MÍDIA CENTER

Entrega dos diplomas confirma empenho pela reparação histórica

Publicado em: 01/04/2014 00:00
Editoria: Diário Oficial

O primeiro a obter essa reparação foi o ex-deputado Luiz Leal, que foi cassado pelo AI-5
Foto:  

O processo de entrega dos diplomas aos ex-deputados estaduais cassados foi rápido. O presidente Marcelo Nilo convidou o governador Jaques Wagner e colegas deputados estaduais para o ato solene de devolução dos mandatos, sempre seguindo um roteiro que reiterava o fato de a cassação ocorrer em decorrência do arbítrio. Durante a cerimônia, foram projetados fotos e resumo biográfico dos homenageados, além da execução dos hinos Nacional Brasileiro e ao Dois de Julho – antes da fala do governador do Estado, houve a execução da Bachiana Brasileira nº 5, de Villa Lobos, por Joseli Saldanha e Lucas Robatto.
O primeiro a obter essa reparação foi o ex-deputado Luiz Leal, que recebeu seu diploma das mãos do presidente Marcelo Nilo. Falou em nome do pai Magali Leal, declarando-se "arrepiada" com movimentações existentes nas redes sociais em defesa de um regime de força. Falou com emoção do medo e da "fantasia apavorante" de que padeciam as crianças com relação ao pai, que voltou ao consultório de médico para manter a família.

DEMOCRACIA

Em seguida, foi entregue o diploma ao professor Marcelo Duarte, pelo presidente da Casa e pelo governador Jaques Wagner. O agradecimento foi feito pelo filho, secretário Nestor Duarte Neto, que defendeu a democracia e registrou que o Legislativo comemorava com a sessão especial a derrota do arbítrio e da violência ditatorial, que "tomou aquilo que nunca deveria ter sido tomado, pois pertencia ao povo baiano".
Coube aos deputados Marcelo Nilo e Marcelino Galo restituir o mandato do petroleiro Wilton Valença, que, emocionado, da tribuna, agradeceu "no outono da vida essa homenagem". Lamentou que tantos já houvessem falecido e deu vivas a Virgildásio de Senna, prefeito de Salvador igualmente cassado, a Rômulo Almeida e a Nestor Duarte, pai de Marcelo, que sofreram também a violência de ditaduras. E chorou pela ausência da mãe.
Impossibilitado de comparecer, o jornalista Sebastião Nery, encaminhou mensagem ao Legislativo registrando o seu pesar em não estar presente. Para ele, a grande lição que a Comissão da Verdade deu à Bahia e ao país é de que todos somos responsáveis pelas decisões que tomamos e pelos atos que praticamos quaisquer quer sejam as consequências, pois não adianta "querer enterrar a história como uma pedra jogada no lago. Não se trata de maldade nem de vingança. É o preço da vida e da história". O texto foi lido pela freira Fátima Nery, irmã de Sebastião, "sua embaixadora junto a Deus e a pátria". Ela recebeu o diploma das mãos dos deputados Álvaro Gomes, Yulo Oiticica e do presidente Marcelo Nilo.
Aristeu Nogueira foi representado pelo filho Diógenes Campos, que simbolicamente recebeu de volta o mandato do pai das mãos dos deputados Marcelo Nilo, Zé Raimundo e Euclides Fernandes. Falou da têmpera de aço e do compromisso do pai na construção do Partido Comunista para bem representar os trabalhadores da cidade e do campo. Ele lembrou as dificuldades enfrentadas pela família, pois viveu (com mãe e irmãos) sem o pai durante os 11 anos de clandestinidade até a prisão em 1975. Chegaram a ficar abrigados em casas de amigos, entre tantas vicissitudes geradas pela ausência do chefe de família.

EMOÇÃO

Os deputados Rosemberg Pinto e Ivana Bastos acompanharam o presidente Marcelo Nilo na entrega do diploma de Diógenes Alves, representado pelo filho, Carlos Geraldo Alves, que, emocionado, limitou-se a agradecer em nome dos familiares. Raquel Mendes representou o pai, Ênio Mendes, que depois da redemocratização foi secretário do governador Waldir Pires, e fez um longo discurso após receber o diploma que simboliza o mandato restituído dos deputados Marcelo Nilo, Paulo Câmara e Capitão Tadeu.
Para ela, a reparação vem com atraso, pois ele foi velado na Assembleia em 18 de agosto de 2011. Elogiou o trabalho da comissão e revelou que se integrou nessa luta desde a campanha que comemorou os dez anos da anistia. Ela elogiou o trabalho nesse sentido do ex-deputado Luiz Umberto Pinheiro e revelou detalhes da cassação de seu pai, que na falta de razões foi acusado de quebrar o decoro parlamentar. Raquel Mendes leu trecho do vigoroso e corajoso discurso feito pelo ex-deputado João Borges em repúdio à cassação, pois a acusação "não o afronta, nem o atinge, e sim a quem o acusou". Citou ainda todos que votaram contra a cassação.
Os petistas Bira Corôa e Maria del Carmen, juntos com o presidente, entregaram o diploma de Hamilton Cohim, a seu filho, Hamilton Cohim, que agradeceu a magnanimidade da Assembleia. Coube a Virgínia Sampaio receber a reparação a seu pai, o deputado e radialista Luiz Sampaio, sendo os diplomas entregues pelos deputados Marcelo Nilo, Zé Neto, líder do governo, e Luiza Maia. Emocionada, preferiu não se pronunciar.
O governador Jaques Wagner e o presidente Marcelo Nilo entregaram o diploma simbólico a Aloízio Octávio Rolim, que o recebeu em nome do pai, Octávio Rolim. Ele agradeceu e elogiou o trabalho da Comissão da Verdade. O ex-deputado Oldack Neves foi representado nesse ato por seu filho, Frederico Neves, que recebeu o diploma das mãos do presidente da Casa e do deputado João Bonfim.
O governador Jaques Wagner e os deputados Marcelo Nilo e Yulo Oiticica entregaram o diploma que restitui simbolicamente o diploma do ex-deputado Osório Villas Boas, a seu sobrinho-neto, Eduardo Medeiros, que destacou o fato do tio lutar por seus ideais e lembrou que também em decorrência do golpe de 1964 Osório precisou se afastar do Esporte Clube Bahia. Finalmente, foi feita a devolução do mandato do Padre Palmeira, representado pela sobrinha Julieta, que se apresentou como militante comunista e fez o mais duro pronunciamento do dia.
Bradou contra o arbítrio e o absurdo de um conservador, padre, ser cassado por ser um educador, como "Anísio Teixeira". Duas vezes secretário de Educação, ele pagou um preço que bem demonstra a falta de critério dos regimes de força. Julieta Palmeira discorreu sobre a sua luta no movimento pela anistia e agora em prol da verdade histórica do país e frisou que falava em nome do pai, Jorge Soares Palmeira, que aos 101 está vivo, e citou os nomes de todos os seus irmãos. Recebeu o diploma simbólico do sociólogo Joviniano Neto, presidente da Comissão Estadual da Verdade, e do presidente Marcelo Nilo.



Compartilhar: