Uma palhaçada. Foi exatamente o que ocorreu ontem, à tarde, na Assembleia Legislativa, quando profissionais de saúde, políticos, representantes de autoridades, pessoas da sociedade e, sim, palhaços se reuniram para comemorar os 15 anos do grupo Terapeutas do Riso, cujo objetivo ao longo desse tempo foi levar a saudável alegria aos hospitais. Porém, como destacou Lucrécia Savernini, gestora de Saúde das Obras Sociais Irmã Dulce, ninguém deve confundir palhaçada com falta de respeito.
A deputada Maria del Carmem (PT), sensibilizada com o trabalho desenvolvido pelo grupo fundado por Edmar Dias e Dalvinha Gomes, foi quem propôs a realização da sessão especial. "Rir acelera os batimentos cardíacos, massageia o aparelho gastrointestinal e libera beta-endorfina, que atua no controle da dor", enumerou, dizendo ainda que gargalhar "reduz os níveis dos hormônios ligados ao stress".
A parlamentar fez um breve histórico, citando o filósofo Herbert Spencer, segundo o qual "rir é um mecanismo essencial para se estabelecer conforto físico e equilíbrio biológico". Ela ainda lembrou de Pat Adams, médico americano que inovou ao utilizar o nariz de palhaço como utensílio terapêutico, até chegar aos Terapeutas do Riso.
O evento não contou apenas com protocolares pronunciamentos, mas com uma demonstração do que esses palhaços andam fazendo nos hospitais de Salvador. Edmar e Dalvinha, como os doutores Bacural e Ciranda, e o Dr. Charanga (Robson Saraiva), otorrino especializado em proctologia, conseguiram transformar em gargalhadas o que começou como riso amarelo, com pérolas como o termo politicamente correto para exame de próstata: "inclusão digital".
As piadas para o público adulto foram incluídas a partir de 2001, quando o Terapeutas se tornou pioneiro ao ampliar a abordagem que, no mundo inteiro, é voltada para o setor pediátrico. Del Carmem, em seu pronunciamento, chegou a considerar o efeito que teriam doses de riso na Assembleia, "normalmente séria e sisuda, como na semana passada, quando tivemos quase 24 horas ininterruptas de debates acirrados".
Falaram ainda a primeira-tenente Ana Carolina Ramos, assistente social do Hospital Naval de Salvador; Suzana Coelho, coordenadora do curso de Serviço Social da Unifacs;o diretor-geral da Fundação Estatal de Saúde, Carlos Trindade; Célia Silvany, coordenadora de residência médica pediátrica da Escola Bahiana de Medicina, e Olga Sampaio, coordenadora do Ciclo de Vida e Gênero da Sesab.
ESPANHOL
O doutor Álvaro de Souza, diretor-médico do Hospital Espanhol e conselheiro do Cremeb, além de lembrar detalhadamente sobre os benefícios do riso e sua relação antiga com o Terapeutas, como os demais discursos, trouxe as alvíssaras de que o Hospital Espanhol está se preparando para "decolar", após a reorganização administrativa para fazer frente à situação muito difícil pela qual passou. Del Carmem aproveitou para salientar o papel do governador Jaques Wagner e do secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, na solução da crise.
O último pronunciamento da tarde coube a Dalvinha, que iniciou sua fala pedindo que ninguém a registrasse utilizando óculos. Ela mostrou a fundamentação histórico-científica que sustenta a atuação do Terapeutas, desde Hipócrates, Século IV antes de Cristo. O início do grupo foi no Hospital João Batista Caribé, mas a identificação com as Osid é inquestionável: eles atuam naquele hospital há 14 anos e começaram a lidar com adultos por inspiração de Maria Rita Lopes Pontes, superintendente das Osid, que propôs apoio ao grupo em troca deles atenderem uma clientela além da pediatria..
Chegou o momento dos agradecimentos. "Todos têm uma pessoa e às vezes um anjo que acredita na sua ideia", disse Dalvinha, afirmando que este foi o papel de Maria Rita para o Terapeutas. Citou todos os palhaços que atuam e atuaram no terapeutas, grata pela contribuição de cada um. Neste momento, não conteve a emoção e, com lágrimas nos olhos e voz embargada, fez lembrar o ditado de que "muita risadaria termina em choro", repetido à exaustão pelas mães de antigamente. Mas o final da sessão não chegou a tanto.
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