O centenário de nascimento do ex-governador Antônio Balbino foi lembrado pela Assembleia Legislativa da Bahia com a realização de sessão especial em homenagem àquele que é considerado "um dos maiores governantes do seu tempo". Políticos, empresários, representantes do Poder Judiciário, do Exército, deputados e familiares compareceram à sessão, que teve como ponto comum a todos os oradores os elogios à capacidade intelectual e administrativa de Antônio Balbino.
Historiando a vida do homenageado desde o nascimento, em Barreiras, no Oeste baiano, a deputada Kelly Magalhães (PCdoB), conterrânea e autora da proposta da sessão especial, enumerou os diversos títulos acadêmicos e cargos políticos conquistados por Balbino, "grande líder político da Bahia" que, em que pesem as funções que exerceu nacionalmente, como ministro de Estado e procurador geral da República, foi aqui "que pode exercitar sua vocação política" e desenvolvimentista.
Balbino "foi o primeiro a planejar a Bahia", disse a deputada, relatando diversas obras realizadas na sua administração, como a construção e inauguração do Teatro Castro Alves e da Maternidade Tsylla Balbino, as mais lembradas pelos oradores.
CAPACIDADE
O ex-governador Waldir Pires qualificou a gestão de Balbino à frente do governo da Bahia como "admirável". Foi naquele governo, disse, que "se iniciou a metodologia inteligente e criteriosa de desenvolvimento" do Estado, tendo à frente Rômulo Almeida.
"Rememorar Antônio Balbino não é só uma deferência pessoal, mas é relembrar um governo que alimentou a convicção do desenvolvimento da Bahia", opinou o presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, citado pela deputada Magalhães como importante parceiro nas homenagens que vêm sendo prestadas a Antônio Balbino neste centenário de seu nascimento.
Balbino foi, de fato, "um homem preparado para brilhar", disse o deputado Herbert Barbosa (DEM). Citando as diversas matérias lecionadas por Balbino em diferentes faculdades. Barbosa disse que Antônio Balbino "sabia tudo da Bahia, do Brasil e do mundo". As qualidades do ex-governador nas esferas Executiva, Legislativa e, sobretudo, no Judiciário foram enaltecidas também pela bisneta de Balbino, Zizete Evangelista, que, dentre o rol de feitos do bisavô, elogiou seu perfil de "grande operador do Direito". Antônio Balbino conquistou o título máximo de Doutor nesta cátedra.
OBRAS
Antônio Balbino de Carvalho Filho nasceu, no dia 22 de abril de 1912, em Barreiras. Aos 17 anos, foi morar no Rio de Janeiro, onde estudou Direito e começou a trabalhar no jornal A Noite. Na França, fez um curso de aperfeiçoamento em economia política na Sorbonne. De volta a Salvador, passou a trabalhar no jornal O Imparcial e elegeu-se deputado estadual pela oposição.
Em 1945, ingressou no Partido Popular Sindicalista (PPS), em cuja legenda tentou, mas não conseguiu, eleger-se para a Assembleia Nacional Constituinte. Filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD) e foi eleito deputado estadual, em 1947, e deputado federal, em 1950. Balbino foi nomeado ministro da Educação e Saúde no governo Vargas. Deixou a pasta, em julho de 1954, para sair vitorioso das eleições ao governo da Bahia.
Através do Derba, Antônio Balbino abriu ao tráfego 1,4 mil quilômetros de rodovias; criou a Comissão de Planejamento Econômico (CPE), que executou projetos como o Fundo de Desenvolvimento Agroindustrial (Fundagro), a Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba), Matadouros Frigoríficos S.A. (Mafrisa), Companhia de Armazéns e Silos (Caseb) e Companhia Telefônica da Bahia (Tebasa, depois rebatizada como Telebahia).
Em Salvador, suas obras de destaque foram o Teatro Castro Alves, a Maternidade Tsylla Balbino e o Ginásio de Esportes Antônio Balbino (o Balbininho, única obra no estado que recebeu o seu nome), demolido recentemente para a construção da Arena Fonte Nova.
O golpe militar de 1964 e a extinção dos partidos políticos não afetaram seu mandato. Com a instauração do bipartidarismo, filiou-se ao oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Ao findar de seu mandato, em janeiro de 1971, abandonou a vida política, dedicando-se à advocacia, no Rio de Janeiro (onde faleceu em maio de 1992), e a projetos agropecuários em Barreiras, sua terra natal.
Toda esta trajetória pessoal e política de Antônio Balbino foi relembrada ontem durante a sessão especial, que teve a Mesa dos trabalhos composta pelo presidente Marcelo Nilo (PDT), pela deputada Kelly Magalhães, pelos ex-governadores Waldir Pires, Roberto Santos e Nilo Coelho. O presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, o vice-governador Otto Alencar, a prefeita de Barreiras, Jusmari Oliveira, e as irmãs do homenageado, Solange e Zizete Balbino, completaram a Mesa.
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