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Nilo: ''Homem público exemplar''

Publicado em: 15/06/2012 00:00
Editoria: Diário Oficial

Presidente da AL, Marcelo Nilo disse que viveu um dos momentos mais importantes e emocionantes da sua vida política
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A um plenário repleto de políticos, empresários, intelectuais, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo, confessou a emoção de homenagear "um homem ilustre", o ex-governador Roberto Santos. Vivendo, "sem dúvida, um dos momentos mais importantes e emocionantes" da sua vida pública, Nilo declinou seu agradecimento a três lideranças políticas e aos ensinamentos delas herdados. Do ex-senador Jutahy Magalhães, absorveu a importância de "se cumprir os compromissos". Com o governador Jaques Wagner, aprendeu a "respeitar o contraditório". E do ex-governador Roberto Santos, ficou a lição da coerência.
Estes são princípios que ainda hoje o deputado Marcelo Nilo, após seis mandatos como deputado estadual e três gestões como presidente da Assembleia, professa. A revelação, feita na abertura do discurso em homenagem ao ex-governador baiano, esteve recheada de emoção, confessa, e de agradecimentos públicos também aos seus pares "que aprovaram" por quase unanimidade a concessão da medalha a Roberto Santos, "reserva moral e intelectual da nossa terra."

EXEMPLO

"Homem público e cidadão exemplar que homenageamos com a mais alta comenda desta Casa Legislativa, construiu carreiras acadêmica e política raras", disse Nilo ao relembrar a vida pública do ex-governador, um "homem de coerência política, fiel às suas convicções, raro e plural. A pluralidade evidencia-se na simples menção a alguns dos títulos colhidos em sua longeva trajetória: médico, professor universitário, reitor, ministro da Saúde, deputado federal, governador do Estado."
Ao traçar um paralelo entre Roberto Santos e o "saudoso" Edgard Santos, o presidente do Legislativo lembrou que ambos, pai e filho, tiveram trajetórias semelhantes. "Os dois, diplomados pela Faculdade de Medicina da Bahia, exerceram cátedras na mesma faculdade, foram reitores da Universidade Federal da Bahia, conselheiros e presidentes do Conselho Federal de Educação. Foram ministros de Estado na área social e se voltaram para o serviço público no que há de mais sublime. Servir ao público, aos baianos e brasileiros foi o mote da vida do pai e do filho, responsáveis por intensas mudanças no panorama social, político, econômico e cultural da Bahia."
Lembrando que os anos 50 e 60 são referência, "até hoje, como época áurea da Bahia, marco para o desenvolvimento e a modernização efetiva da nossa terra", Marcelo Nilo lembrou das realizações de ambos, realçando que "não deixa de ser curioso que o reitor Edgard Santos tenha implantado o Hospital das Clínicas, que hoje leva o seu nome, e que o Dr. Roberto Santos, quando governador, ergueu o Hospital Geral que leva o seu nome e que, acredito, terem sido dois grandes marcos referentes à saúde pública durante todo o século passado."

PIONEIRISMO

Nilo fez questão de lembrar que sua carreira profissional iniciou-se no governo Roberto Santos, como estagiário da Embasa, de onde saiu presidente no governo Waldir Pires. E remontou a 1975, início da administração de Roberto Santos, que voltou "sua gestão para a atenuação dos problemas sociais da população e para o desenvolvimento com justiça social. Notadamente no atendimento público de saúde e na educação. Ele implantou o primeiro museu de tecnologia do país, bem como incentivou a economia apoiando o Polo Petroquímico de Camaçari."
Filho do lendário reitor Edgard Santos e de Carmem Figueira Santos, Roberto Santos é médico formado pela Universidade Federal da Bahia, em 1949. Dois anos depois, tornou-se professor titular daquela instituição. Especializou-se em clínica médica nos Estados Unidos e em medicina experimental na Universidade de Cambridge. Foi secretário de Saúde no governo Luiz Viana Filho, cargo do qual abdicou ao ser nomeado reitor da Ufba, em 1967, ocupando a mesma posição que notabilizou o professor Edgard Santos.
Foi presidente da Associação Brasileira de Educação Médica e presidente do Conselho Federal de Educação, ocupando também um assento no Conselho de Ensino Superior das Repúblicas Americanas, em Nova Iorque, de 1968 a 1975. Na política, a primeira filiação partidária aconteceu em 1974, quando ingressou na Arena. Com o fim do bipartidarismo, filiou-se ao Partido Popular, de Tancredo Neves, onde despontou como uma alternativa capaz de reunir os setores moderados tanto da Arena quanto do MDB. Com a criação do PMDB, Roberto Santos filiou-se à agremiação, pela qual disputou o governo do Estado.
No governo do presidente José Sarney, presidiu o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi ministro da Saúde e representante do Brasil no Conselho Diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, Suíça, de 1987 a 1990. Ao deixar o PMDB, ingressou no PSDB, sendo eleito deputado federal, em 1994, mesmo ano em que se aposentou da Universidade Federal da Bahia.
Roberto Santos publicou mais de quarenta obras e ocupa a cadeira 26 da Academia Baiana de Letras. Integra, também, a Academia Nacional de Medicina. Em seu governo, iniciado em 1975, Roberto Santos implantou 33 Centros Sociais Urbanos em todo o estado para atender as populações de baixa renda e construiu o Centro de Convenções da Bahia, dotando Salvador de um moderno local de eventos.
O Projeto Urbis, voltado à construção de casas populares, foi outro marco da sua administração. Na área de educação, construiu mais de três mil salas de aula em todo o estado. No setor rodoviário, mais de dois mil quilômetros de estradas.
A homenagem da Assembleia Legislativa ocorreu a partir de projeto de resolução unânime da Mesa Diretora e aprovada em plenário com o propósito de "conceder uma significativa homenagem, na forma da Comenda Dois de Julho, ao ex-governador da Bahia e notável homem público". Para o deputado Marcelo Nilo, a sessão especial foi uma oportunidade para os baianos, através de seus legítimos representantes, homenagearem "um homem ilustre que deixa como legado não apenas uma obra administrativa notável, mas invulgar marca de decência, sobriedade e dignidade pessoal e pública. Um intelectual que transcendeu a academia para servir ao público nos mais elevados cargos."
A Mesa que dirigiu a sessão especial espelhou a dimensão da importância e abrangência do homenageado. Esteve composta por dois ex-governadores (Paulo Souto e Waldir Pires); pelo secretário de Administração Penitenciária e representante do governador, Nestor Duarte; pelo vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito; pela Magnífica reitora da Universidade Federal da Bahia, Dora Rosa; pelo procurador Geral de Justiça, Wellington Silva; pela vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado, Ridalva Figueiredo; pelo presidente da Academia de Letras da Bahia, Aramis Costa; pelo presidente da Associação Baiana de Educação, José Rogério Vargens, por João Sá, da Associação Comercial da Bahia; por Edivaldo Boaventura, do jornal A Tarde, por Francisco Senna, representando o presidente do Tribunal de Contas do Município, e por Consuelo Pondé de Sena, presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.



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