As comissões Especial da Copa e da Promoção da Igualdade planejam a realização de uma audiência conjunta para discutir as resoluções da Fifa sobre o evento de 2014. Para o deputado Bira Corôa (PT), presidente da Comissão da Promoção da Igualdade, as resoluções da federação internacional de futebol responsável pela organização da Copa são "excludentes e penalizam a sociedade baiana".
Bira está preocupado sobretudo com a determinação da Fifa de só permitir em dias de jogos da Copa a comercialização, num raio de 2 km da Arena Fonte Nova, de produtos autorizados pela entidade. Para ele, isso ameaça, entre outras coisas, o trabalho das baianas de acarajé. "É preciso que as baianas de acarajé sejam autorizadas a vender seus produtos, respeitando os conceitos e preceitos do tabuleiro, que mais do que um balcão de comércio tem uma estrutura religiosa", afirmou o deputado, autor da proposta da audiência conjunta.
A presidente da Comissão Especial da Copa, Maria del Carmen (PT), também externou sua preocupação a respeito da forma que será vendido o quitute símbolo da Bahia. "Será inaceitável que o acarajé seja vendido em embalagem com o símbolo de uma das patrocinadoras", afirmou ela, que apresentará o requerimento para realização da audiência na próxima sessão do colegiado.
Na audiência, cuja data ainda será definida, Bira Corôa espera discutir não só a situação das baianas, mas de outros pequenos comerciantes como pipoqueiros e churrasqueiros que, conforme as regras da Fifa, não vão poder trabalhar no raio de 2 km da Arena Fonte Nova. "Esse raio abrange a Joana Angélica, a Baixa dos Sapateiros, o Pelourinho. Como ficarão esses comerciantes?", questiona ele.
O monopólio de apenas uma marca de cerveja estrangeira nos bares dos estádios da Copa é outro ponto que incomoda o deputado petista. Segundo ele, na África do Sul metade das cervejas vendidas na Copa de 2010 foram locais. "Não podemos esquecer que temos fábricas da Brahma e Antártica em Camaçari e da Schin, em Alagoinhas. São empregos locais que precisam ser preservados", acredita ele, que defende também a qualificação de garçons, taxistas e outras categorias para receber melhor os turistas, jornalistas e atletas que estarão na capital baiana durante a competição.
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