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Zé das Virgens defende política para promover o cooperativismo

Publicado em: 22/09/2005 20:53
Editoria: Diário Oficial

Sessão especial, presidida por Vespasiano e depois por Eliel Santana e organizada por Zé das Virgens, encheu o plenário de autoridades e ativistas do movimento cooperativista
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Uma política estadual para promover o cooperativismo. A proposta foi divulgada ontem na Assembléia Legislativa durante sessão especial para debater o tema, numa iniciativa do deputado Zé das Virgens (PT). Durante seu pronunciamento ele apresentou as linhas gerais de dois projetos propostos por ele e pelo deputado Eliel Santana (PSC), que instituem medidas para deslanchar a atividade cooperativada em todo o estado. Entre as iniciativas estão a adoção de incentivos fiscais, acesso às licitações públicas, a formação de um conselho estadual específico e mudanças na grade curricular da escola para ensinar a prática do trabalho em comum.

O parlamentar destacou que existem exemplos de grandes sucessos, mas também de grandes fracassos na atividade cooperativa. Lembrou, por exemplo, de algumas cooperativas de café e cacau, que se encontram endividadas, em situação difícil, mas disse que, nos últimos tempos, há as cooperativas de crédito, "verdadeiros bancos populares" e de trabalhadores, que têm enfrentado conflitos por causa das "gatas" (pseudo cooperativas prestadoras de serviços para reduzir as custas sociais), mas que sendo efetivas, são fontes de ocupação e renda.

O petista destacou ainda as cooperativas educacionais, entre as diversas que citou, mostrando que estas também são boas alternativas para o ensino de qualidade. A Coperil ? instalada na região de Irecê -  é, segundo ele, talvez a melhor e maior experiência do país no setor, com ensino de excelência pela metade do custo do ensino privado do mesmo padrão e que vem preparando os alunos para as universidades. Das Virgens ressaltou também que o país não vai resolver o problema do desemprego sem buscar o desenvolvimento e isto  não ocorrerá sem que se abram oportunidades para o cooperativismo.  Ao final do pronunciamento, ele se desinvestiu do mandato e avisou que falava como cooperativista e técnico agrícola, conclamando a todos para "fazer a nossa parte, sairmos do marasmo e do individualismo, temos que acreditar", não isentando o poder público de suas obrigações de incentivar e promover.

                                                 OCEB

O centro das atenções do evento foi o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado da Bahia (Oceb), dedicado a promover a atividade há 35 anos. A entidade, por sua vez, distinguiu nove personalidades com o certificado de cidadão cooperativista baiano, entre as quais o presidente da AL, deputado Clóvis Ferraz (PFL), o secretário da Agricultura, Pedro Barbosa, os prefeitos de Salvador, João Henrique, Vitória da Conquista, José Raimundo, de Camaçari, Luiz Caetano, e de Lauro de Freitas, Moema Gramacho; o presidente do conselho da Fundação Odebrecht, Norberto Odebrecht, e o presidente da Chesf, Dilton Oliveira. Zé das Virgens, por sua vez, foi homenageado com uma placa honorífica.

O ex-deputado e atual vice-presidente da Oceb, Almir Miranda, sucedeu o parlamentar na tribuna para contar que abandonou a política partidária diante do seu envolvimento e entusiasmo com o cooperativismo. Ele lembrou seus tempos de Assembléia e citou os antigos companheiros Luís Eduardo Magalhães, Carlos Marighela, Abigail Feitosa, Eliel Martins, Plínio Carneiro, Nivaldo Fernandes, Luís Nova, Vandilson Costa e Sérgio Santana, que se organizaram na Comissão de Agricultura da AL para criar a subcomissão voltada para este tema específico. Trazendo para o presente, ele saudou a atual presidente da comissão, Jusmari Oliveira (PFL), e todos os demais deputados, além de agradecer a Zé das Virgens, "meu companheiro cooperativista", pelo evento.

"Toda sociedade que valoriza a cooperação se enriquece, seja do ponto de vista econômico, seja do sociocultural, além de criar uma convivência fraterna entre seus membros", defendeu Miranda, explicando que esta forma de atuação surgiu no século 19 e tem crescido e aprimorado, "tornando-se um instrumento de promoção do desenvolvimento econômico e social das nações". No campo prático, o dirigente, que também é coordenador do ramo agropecuário da Oceb, destacou o papel da Cooperativa Central de Laticínios da Bahia (CCLB) e disse que "manter a CCLB funcionando é uma das muitas vitórias do cooperativismo baiano"

A CCLB congrega 6,2 mil produtores de leite, dando suporte aos produtores e evitando a queda dos preços, mas convive com graves problemas estruturais e não tem acesso a qualquer benefício financeiro. Ela resiste "porque é movida por uma grande dose de paixão e compromisso com a causa do cooperativismo". Miranda aproveitou a ocasião para reclamar que as indústrias de laticínios baianas têm sofrido uma carga tributária de ICMS maior do que as congêneres de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo.



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