Os 130 anos de história da Igreja Batista no Brasil foram lembrados em sessão especial realizada, na manhã de sexta-feira, na Assembleia Legislativa da Bahia. Proposta pelo deputado Alan Sanches (PSD), a sessão destacou a contribuição dos batistas para construção de uma sociedade melhor. "A educação, ação social e missões sempre foram as marcas visíveis do povo batista", observou o pastor Dilmã dos Santos Cerqueira, ex-presidente da Convenção Batista da Bahia.
Durante o encontro, a educadora religiosa e mestre em teologia, Antonia Ferreira Lima Oliveira, fez uma longa explanação da trajetória dos batistas no Brasil e, em especial, na Bahia. Contou que a Primeira Igreja Batista, voltada para a evangelização do Brasil, foi organizada em 1882. Na época, já existiam duas outras igrejas batistas, organizadas por imigrantes norte-americanos, moradores da região de Santa Bárbara do D’Oeste e Americana, São Paulo, porém com culto em inglês, o que excluía os habitantes locais, inclusive os escravos.
De acordo com ela, o casal de missionários batistas norte-americano, recém-chegados ao Brasil, Willian Buck Bagby e Anne Luther Bagby, decidiram iniciar a sua missão na cidade de Salvador, à época com 250 mil habitantes. "Aqui chegaram no dia 31 de agosto de 1882 e iniciaram o trabalho num colégio alugado dos jesuítas, na Rua de Baixo, nº 43, no centro de Salvador, com cultos bem assistidos e no dia 15 de outubro, organizaram a primeira Igreja Batista do Brasil.
De acordo com ela, nos primeiros 25 anos de trabalho, Bagby e Taylor, auxiliados por outros missionários e por um número crescente de brasileiros, evangelistas e pastores, já tinham organizado 83 igrejas, com aproximadamente 4.200 membros. "Hoje, temos aproximadamente 167 mil batistas na Bahia, 58 missionários, distribuídos em 19 associações regionais, quase 600 igrejas e 400 congregações em todo o nosso estado", reforçou o pastor Dilmã dos Santos Cerqueira.
A promoção da educação pela Igreja Batista foi louvada durante a sessão. O Colégio Taylor Egídio, fundado em Salvador pela senhora Laura Taylor e pelo Capitão Egídio Pereira de Almeida, foi o primeiro a vingar. Em 1922, ele foi transferido para a cidade de Jaguaquara, onde existe até hoje, contando com quase 115 anos, "tendo a sua marca registrada em muitas vidas, homens e mulheres valorosos do nosso país", como observou pastor Dilmã.
Voltada para educação religiosa, foi estruturado o Seminário Teológico Batista do Nordeste, em Feira de Santana, com mais de meio século de existência e com extensão em Salvador, além de outras instituições educacionais e teológicas espalhadas por toda a Bahia através de igrejas e associações.
PERSEGUIÇÕES
Proponente da sessão, deputado Alan Sanches lembrou as perseguições sofridas pelos batistas ao longo da história. "Apesar de terem sido tão perseguidos e marginalizados no passado, os batistas deram contribuições importantíssimas para nossa política, economia e cultura. Por isso, essa homenagem realizada pela Assembleia Legislativa é muito justa", observou o parlamentar, que estava acompanhado do filho, o vereador eleito Duda Sanches.
Também presente no evento, o pastor Arno Hubner, presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil na Bahia, afirmou que o desafio agora é olhar para o futuro. "O que vai ser feito daqui para frente depende de nós", conclamou o pastor Hubner às dezenas de evangélicos que participaram da sessão.
Para o presidente da Ordem dos Pastores Batistas, quatro pilares têm que balizar a estrutura da Igreja Batista nos próximos anos: a humildade ("não a falsa humildade, mas a de coração"), a fidelidade (continuar lutando para sermos fiéis a Deus), a coragem ("para pedir, para pregar") e a palavra ("que transforma vidas e e que precisa ser levada adiante").
Também participaram da sessão de ontem o pastor da Igreja Batista Moriá, Elton Santos; o secretário executivo da Ordem dos Pastores de Salvador, pastor Sílvio Rodrigues; a secretária executiva da Ordem dos Pastores de Salvador, Célia Caribé, e o presidente da Associação Batistas de Salvador, Jean Souto.
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