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Fátima Nunes promove reunião para debater estiagem na Bahia

Publicado em: 19/07/2012 00:00
Editoria: Diário Oficial

No evento, foram debatidas ações em prol dos agricultores familiares em mais de 240 municípios
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Na manhã de ontem, a deputada Fátima Nunes reuniu, na Assembleia Legislativa, quatro territórios de identidade baianos, representados por lideranças políticas e sindicais agrícolas de 12 municípios para tratar das consequências da maior estiagem que atinge a Bahia nos últimos 40 anos. Na pauta, as ações que o Governo tem desenvolvido em prol dos agricultores familiares nos mais de 240 municípios que já decretaram estado de emergência, além das demandas dos produtores rurais que ainda não foram atendidas.
Estiveram presentes representantes dos municípios de Cícero Dantas, Adustina, Quijingue, Tucano, Nova Soure, Cansanção, Crisópolis, Inhambupe, Canudos, Santa Luz, Banzaê, além de lideranças políticas soteropolitanas. Para registrar e encaminhar as demandas dos agricultores, a deputada convidou órgãos como a Cordec, a EBDA e a Cerb, além do Núcleo de Crise, da Governadoria, instalado para diligenciar as ações de combate à seca. Estiveram presentes representantes da Casa Civil, nos setores de Segurança Alimentar, Luiza Traboco, e Agricultura Familiar, Fábio Freitas e Fernanda Yanase.
Nas manifestações dos representantes de sindicatos e associações de agricultores familiares, muitas reclamações quanto à burocracia das ações, o que tem gerado atraso na chegada dos benefícios a quem mais precisa. "Em Santa Luz, por exemplo, dos 20 poços artesianos que ficaram de ser instalados e já há recursos para isso, apenas um já está lá. É necessário que acelerem a limpeza das aguadas, pois temos que nos preparar para qualquer gota de chuva que caia e as aguadas estão sujas, o que gera contaminação e daí não teremos boas plantações, água de qualidade para os animais, muito menos pro consumo humano", frisou o agricultor Ezequiel Santiago, de Santa Luz, lembrando que o município, em 2007, tinha cinco mil pedidos de ligação de água junto à Embasa e que hoje já são 12 mil, em uma única adutora.
A extensão desses equipamentos (adutoras) e construção de novas nas comunidades rurais foi outro ponto levantado na audiência, bem como a necessidade de repensar a utilização dos carros-pipa, que acabam onerando os produtores para além do custo tradicional, revelando um cenário de superfaturamento do serviço. O mesmo pedido foi reforçado pelo sindicalista rural José Carlos Almeida, de Quijingue, que falou das barragens e açudes, que precisam, com urgência, ser recuperados. Falou também de crédito e políticas de financiamento. "Temos visto iniciativa do governo federal quanto ao crédito emergencial aos produtores mas ainda não conseguimos acessar esse crédito por questões burocráticas. Precisamos de mais bancos que possam operar estes recursos e de mais apoio técnico para que possamos ter acesso a ele como nos é exigido hoje", falou, referindo-se ao reduzido número de pessoal especializado em órgãos como a EBDA, nos municípios. "Não há gente pra atender nossa demanda e com isso, perdemos oportunidades", frisou. Leide Correia, do Sindicato Rural de Cícero Dantas, fez coro. "A EBDA está carente de profissionais e estamos com um técnico em Salvador se capacitando para atuar no município", informou.

ALIMENTOS

Além do abastecimento de água e do acesso ao crédito, que foram pontos abordados por todos os municípios ali representados, a questão alimentar, com a distribuição das cestas básicas e a disponibilização do milho subsidiado também entraram na pauta. "Nós precisamos de mais fiscalização por parte do Estado na distribuição dos tíquetes que dão acesso às cestas básicas que estão sendo distribuídas, pois vemos pessoas que não têm necessidade recebendo os alimentos, que deveriam chegar àqueles que perderam suas produções, que não vêm tendo como se sustentar nos últimos meses", levantou Roberto Santos, representante do município de Adustina, segundo o qual, cerca de 80% da produções foram perdidas por conta da estiagem.
Para a deputada Fátima Nunes, que tem acompanhado as demandas de perto, o encontro serviu como a consolidação da ponte entre os municípios sertanejos, seus agricultores e produtores rurais e órgãos públicos que têm respondido pelo combate à seca e as políticas públicas de emergência aos cidadãos baianos que sofrem nos últimos meses. "Mas são demandas permanentes, pois a seca é um fenômeno natural e precisamos mais do que nunca pensar políticas estruturantes, de longo prazo, que permaneçam nos municípios, que previnam situações críticas como as que vemos em nossas caminhadas pelo sertão. Gado morrendo, açudes secos, plantações acabadas, poços sem água ou nem construídos. Vivenciamos uma crise e temos que manter o diálogo sempre aberto com nossa população mais sofrida e é o que vamos continuar fazendo", enfatizou a parlamentar.



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