Em reunião ontem, a Mesa Diretora da AL manifestou
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A Mesa Diretora da Assembléia Legislativa se manifestou ontem oficialmente sobre o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco aprovando moções de solidariedade ao bispo de Barra, dom Luiz Flávio Cappio, e de protesto contra o projeto do governo federal, se associando à luta do religioso, que completa hoje nove dias em greve de fome. Os documentos foram elaborados durante a sessão da Mesa e apresentada em plenário pelo presidente Clóvis Ferraz (PFL). Os dois documentos são endereçados, entre outras pessoas, ao próprio bispo e ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
"Esta Casa manifesta sua incondicional solidariedade ao bravo bispo da diocese de Barra, rogando a Deus para que o seu gesto heróico não venha a resultar na trágica perda de uma vida tão profícua, dedicada à preservação da natureza e à elevação da dignidade humana", diz o documento de solidariedade. Ali também os parlamentares frisam que a AL "tem se posicionado contrariamente à proposta, de forma firme e constante, desde o início desta insana aventura". O texto diz que "é contra esse estado de coisas que se insurge dom frei Luiz Flávio, com a drástica atitude que, inevitavelmente, o levará à morte", dada a intransigência do presidente Lula em levar avante o projeto.
A moção de solidariedade ressalta o grande vínculo e conhecimento do bispo com o Rio São Francisco e lembra que a greve se iniciou no mesmo dia em que a Agência Nacional das Águas concedeu a outorga de direito do uso das águas ao Ministério da Integração Nacional, uma das últimas decisões que faltavam para o governo federal iniciar as obras. "Dom Luiz vem há vários anos desenvolvendo uma intensa campanha no sentido de despertar os governantes do país para a urgente necessidade de defesa do "Velho Chico", diz o texto, lembrando da sua peregrinação da nascente à foz do rio, entre 1993 e 1994.
PROTESTO
Ainda na moção de solidariedade, a Mesa Diretora classifica o governo federal de insensível e teimoso ao ignorar todos os protestos, reivindicações e apelos da sociedade. "Tem pressa em criar o fato consumado, de modo a tornar irreversível a transposição, desconsiderando a extraordinária importância que tem o outrora ?Rio da Unidade Nacional" para o Nordeste". Numa outra moção específica, a Mesa decidiu manifestar sua indignação em relação ao projeto.
"Contrariando a lógica e o bom senso, desconsiderando o pensamento das principais lideranças do Nordeste, entre elas o governador Paulo Souto, e as opiniões dos estudiosos da bacia hidrográfica do São Francisco (...) propõe-se o governo federal, através do Ministério da Integração Regional, a levar adiante esse nefasto projeto de transposição do rio", está escrito logo no início da matéria, que aprofunda as críticas e os alertas contra o projeto nos parágrafos seguintes.
Os parlamentares explicam que o rio está moribundo, por estar submetido a um processo de degradação que se acentua a cada ano, "e que agora, com a transposição, pode levá-lo à condição de um mero curso d?água sem maior importância, em inestimável prejuízo para os milhões de brasileiros que habitam suas margens ou que dele dependem direta ou indiretamente para a própria sobrevivência". Diante do fato, o texto revela indignação, por estar sendo tocada a transposição em "detrimento de um vigoroso programa de revitalização da bacia".
A moção destaca que o lamentável estado de degradação do rio é de conhecimento de todo o país: suas margens desmatadas, barrancos desmoronados, poluição de toda espécie e assoreamento são os problemas apontados ao governo federal. "A Assembléia Legislativa da Bahia, através de parlamentares representantes de diversas tendências político-ideológicas, tem se manifestado em diversas oportunidades contra esse projeto, pelos graves prejuízos que causará ao nosso estado e ao país, e, mais uma vez, vimos manifestar-nos contrariamente, através desta moção de protesto, conclamando o governo federal a que estabeleça como prioridade maior e mais imediata a revitalização do "Velho Chico".
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