Comissão dos Direitos Humanos: Yulo, Walmir, Gilson Prata e coronel Aristóteles discutiram sobre Policiamento Comunitário
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A criação de uma frente parlamentar para discutir a instituição de um plano de segurança pública no estado. Essa foi uma das propostas apresentadas ontem na audiência pública sobre Policiamento Comunitário, promovida pela Comissão de Direitos Humanos. O autor da proposta, deputado Yulo Oiticica (PT), pretende levar o assunto para a apreciação do presidente da AL, deputado Clóvis Ferraz (PFL). A sugestão recebeu o apoio do deputado Walmir Mota (PPS), presidente da comissão.
"Precisamos discutir de forma permanente políticas públicas que melhorem a estrutura da polícia, a formação dos policiais, os salários, dentre outras questões que contribuam para reduzir os índices de violência do estado", observou Yulo, que é vice-presidente do colegiado. Para o parlamentar petista, é preciso discutir seriamente a integração das polícias Civil e Militar e um plano geral para o setor. "Não se melhora a segurança pública apenas adquirindo mais viaturas", criticou Yulo.
O primeiro a falar na audiência pública de ontem, realizada no Plenarinho da AL, foi o coronel Aristóteles Borges, coordenador de operações da Polícia Militar. Ele criticou o formato dos conselhos comunitários de segurança existentes hoje no estado. "Nos bairros mais carentes o presidente de um conselho comunitário aparece como delator de criminosos. E corre muito perigo por conta disso", afirmou ele, propondo mudanças para o policiamento comunitário.
Ele observou, por exemplo, que os módulos policiais são uma espécie de vitrine da inoperância. "Ficam dois policiais tomando conta das armas e do rádio", disse ele, explicando que o módulo só é eficaz num perímetro de 30 metros, beneficiando apenas os comerciantes instalados próximo dele. "O que precisamos é de mobilidade. Do policial circulando pelas ruas nas viaturas".
Coronel Aristóteles fez questão de destacar, no entanto, que o policial militar é o agente do Estado que mais aparece para a sociedade de forma geral. "Tem escola que só funciona se existir um soldado que não só faz a segurança como muitas vezes, a pedido de um professor, interfere na educação daquele aluno mais rebelde", disse ele, citando outros exemplos: "Muitas vezes nos bairros carentes são os soldados que levam nas viaturas a mulher pobre que está prestes a ter um parto".
Outro a falar na audiência pública foi o delegado Gilson Prata, diretor da Divisão Operacional da Secretaria de Segurança Pública. Ele defendeu que o policial precisa estar integrado à comunidade para que possa conhecer as pessoas que vivem na região. "Ele tem que saber quem é o dono da quitanda, da banca de jornal", exemplificou. De acordo com o delegado, o conceito de polícia comunitária surgiu primeiro nos Estados Unidos e Canadá. "A idéia é que o local do trabalho do policial é a própria comunidade".
O presidente do colegiado, Walmir Mota, disse que os defensores dos direitos humanos muitas vezes são confundidos com defensores de bandido. Ele criticou essa visão e defendeu um maior diálogo entre parlamentares, integrantes da sociedade civil e dos órgãos de segurança pública para reduzir os índices de violência no estado. "Só com o apoio de todos conseguiremos diminuir o alto número de homicídios na Bahia", frisou.
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