O dia 12 de novembro deste ano ficará marcado na história das políticas de prevenção a doenças masculinas no Brasil. Na manhã de ontem, o plenário da Assembleia Legislativa reuniu um grande número de homens com a finalidade de apoiar o lançamento da Campanha Novembro Roxo, a convite do deputado estadual Álvaro Gomes (PC do B).
Com o tema Informação no Combate aos Cânceres de Próstata e Pênis, a sessão especial deu início ao movimento de prevenção e detecção precoce dessas enfermidades, titulado Novembro Roxo. De acordo com o parlamentar proponente, ao contrário do mês anterior que tem atenção especial à saúde da mulher, o objetivo é instituir o mês de novembro como período de incentivo para cuidar da saúde masculina.
A Campanha Novembro Roxo é originária do Projeto de Lei nº 19.997/2012, de autoria do deputado Álvaro Gomes. Mesmo ainda sem aprovaçao do colegiado, a proposta foi muito bem aceita pelos participantes do encontro.
"Nosso objetivo é incluir a campanha no calendário estadual para que a populacão masculina do nosso país perceba a importância da prevenção e do tratamento dos cânceres da próstata e do pênis", destacou o deputado proponente.
Dados atuais comprovam que este ano, no Brasil, mais de 60 mil homens detectaram doenças na próstata. Entre eles, mais de 2.900 casos foram registrados na Bahia.
Segundo o doutor Wagner Porto, da Sociedade Brasileira de Urologia, as políticas de saúde voltadas para a classe masculina surgiram no Brasil há mais ou menos 10 anos. Desde então, as estatísticas demonstram o aumento do número de casos dessas enfermidades.
O deputado Bira Corôa (PT) acredita que esse aumento está associado à concepção machista dos brasileiros. Porém, o doutor Wagner explica que, além dos "tabus" machistas, a falta de higiene nos órgãos genitais é um grande fator de influência da doença.
"As condições básicas de higiene desde a infância são fundamentais para evitar essas doenças na maior idade", explicou. Além disso, o médico revelou que problemas no prepúcio como, por exemplo, a fimose e os tipos de infecções virais, como o HPV, são considerados fatores de risco propulsores desses tipos de câncer.
De acordo com Álvaro Gomes, indicadores revelam um alto grau de desconhecimento por parte dos homens quanto a estas neoplasias – causas, sintomas, possibilidade de diagnóstico, tratamento, cura ou mitigação de consequêcias.
Para o médico oncologista, Vinícius Carrera, esses problemas são mais comuns em países como o nosso, onde a saúde pública ainda está em desenvolvimento. Já na opinião do presidente do Sindimed, Francisco Jorge Magalhães, a saúde pública precisa ser tratada com mais atenção. "Independente dos problemas culturais, isso demonstra um problema de gestão da saúde pública", declarou ele.
Caso a proposta seja aprovada pelos deputados, o Estado deverá, a cada novembro, através da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), promover debates e outras ações educativas que conscientizem os homens das doenças masculinas e suas prevenções.
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