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Subcomissão debate roubo de cabos de cobre de telefonia

Publicado em: 19/06/2012 00:00
Editoria: Diário Oficial

Crimes ocorrem em diversos estados e somente em fevereiro a perda chegou a R$ 1,8 milhão
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O roubo de cabos de cobre de telefonia e de energia elétrica cresceu 160% nos primeiros três meses deste ano em relação a igual período do ano passado na Bahia. Entre janeiro e maio deste ano, foram registrados 326 furtos. Nos 12 meses do ano passado, o total de crimes foi 386. Esses dados foram revelados ontem durante audiência pública da Subcomissão de Segurança Pública e Defesa Civil da Assembleia Legislativa, que debateu o tema Segurança Pública e as Empresas de Telefonia. Segundo revelações de Elson Freitas, do Comitê de Segurança das Empresas de Telefonia, os crimes estão disseminados por todo o Estado, causando danos e prejuízos a toda a sociedade.
O furto de fios de cobre do serviço de iluminação pública em Salvador causou prejuízo de R$ 130 mil à Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Prevenção à Violência (Sesp) nos três primeiros meses deste ano. Já a Coelba registrou roubo de 43 quilômetros de cabos da rede elétrica no Estado, sendo 34 quilômetros na Região Metropolitana de Salvador. Em apenas dois meses (janeiro e fevereiro), a empresa teve roubados 575 metros de cabos de energia, dezenas de lâmpadas, tampas dos quadros de medição de postes e cinco transformadores.
Estes crimes ocorrem em diversos estados e somente em fevereiro a perda chegou a R$ 1,8 milhão com o desvio do material em todo o país, segundo levantamento do Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo. O estudo revelou, ainda, que 100 toneladas de fios, cabos e semimanufaturados de cobre foram desviados. "Aqui na Bahia, os bandidos chegam a derrubar postes concretados para roubar os cabos", disse Elson Freitas, informando, ainda, que as baterias roubadas vêm sendo transformadas e adaptadas para veículos, numa nova modalidade de crime. Em São Paulo, blitz recente encontrou baterias assim em 70% dos carros vistoriados.

FISCALIZAÇÃO

O material roubado é facilmente comprado e encontrado em oficinas e sucatas. E para coibir esta ação, é necessária a existência de uma lei que fiscalize e puna a compra de material ilegal, defendeu Freitas. Rio de Janeiro e Santa Catarina já têm legislação específica, Goiás está em fase de aprovação de lei estadual e aqui na Bahia o assunto já está sendo analisado pelo deputado Capitão Tadeu (PSB), presidente da Subcomissão de Segurança Pública e Defesa Civil, que propôs e realizou a audiência pública de ontem.
O projeto de lei em análise pelo deputado, a exemplo do que acontece em outros estados, prevê que os ferros-velhos e similares ou locais que compram ou vendam cabo de cobre para reciclagem deverão identificar seu vendedor e comprador. Eles deverão preencher um cadastro com informações com nome, endereço, telefone, identidade e CPF do vendedor/comprador; data da venda/compra e quantidade comercializada.
Com isso, a previsão é de que os crimes diminuam. "É preciso a adoção de medidas eficazes contra estes roubos", disse o deputado Capitão Tadeu, preocupado, sobretudo, com a realização da Copa do Mundo e a possibilidade de blecaute nas transmissões dos jogos, uma vez que os cabos e equipamentos roubados afetam a telefonia e a transmissão de dados. Os cabos de cobre, baterias e transmissores estão conectados a bancos, emissoras de rádio e televisão, operadores de telefonia móvel, que vêm adotando uma série de medidas preventivas, mas sem o sucesso necessário. Segundo o Comitê de Segurança destas empresas, ações como aumento dos muros de proteção, instalação de circuitos de TV, alarmes e cadeados reforçados, rastreamento de baterias e concretagem de cabos subterrâneos foram adotadas, mas os bandidos sempre conseguem formas novas de roubo e chegam mesmo a derrubar postes para roubar cabos e peças existentes no seu interior.

LEI

A criação de uma lei estadual traria benefícios, na opinião de Elson Freitas, como a não interrupção de serviços essenciais e a criação de um cadastro de compradores de cabos de cobre, baterias e transmissores. Essa ideia está sendo estudada com atenção especial pelo Capitão Tadeu, preocupado com os transtornos que estes roubos causam, em especial à população, uma vez que os crimes afetam "a coletividade, paralisando telefones públicos, hospitais, hotéis, redes bancárias, internet."
Mas, além de lei, é preciso uma série de medidas contra o crime, diz o Capitão Tadeu. Uma delas é a mudança do conceito sobre o que seja segurança pública. "Enquanto ela estiver vinculada apenas a uma questão de polícia, os resultados deixarão a desejar", adiantou o deputado, para quem na Bahia existe, hoje, "a melhor cúpula de segurança pública dos últimos anos", mas falta uma cultura de paz.



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