos Alberto questionaram a decisão administrativa de extinguir o Derba. Para o deputado, a economicidade não pode ser argumento, já que os custos de manutenção das rodovias são crescentes.
Por outro lado, o ex-secretário criticou que uma comissão de tecnocratas não soube avaliar o custo real da extinção, nem avaliaram a quem caberia a manutenção básica e corriqueira, nem a fiscalização das obras. “É o começo do caos, de uma situação de descalabro incalculável”, avaliou. Nilton, por sua vez, questionou a imparcialidade de fiscais do estado que, sem as condições adequadas, vão passar a atuar dentro dos canteiros de obras.
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