A Assembleia Legislativa realizou, nesta sexta-feira, sessão especial para discutir o tema Tecnólogos e o Mercado de Trabalho. O debate, promovido pela deputada Kelly Magalhães (PCdoB), foi solicitado pelo Núcleo dos Tecnólogos da Bahia (NTB) e aberto pelo presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo (PDT). Em Salvador, existem cerca de 95 cursos de graduação tecnológica em várias modalidades. Em média, oito mil alunos se formam por ano e buscam vaga no mercado de trabalho.
"Um dos principais problemas reside no reconhecimento da profissão como de nível superior e na remuneração. No mercado de trabalho, os salários pagos correspondem ao de profissionais de nível médio. Diante dessa problemática, entendi ser oportuna a realização desta sessão, trazendo atores envolvidos no assunto para debater o tema e buscar soluções", ponderou Kelly. A parlamentar destacou que o projeto de lei que regulamenta a profissão de tecnólogo tramita no Congresso Nacional desde 2007, o que tem acarretado prejuízos para os estudantes que concluem seus cursos.
De acordo com a presidente do NTB, Marleide Nogueira, o objetivo é buscar alternativas para a valorização do tecnólogo no mercado de trabalho. "Apesar de os tecnólogos saírem de cursos de graduação, o mercado ainda trata e remunera esses profissionais como se fossem de nível médio ou técnico", justifica.
A estudante do curso de Tecnologia de Petróleo e Gás destacou a importância do reconhecimento e valorização desses profissionais, e ponderou os avanços da categoria no Estado. "Tivemos uma audiência com o secretário da Saúde, Jorge Solla, e fomos informados que o tecnólogo de Radiologia poderá participar do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos, o que permite ao profissional participar de concursos públicos do Governo do Estado. Isso significa uma grande vitória e tenho fé que outras conquistas alcançaremos", afirmou Marleide.
CARÊNCIA
A carência dos cursos de graduação tecnológica no Brasil foi destaque na fala do vice-presidente do Núcleo dos Tecnólogos da Bahia, Leandro Barreto. Segundo ele, existe uma descriminação por parte de algumas empresas privadas e concursos públicos no reconhecimento da profissão. Como exemplo, Leandro citou a Petrobras, e contou que a empresa não expõe com clareza em seu edital que não aceita tecnólogos. "Depois de muita luta, conseguimos inserir alguns cargos. No entanto, uma minoria de engenheiros da Petrobras discrimina os tecnólogos, principalmente os formados na área industrial, como petróleo e gás. A única coisa que queremos é o nosso espaço", protestou.
REGULAMENTAÇÃO
A deputada federal Alice Portugal (PCdoB/BA) defendeu a regulamentação da profissão e criação de novos conselhos. De acordo com a parlamentar, embora essa modalidade de ensino exista no Brasil desde a década de 60 e conte com "sólidas bases legais", até hoje existem preconceitos contra a categoria. Para ela, a aprovação do projeto de lei 2.245/07, que regulamenta a profissão de tecnólogo, vai contribuir para a valorização desses profissionais.
Conforme o projeto, o título de tecnólogo será privativo dos diplomados em cursos superiores de tecnologia reconhecidos oficialmente. Entre as atribuições dos tecnólogos estão: analisar dados técnicos, desenvolver estudos, orientar e analisar projetos; supervisionar e fiscalizar serviços técnicos dentro das suas áreas de competência contempladas no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do MEC; prestar consultoria, assessoria, auditoria e perícias; exercer o ensino, a pesquisa, a análise, a experimentação e o ensaio; e conduzir equipes de instalação, montagem, operação, reparo e manutenção de equipamentos.
A mesa de discussão também foi composta pelo deputado estadual Álvaro Gomes (PCdoB); pelo diretor presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães; o diretor do campus de Salvador do Instituto Federal da Bahia (Ifba), Albertino Ferreira Júnior; e o diretor executivo da Associação das Empresas Produtoras de Petróleo e Gás Natural Extraídos de Campos Marginais do Brasil (Appom), Anabal Alves. O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fieb), José de Freitas Mascarenhas, foi representado por Tarso Barreto Nogueira.
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