Sessão especial da Assembleia Legislativa homenageia nesta segunda-feira, às10h, a Polícia Militar da Bahia, pelo transcurso dos seus 189 anos de criação. Na ocasião, será lançado o livro "Guarda Pelé – Armando Marques da Silva Show", escrito pelo capitão PM Raimundo Marins, também historiador. A obra é o 31° volume da coleção "Gente da Bahia" que reverencia a memória de baianos notáveis nos mais diversos campos da atividade humana. Após o encerramento dos trabalhos no plenário, autor e personagem autografarão a obra no saguão Nestor Duarte.
A sessão especial foi solicitada pelo deputado Pastor Sargento Isidório (PSC) e contará com as presenças do secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, e do comandante geral da PM, coronel Alfredo Castro – que comemoram os primeiros resultados positivos do programa Pacto Pela Vida, de redução dos crimes contra a vida na Bahia. O presidente Marcelo Nilo considera como um dever do Legislativo reverenciar o trabalho de um policial exemplar como o guarda Pelé, como também rende homenagem à Polícia Militar da Bahia.
O HOMEM
Armando Marques da Silva, o popular guarda Pelé, se tornou um verdadeiro símbolo da PM baiana no início da década de 70, no século passado, quando integrava o Pelotão Águia, organismo de elite da corporação. Ele impressionava, ordenando o tráfego com uma elaborada coreografia nas ruas centrais de Salvador ou onde ocorresse algum problema.
O guarda Pelé não transigia com a sua apresentação pessoal: O uniforme diferenciado do pelotão (botas especiais para motocicletas, luvas de couro branco e capacete também branco) estava sempre impecável, chovesse ou fizesse sol. A sua popularidade foi de tal monta que ele virou celebridade. Realizou exibições em outros estados, concedeu inúmeras entrevistas, recebeu comendas, foi fotografado de todos os ângulos possíveis e até fez publicidade – dentro e fora do país. Garoto-propaganda, uniu a sua imagem à da Bahia como produto turístico e estrelou campanhas de companhias aéreas.
Passada a época áurea da fama, permaneceu no serviço ativo da PM com a sobriedade e humildade que o caracterizaram quando do exercício da função policial, acompanhando-o depois da passagem para a reserva remunerada. Divide o tempo com as ruas de Salvador e Xique-Xique, às margens do São Francisco, pacifico nos seus 77 anos de idade e impressionado com o grau de desatino a que chegou o trânsito da Salvador do terceiro milênio.
O AUTOR
A proposta de homenagear o guarda Pelé foi de Raimundo José da Rocha Marins, então tenente da Polícia Militar, acatada pelo presidente Marcelo Nilo, pois se trata de um personagem icônico desconhecido das novas gerações. Graduado em história e pós-graduado em História e Cultura Baiana, membro permanente da comissão para o Histórico da PM da Bahia e integrante da Rede Nacional de Pesquisadores Associados do Centro de Estudos Euclides da Cunha.
O capitão Marins participou de vários cursos de especialização na área militar e policial (também como instrutor). Ele obteve apoio da corporação para a empreitada e mergulhou na vida do guarda Pelé durante três anos, visitando-o em Xique-Xique, coletando material em arquivos particulares e de diversas instituições, além de vasculhar os arquivos dos jornais de Salvador. Realizou dezenas de entrevistas com personalidades da vida baiana nos mais diversos segmentos e não apenas na PM.
O LIVRO
O livro, de 205 páginas, é ilustrado com fotografias e recortes de jornais e revistas da época, foi prefaciado pelo comandante da PM da Bahia, coronel Alfredo Castro, e teve a orelha elaborada pelo também coronel, Gilson Santiago, diretor de Comunicação Social da Polícia Militar. O projeto gráfico, diagramação, tratamento de imagens e acompanhamento gráfico foi do designer Tamir Drummond.
A coleção "Gente da Bahia" contempla perfis biográficos de baianos icônicos dos mais variados campos da atividade humana. Optou-se por textos leves, de cunho jornalístico para facilitar a leitura, direcionado às novas gerações e dois terços da tiragem de dois mil exemplares são distribuídos para bibliotecas, escolas, entidades da sociedade civil e até instituições penais. Basta a feitura de um cadastro junto ao Cerimonial da Assembleia Legislativa.
Dessa maneira, o Poder Legislativo da Bahia rende homenagem a personalidades que se destacaram na ciência, literatura, cinema, música, artes plásticas, política e medicina. E também a mestres de capoeira, como Pastinha, alfaiates como Spinelli, cangaceiras como Maria Bonita, e até à doce louca da rua Chile, a Mulher de Roxo, que compuseram esta coleção projetada, inicialmente, para 20 volumes. Marca já ultrapassada e outros cinco livros estão sendo impressos. Até o final do ano, serão 40 obras nessa coleção.
O presidente Marcelo Nilo acredita que o Poder Legislativo da Bahia presta um serviço público significativo com esse trabalho, com uma produção editorial que supre grave lacuna no campo cultural, transcendendo o seu objetivo inicial de ser um instrumento de marketing cultural. Só em sua gestão na presidência já foram lançados 120 obras em coleções ou selos específicos. Para ele, fomentar a publicação de livros, "planejar esta coleção e torná-la uma realidade foram tarefas gratificantes que, sem dúvida, ficarão para sempre na minha memória, com carinho e orgulho". O presidente da Assembleia não cansa de citar a máxima de Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros".
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