O centenário de nascimento do cantor e compositor Luiz Gonzaga foi comemorado na Assembleia Legislativa em sessão especial proposta pela deputada estadual Luiza Maia (PT). Tendo como principal convidado o sobrinho do homenageado, Joquinha Gonzaga, o evento foi marcado pelo som das sanfonas. Na ocasião, as canções que fazem parte do imaginário cultural de todo o povo brasileiro ditaram o ritmo das homenagens ao Rei do Baião. Morto há 23 anos, o Velho Lua continua sendo a maior referência da cultura nordestina em todo o país.
A sessão foi aberta pelo presidente da AL, deputado Marcelo Nilo (PDT), que convidou os compositores Adelmário Coelho, Carlos Pita, Targino Gondim, Edu Casanova e Del Feliz, além do secretário de Cultura, Albino Rubim, e a deputada estadual Luiza Maia para compor a mesa dos trabalhos. Em seguida, dando início à solenidade, o grupo de artistas cantou Asa Branca e Vida de Viajante, dois clássicos da música popular brasileira.
Marcelo Nilo disse que Luiz Gonzaga foi o compositor que melhor soube interpretar a alma do nordestino e lembrou que teve a oportunidade de assistir a um show do artista, no Teatro Castro Alves, em 1976, ocasião em que o Rei do Baião reclamou que a sua música era pouco tocada na Bahia. "Mas a Bahia sempre tocou a sua música e reverenciou o seu enorme talento. O São João é a maior festa popular da Bahia e o forró é a música que nos faz lembrar das nossas raízes. Luiz Gonzaga pode ser comparado a Pelé, pela sua genialidade, que é insubstituível", ressaltou o presidente.
Em seguida, Marcelo Nilo passou a condução dos trabalhos para a deputada Luiza Maia. A petista lembrou que o compositor tem mais de 500 músicas e é um patrimônio não só de Pernambuco, mas do Nordeste e do país. "Começou com Luiz Gonzaga o sentimento de orgulho de ser nordestino, mostrando a beleza da sua gente, mesmo enfrentando as dificuldades do seu dia a dia", disse.
TESTEMUNHA
O sobrinho do compositor, Joquinha Gonzaga, que representou a família do homenageado, contou que por onde passa procura ser uma testemunha do talento e do caráter de Luiz Gonzaga. "Eu sou o único da família que toca sanfona, infelizmente, mas temos companheiros em todo o Brasil que continuam carregando a tradição da sanfona, do forró, do baião, todos esses símbolos da música nordestina", disse.
Ele contou que Luiz Gonzaga desde jovem tinha o sonho de cair na estrada levando sua música e de ganhar dinheiro com isso. Após começar a fazer sucesso no Sudeste, onde estava concentrada a indústria da música no Brasil, mudou-se para o Rio de Janeiro e levou as suas irmãs. Acostumada com a vida pacata do interior, a família não acompanhou o ritmo da cidade grande e sentiu dificuldades de adaptação.
Luiz Gonzaga então comprou uma área em Duque de Caxias, onde a sua família se sentiu mais confortável. O local, inclusive, tornou-se um lugar de encontro de músicos de todo o país. "Nas suas viagens, comprava farinha, feijão de corda, carne do sol, piqui e outras iguarias nordestinas, e se fazia a festa. Músicos como Jackson do Pandeiro, os integrantes do Trio Nordestino, entre outros artistas, sempre participavam desses encontros. Acredito que ali se formou o primeiro núcleo de cultura nordestina no Sul do Brasil. E foi nesse ambiente que aprendi a tocar, com o incentivo do meu tio", lembrou.
Joquinha disse que Luiz Gonzaga, apesar da sua genialidade, era uma pessoa simples, não era arrogante, nunca pagou para que sua música fosse executada nas rádios e tratava os fãs como se fossem pessoas da família. "Ele chegava na cidade para fazer o show e, logo depois de chegar no hotel, descia para a praça para conversar com as pessoas e contar causos. Eu não gostava porque achava que ele se expunha muito. Mas era o jeito dele", contou.
INFLUÊNCIA
Os cantores presentes na sessão se revezaram na Tribuna para render homenagens a Luiz Gonzaga, reafirmando a forte influencia da sua música nas composições contemporâneas. Del Feliz disse que a história da música brasileira se divide entre antes e depois de Luiz Gonzaga. Carlos Pita destacou que o homenageado não é apenas o Rei do Baião, mas também o rei da dignidade que todo homem que se sente nordestino possui.
Já Adelmário Coelho, que tem acompanhado iniciativas como a do Legislativo baiano por todo o Brasil, inclusive da área acadêmica, falou sobre a qualidade da "obra fantástica de Luiz Gonzaga".
O secretário de Cultura, Albino Rubim, afirmou que era uma honra poder participar de uma homenagem a uma figura tão importante da cultura nacional. "Fui antecedido por intervenções musicais que falam mais do que qualquer discurso. Luiz Gonzaga foi um brasileiro notável, criador genial, referência no imaginário do povo brasileiro e personagem importante na criação da identidade do nordestino", disse.
Reverenciando a memória de Gonzagão, os músicos e a plateia cantaram as suas músicas inesquecíveis no encerramento dos trabalhos.
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