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AL lança documentário e três novos livros de Gente da Bahia

Publicado em: 19/11/2012 00:00
Editoria: Diário Oficial

Coleção gente da Bahia: Milton Santos
Foto:  

A Assembleia Legislativa lança três novos volumes da coleção Gente da Bahia nesta terça-feira, Dia da Consciência Negra. Os livros, que trazem perfis biográficos de três negros baianos icônicos, Clarindo Silva, Milton Santos e Juliano Moreira, foram escritos, respectivamente, pelos jornalistas Vander Prata, Waldomiro Júnior e Alexandre Lyrio. Na ocasião, será lançado também o documentário Milton, produzido pelo Canal Assembleia e executado pelas jornalistas Renata Maia e Roberta Andrade, responsáveis pelo roteiro, edição e direção.
O lançamento acontece a partir das 16h30, no Saguão Nestor Duarte, contíguo ao plenário. A gênese dessa coleção, que chega ao vigésimo volume, remonta a 2008, e tem como objetivo resgatar para conhecimento das novas gerações a obra e a vida de personagens que marcaram a Bahia nos mais variados campos da ação humana, ainda que nem todos sejam baianos de nascimento como o argentino Carybé, que abriu a série e marcou de forma indelével a nossa cultura.

PRESERVAÇÃO

A ideia de buscar a preservação dessa memória da Bahia foi do deputado Marcelo Nilo, preocupado com a perspectiva de esquecimento de figuras tão notáveis num mundo tão diferente e rápido em que, seguramente, a maioria deles não se encaixaria com facilidade, moldados que foram por outro ritmo de vida, de uma Bahia que passou, mas que prossegue contemporaneamente em cada um de nós, em nossas tradições, cultura, e particularidades étnicas, religiosas e de culinária que formam a nossa decantada "baianidade".
Foram biografados, entre outros, o alfaiate Spinelli, o antropólogo Edison Carneiro, o pianista Carlos Lacerda, o mestre de capoeira Pastinha, o escritor Guido Guerra, a cangaceira Maria Bonita, o cineasta Roberto Pires e até a Mulher de Roxo, que perambulava pela rua Chile e avenida Sete de Setembro até duas décadas atrás. Outros livros estão em fase final de impressão e serão lançados em dezembro, homenageando o ex-deputado Chico Pinto, o artista plástico Hansen Bahia e o médico Aristides Maltez.
Outra particularidade da série é que, apenas com uma exceção (o pesquisador paulista Antônio Amaury em Maria Bonita), todos os livros foram escritos por jornalistas profissionais, sendo a primeira incursão da maioria dos autores no mundo literário, o que atende ao objetivo do Legislativo de fomentar a busca de talentos novos para as letras baianas.
A coleção Gente da Bahia possui projeto gráfico diferenciado, sendo a sua marca o frontispício da igreja da Conceição da Praia, na capa, com foto em cor do autor na segunda orelha, foto também em cor na segunda e terceira capas, bem como um texto alusivo ao livro na quarta capa que pode ser do autor ou convidado. O projeto gráfico, editoração eletrônica e paginação é de Tamir Drummond e as fotos, de Paulo Mocofaya. A coleção integra as Edições Alba, programa editorial executado pela Assessoria de Comunicação Social da Casa, com supervisão do Assessor da Presidência para Assuntos de Cultura, professor Délio Pinheiro.

LIVROS

"Clarindo Silva, o dom Quixote do Pelourinho", escrito por Vander Prata, possui 502 páginas e tem, além do caderno de fotografias encartado no final, vasta documentação fotográfica (álbum de família) da vida do animador cultural, que é um símbolo da resistência do Pelourinho com a sua Cantina da Lua. A obra ganhou um belo prefácio do jornalista e escritor José de Jesus Barreto. O livro "Milton Santos, Reflexões Póstumas de um Pensador" tem um estilo ousado, pois foi escrito na primeira pessoa por Waldomiro Júnior, inspirado no clássico machadiano Memórias Póstumas de Brás Cubas, em que o narrador discorre sua vida depois de morto. Waldomiro acrescenta após o caderno de fotografias uma cronologia da vida do biografado e a relação de livros escritos ou organizados por Milton Santos. São 375 páginas.
Já o jornalista Alexandre Lyrio escreveu uma biografia com "pegada" de reportagem. Nas 193 páginas de "Juliano Moreira, o Terapeuta do Afeto", ele resgata a vida de um gênio que, de origem humilde, consegue admissão na tradicional (conservadora e racista) Faculdade de Medicina da Bahia, no final do século XIX, aos 14 anos de idade, colando grau aos 18, e ingressando como professor, através de um concurso em que conquistou dos 15 integrantes da banca examinadora o grau dez. Poliglota e membro das mais prestigiosas instituições científicas do mundo, ele foi, além de cientista, um propagador da ciência. A orelha do livro foi escrita pelo jornalista Flávio Costa e a quarta capa traz um texto do médico e pesquisador Ronaldo Jacobina.



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