O radialista e ex-prefeito de Salvador, Mário de Melo Kertész, deve receber a Comenda Dois de Julho, maior honraria do Legislativo baiano destinado a personagens que engrandecem a Bahia. O projeto é do democrata Sandro Régis, que lembra a origem judia da família Kertész e garante que “Mário, desde menino, era fascinado pela comunicação. Escrevia um jornal – no qual opinava, comentava sobre fatos ou assuntos que chamavam à sua atenção – e pregava-os na porta do seu guarda-roupa". O trabalho, informa Regis, "era um valor que a família cultivava. Mário começou a trabalhar cedo. O pai fazia questão que os filhos trabalhassem na loja desde jovens, apesar de não precisarem. Para o pai, trabalhar cedo fazia parte de um processo educativo”.
A sua avó materna, Raquel, "foi uma das pessoas que mais o influenciaram na vida. Era uma mulher irreverente, forte, dinâmica, que falava o que pensava". Ao formar-se em Administração, em1966, Mário Kertész "iniciou sua trajetória profissional. Começou vendendo roupas femininas pelo interior da Bahia, tendo como sócio Nilo Coelho. Depois comprou uma loja de artigos femininos na Avenida Sete. Em seguida, ele e o irmão, começaram a comprar carros em São Paulo para revender na Bahia". Aos 21 Anos de idade e ainda estudante, Mário casou-se com Alzira. No ano seguinte nasceu seu primeiro filho, Sérgio. Em 1971, já desquitado, casou-se com Eliana, ex-colega na Escola de Administração.
COMUNICAÇÃO
Sandro Régis lembra ainda que Mário Kertész estudou em Paris e ao retornar assumiu a direção da Eletrobras. Em 1979, voltou para Salvador ao ser nomeado prefeito no segundo governo de ACM. Em 1985 foi eleito o primeiro prefeito de Salvador por voto popular, com apoio da esquerda, após 23 anos do regime militar. Nessa segunda gestão, ajudou a eleger Waldir Pires governador da Bahia e aliou-se a Pedro Irujo para lançar a candidatura do radialista Fernando José à prefeitura da capital, eleito naquele pleito. Quando prefeito, realizou as obras projetadas por Lina Bo Bardi e pelo arquiteto carioca João Filgueiras Lima, o “Lelé". Dentre elas, o Palácio Tomé de Souza, sede atual da Prefeitura de Salvador, construída em aço e vidro. Também a criação do Diário Oficial do Município.
Criou a Fundação Gregório de Mattos, em 1986, com o objetivo de valorizar, preservar e resgatar as artes em Salvador; e a Casa do Benin em 1987. "Eleito presidente da Associação Brasileira de Prefeitos de Capitais (ABPC), Kertész liderou, junto à Assembleia Nacional Constituinte o movimento que pugnava por uma maior participação dos municípios na arrecadação da União, que resultou nas conquistas finalmente asseguradas na Constituição Federal de 1988".
A família de Kertész é dona da Rádio Metrópole, do Jornal da Metrópole, tabloide distribuído gratuitamente "e a TV Metrópole, existente apenas no site da rádio". Em 1990, em meio à crise, os acionistas do Jornal da Bahia resolveram contratar um executivo fora do seu corpo administrativo. Mário Kertész foi eleito em assembleia para o cargo de presidente executivo, com mandato de dois anos, sendo reeleito uma única vez. Nesse período, entre 1990 e 1994, MK, seguindo o exemplo do jornal Notícias Populares de São Paulo, mudou a linha editorial do Jornal da Bahia, tornando-a mais popular, reduziu o número de páginas e instalou sua redação no mesmo prédio da então Rádio Cidade, como forma de reduzir custos.
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