Sob muita expectativa quanto ao destino que o planeta terá em 2012, após a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, apelidada de Rio + 20, os deputados Marcelo Nilo (PDT) e Adolfo Viana (PSDB) resolveram promover ontem, na Assembleia Legislativa da Bahia, um seminário sobre a Conferência das Nações Unidas com a participação de especialistas, ONGs e representantes da sociedade civil.
Segundo especialistas em meio ambiente, duas décadas se passaram desde a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida por Cúpula da Terra e ECO ou Rio 92, que foi considerada a mais importante conferência ambiental mundial até hoje. Porém, o que se constata, ainda, é que há muito a fazer na agenda socioambiental mundial.
Por isso, e com o objetivo de fazer um balanço das propostas e perspectivas para a conferência Rio + 20, os parlamentares convidaram para o debate o deputado federal, presidente da Comissão de Meio Ambiente e coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara federal, Sarney Filho (PV); o professor e diretor do Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz, Rubens Harry Born; o secretário de Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge Alves; e a diretora vice-presidente do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável, Mariana Meirelles.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara federal, Sarney Filho, acredita que a Rio + 20 contribuirá para o fortalecimento do multilateralismo, com um modelo institucional que integre as agendas econômica, social e ecológica. "Serão 20 anos desde as primeiras tentativas de um entendimento mundial que evitasse que chegássemos exatamente aonde estamos agora", ressaltou o deputado federal.
Na opinião de Sarney Filho, o Brasil tem atuado nas negociações internacionais relacionadas à questão ambiental de forma proativa, o que coloca o país em posição de legitimidade para bem conduzir os entendimentos na conferência de junho. "O problema é que, no processo da Rio + 20, até agora, o Brasil ainda não se consagrou efetivamente como uma liderança criativa e ousada", explicou ele.
Mesmo com todos os problemas atuais, o deputado federal demonstrou otimismo e disse que acredita nas condições técnicas e no conhecimento dos brasileiros para garantir emprego e renda, alimentos, moradia e transporte, comércio e serviços para todos, sem destruir o planeta.
O modelo de consumo do país também foi analisado pelo professor e diretor do Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz, Rubens Harry Born. Ele destacou que o país está construindo cidades para carros e não para pessoas. "Precisamos repensar nossa maneira de conduzir as cidades, e os consumidores têm que ser conscientes, assim como o poder público, caso contrário de nada adiantará debater em conferências o desenvolvimento sustentável do planeta", concluiu o professor.
Ainda segundo Rubens Born, falta realizar os sonhos que foram escritos no início. "Está na hora de dar a volta por cima e honrar nossos sonhos, não só como promessa mas como dignidade", declarou ele.
A diretora vice-presidente do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável, Mariana Meirelles, acredita que o Brasil já tem resultados muito claros da participação da sociedade e das empresas no desenvolvimento sustentável. Ela avaliou que podem ser contabilizadas inúmeras empresas que têm saído do papel de vilã para parceira do desenvolvimento.
Entretanto, a diretora ressalta que, frente aos problemas mundiais, esse é um papel muito tímido. "Métodos existem, falta vontade política de fazer. E, por isso, devemos nos preocupar com o pós Rio + 20. Não estamos pessimistas, mas estamos ansiosos com o que vai sair da conferência. A gente queria muito que ela servisse para comprometer ainda mais a participação empresarial em direção ao desenvolvimento sustentável", reforçou Mariana Meirelles.
Para o secretário de Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge Alves, antigamente, o capitalismo massacrava outras espécies; agora, nosso comportamento ameaça a nossa própria espécie. "Nós temos que assumir a tarefa de mudar a forma de viver. O Brasil não pode se esconder debaixo da saia da Guatemala, como se tivéssemos a mesma capacidade de resposta de lá", destacou o secretário. Ainda de acordo com Eduardo Jorge, o país e os brasileiros precisam urgente mudar seus costumes e projetos, estimulando cada vez mais a diminuição dos danos ao meio ambiente.
O deputado federal Sarney Filho, do PV, acredita que o Brasil mostrará na Rio + 20 que não é apenas mais um Estado nacional que defende essencialmente seus próprios interesses, mas que é, em parte relevante, responsável pela boa condução das conversações internacionais e por resultados positivos para a comunidade global. "Torçamos todos para que alcancemos avanços ainda maiores nessa perspectiva. Competitividade econômica, geração de emprego e renda e proteção do meio ambiente podem sim ser compatibilizados", reforçou Sarney Filho.
CONFERÊNCIA
A Rio + 20 acontecerá entre os dias 20 e 22 de junho com dois eixos de discussão, elaborados pela ONU, entre eles: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e o arcabouço institucional para o desenvolvimento sustentável.
Está prevista uma forte discussão sobre a economia verde que, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), é aquela que "resulta na melhoria do bem-estar humano e da equidade social, ao mesmo tempo que reduz significativamente os riscos ambientais e a demanda de recursos escassos do ecossistema". Economia verde pressupõe, também, baixa emissão de carbono, uso eficiente dos recursos naturais e, sobretudo, uma economia que não represente a devastação do ambiente.
REDES SOCIAIS