A Assembleia Legislativa ultrapassou ontem a marca de 90 livros editados, ao lançar, em uma concorrida tarde de autógrafos, mais três livros da coleção Gente da Bahia, além do documentário Milton, produzido pelo Canal Assembleia, sob a responsabilidade de Renata Maia e Roberta Andrade. A data foi escolhida para marcar a ocasião do Dia da Consciência Negra, tendo sido lançado os perfis do geógrafo Milton Santos, do médico Juliano Moreira e do empresário Clarindo Silva, escritos respectivamente pelos jornalistas Waldomiro Junior, Alexandre Lyrio e Vander Prata.
O Salão Nestor Duarte começou a receber convidados mais de meia hora antes do horário previsto, às 16h30, e ali começaram a se reunir jornalistas de variadas gerações, autoridades civis e militares, a exemplo do secretário estadual do Turismo, Domingos Leonelli, o secretário de Comunicação de Salvador, André Curvello, o ex-reitor da Ufba, Germano Tabacof, o empresário Eduardo Moraes, o ex-deputado Gerson Gabrielli e o embaixador Andre Barbe. A viúva de Milton Santos, Marie Helene, fez questão de prestigiar o evento. O número de parlamentares que era suficiente para manter o quorum mínimo, de 21 presenças.
O presidente Marcelo Nilo (PDT) lembrou que a função primordial da Assembleia é fiscalizar o Estado, mas que tem contribuído para a cultura, a história e a educação do país ao editar e reeditar obras que preservam a memória da Bahia. Ele anunciou ainda que outras 23 obras do Gente da Bahia serão lançadas nos próximos meses, perfazendo um total de 114 livros publicados, desde que se iniciou este trabalho editorial. O parlamentar fez questão de comentar sobre cada uma das personalidades, cujos perfis estavam sendo lançados.
Logo na abertura da tarde de autógrafos, foi dada a palavra à jornalista Renata Maia, que roteirizou, dirigiu e editou, juntamente com Roberta Andrade, o documentário Milton, sobre a vida de Milton Santos. Ela agradeceu particularmente a oportunidade de realizar o trabalho sobre um intelectual baiano respeitado internacionalmente; a atenção da viúva Marie Helene, e lembrou que o DVD registra o primeiro depoimento do filho de Milton sobre o pai. Ela fez questão ainda de destacar o trabalho de todos que possibilitaram a realização do filme-reportagem.
O mestre de cerimônia Chico Raposo anunciou, em seguida, Waldomiro Junior, que considerou o evento bastante simbólico, ressaltando que, mais do que personalidades negras, Milton Santos e Juliano Moreira são baianos que utilizaram a ciência para contribuir com a humanidade e o resgate da vida. Ele destacou ainda o importante papel desempenhado pela Assembleia com sua produção editorial e conclamou outras instâncias dos poderes públicos e da inciativa privada a terem iniciativas como esta.
Alexandre Lyrio protagonizou, em seguida, um momento tocante. Ao assumir o microfone, ele citou trecho do seu livro em que Juliano Moreira é descrito como um "cérebro forte a serviço de um coração magnânimo" para se referir ao pai, professor Antônio Lyrio. Com a voz embargada, lembrou que o pai foi responsável pela revisão do texto final, mas não chegou a ver a obra concluída, tendo morrido há alguns meses. Ao final, repetiu a dedicatória, que seria uma surpresa, e disse: "Pai, essa obra é para Juliano Moreira e para você."
"Está na hora de pensar na educação do povo", disse Vander Prata ao pedir, à la Castro Alves, "livros à mancheia!". Dele foi o livro sobre Clarindo Silva, que fez questão de se pronunciar e se emocionou ao fazer uma defesa veemente do Pelourinho, onde chegou aos 12 anos para trabalhar como empregado doméstico. "A sociedade não pode abandonar o Pelourinho", disse ele, afirmando que o bairro é o único a ter um batalhão de polícia exclusivamente para ele. "O Pelô não é perigoso não", disse, afirmando que mais de 70 empresas já fecharam e não há empresário que não fale em dificuldades. Para ele, "o Pelô está na UTI, apesar dos investimentos que vêm sendo feitos. Ao final dos pronunciamentos, os autores distribuíram autógrafos, enquanto foi servido um coquetel variado.
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