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O desmatamento e especulação foram debatidos em comissão

Publicado em: 06/06/2012 00:00
Editoria: Diário Oficial

Colegiado presidido pelo deputado Bira Corôa debateu o tema no Dia do Meio Ambiente
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O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado ontem, mereceu da Comissão Especial da Promoção da Igualdade, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT), ontem, pela manhã, durante audiência pública, uma reflexão sobre até quando a natureza vai permitir o acesso à àgua potável e também sobre as áreas disponibilizadas para o plantio da alimentação humana e animal, diante do "desmatamento criminoso que é efetuado por grupos econômicos poderosos" do país.
A maior prova da preocupação do colegiado e de todos que representaram segmentos da comunidade baiana está na grande estiagem que assola 244 municípios do Estado, considerada a maior seca dos últimos 47 anos e também no excesso de águas, com enchentes surpreendentes nas regiões Sul e Norte do país.
A devastação das florestas, a destruição das águas e das nascentes dos rios, entre outros crimes ecológicos, têm causado muitos prejuízos ao planeta e em especial proporcionado o aquecimento global que preocupa bastante toda a humanidade. Por isso, Bira Corôa (PT), que também é biólogo, fez questão de destacar na abertura da sessão que "hoje (ontem) não é só um dia de festas para se comemorar, mas, acima de tudo, um dia de reflexão da humanidade, pois não sabemos até quando teremos água potável e a maior prova disso é a Inglaterra, entre outros, que pode entrar em crise num espaço de 20 anos."
A extração ilegal de madeiras nativas, o tráfico de animais e consequente extinção de várias espécies raras, também foram lembrados durante a audiência, bem como a demarcação das terras indígenas, pois, além da vitória dos pataxós na decisão do Supremo Tribunal Federal de 54 mil hectares entre os municípios de Pau Brasil e Camacã, existem outros conflitos entre posseiros e grileiros, com tribos verdadeiramente donas das terras, como na Serra dos Padeiros, em Buerarema, e também com o município de Rodelas.
Outro assunto muito debatido na sessão foi a atitude da Marinha brasileira em criar uma base justamente no Rio dos Macacos, próximo à Praia de Inema, em São Tomé de Paripe, prejudicando uma comunidade quilombola, além do crescimento desordenado da especulação imobiliária e o aparecimento de animais selvagens, como jacarés e cobras, em bairros de Salvador.

EUCALIPTO

Para todos os participantes da audiência, a cultura do eucalipto não é somente um grande mal para a natureza na Bahia, pois provoca a destruição do reino vegetal e animal, mas também a razão maior da destruição da agricultura para os pequenos agricultores. Além de esgotar toda reserva de água dos lençóis freáticos e dos próprios rios.
Todos reconhecem que o plantio do eucalipto cria uma geração de renda e emprego, mas os prejuízos para a agricultura e todo o reino animal que sobrevivia na área é total. Os representantes dessas áreas, como nos municípios de Inhambupe, Entre Rios, Itanagra e outros, solicitam da comissão uma campanha para expulsar todas as empresas que vivem do plantio do eucalipto, pois os agricultores estão praticamente destruídos, sem condições de plantar e sobreviver.
"Onde existe a plantação do eucalipto, não existe sequer erva daninha. Tudo é extinto. Até os insetos são extintos. Não sobrevive raiz, plantação, flores e só mesmo o eucalipto se mantém vivo. O solo não tem futuro, pois os lençóis freáticos são destruí­dos e nos pequenos rios só corre água no período das chuvas", concluiu o deputado Bira Corôa.



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