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Comissão de Saúde visita Ceasa e conhece principais demandas

Publicado em: 04/07/2012 00:00
Editoria: Diário Oficial

Colegiado presidido por Arimatéia constatou que principal problema é a coleta de lixo
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A Comissão de Saúde e Saneamento visitou ontem a Ceasa. Motivados por denúncias publicadas pela imprensa e recebidas pelo colegiado, os deputados foram ver de perto a situação do lixo na Central de Abastecimento, empresa vinculada à Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração, que abriga 700 permissionários em 192 boxes e 1.028 pedras, espaço de oito metros quadrados delimitados em medição no chão dos galpões. A Ceasa abastece Salvador e sua região metropolitana e também o estado de Sergipe. Recebe 3,6 mil caminhões de produtos hortifrutigranjeiros a cada mês e arrecada R$ 12 milhões ao ano, o que lhe garante autossuficiência financeira.
Estes dados foram revelados ao presidente da comissão, deputado José de Arimatéia (PRB), e à deputada Maria del Carmen (PT), pelo assessor técnico da empresa, Joselito da Silva, adiantando que, embora seja o bastante para responder pelas despesas de custeio e pagamento de pessoal, o orçamento mensal da Ceasa ainda não lhe permite investimentos em melhorias e modernização da infraestrutura, que, por sinal, é a mesma há 40 anos, quando a empresa de abastecimento foi inaugurada. "Mas o governo Wagner investiu na Ceasa, na medida do possível", adiantou o assessor. Contribui para a disseminação de lixo no local, explicou Silva, o fato de o espaço já estar pequeno para o abrigo de tantos comerciantes. A Ceasa é dona de um milhão de metros quadrados – 40 mil metros quadrados têm pavimentação e apenas 24 mil metros quadrados contam com serviços de infraestrutura.

CONSCIENTIZAÇÃO

Embora com duas empresas terceirizadas, a coleta de lixo e limpeza da área de quarenta mil metros quadrados, onde ocorre a feira, é mesmo um problema. Segundo Silva, o mais grave é conscientizar os comerciantes sobre práticas mínimas de higiene. Os produtos não apropriados ao comércio são descartados no próprio local, assim como as embalagens diversas onde as frutas e verduras são acondicionadas, a exemplo de caixas e papéis que se acumulam por todos os galpões, criados, a princípio, para serem provisórios e, com o passar do tempo, tornaram-se permanentes compulsoriamente.
Mas Joselito Silva garante que a limpeza da área acontece, sim, das 3h às 21h, nos dias da semana em que não tem feira. A Ceasa está aberta todos os dias, mas o forte do comércio são as segundas, quartas e sextas-feiras, quando a Central abre seus portões às 4h e somente os fecha às 17h e a feira acontece. Nestes dias "fica tudo sujo".
A empresa tem, também, três opções de destino para os produtos não comercializados. Eles são recolhidos por catadores individuais; pelo programa Prato Amigo, da prefeitura de Salvador que os doa "a creches e asilos" e, por fim, integram um projeto de compostagem que a Ceasa desenvolve com a Torres, uma das duas empresas terceirizadas pela Central e encarregada da destinação final dos dejetos. A solução pode estar "na conscientização dos comerciantes", ponderou a deputada Maria del Carmen, preocupada com o problema, que é de "saúde pública", frisou Arimatéia, imbuído do propósito de "ajudar" a administração da Ceasa a equacionar o problema da limpeza, que seria "competência dos comerciantes, mas acabou ficando 100% a cargo da Central", informou Joselito da Silva.
A Ceasa abastece redes de supermercados de Salvador e arrecada cerca de R$ 1 milhão a cada mês, orçamento advindo da cobrança da taxa mensal de R$ 120 dos comerciantes, acrescida de R$ 15 de condomínio dos que ocupam as pedras. Os comerciantes dos boxes, que consomem água e luz, pagam R$ 19 de taxa condominial. Do total de comerciantes, que, além dos 700 permissionários, inclui 120 avulsos, 14% são inadimplentes "recebíveis", como qualifica Joselito da Silva, informando que a administração da Ceasa prefere negociar os atrasados do que rescindir os contratos.
Agora, a Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa procederá como de hábito: vai encaminhar relatório técnico a entidades e órgãos públicos, como Vigilância Sanitária e Ministério Público, contendo as informações coletadas durante a visita. E acompanhar a evolução da situação e a adoção de soluções.



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