Atendendo ao pedido de lideranças comunitárias e representantes de pescadores e marisqueiros da região conhecida como subúrbio ferroviário de Salvador, membros da Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa visitaram na segunda-feira, dia 9, os bairros de Praia Grande, Periperi e Paripe, com o intuito de verificar o estado de balneabilidade das praias e também as condições de atendimento do Hospital Geral João Batista Caribé, que serve aos moradores da localidade. Fizeram parte da visita o presidente do colegiado, deputado José de Arimatéia (PRB) e também os deputados Sargento Isidório (PSB) e Marcelino Galo (PT).
A reclamação dos moradores em relação às praias é de que as galerias pluviais e de drenagem que desembocam nas praias da região têm levado além das águas das chuvas e das nascentes também esgoto e muita sujeira. A ida à praia é uma das principais, quando não é a única, atividade de lazer daqueles moradores e, talvez mais importante, é o meio que pescadores e marisqueiros trabalham.
Nas três praias visitadas, a comissão encontrou veios de água escura provenientes das galerias pluviais, cortando a areia das praias e poluindo a água do mar. Segundo João Ceita, barraqueiro da praia de Periperi, mesmo convivendo com essa situação, muitos moradores frequentam a praia, principalmente nos finais de semana, e que o problema da poluição tem trazido reclamações de doenças e, muitas vezes, o mau cheiro do local espanta a sua freguesia. "É preciso que as autoridades tenham um olhar mais generoso para o subúrbio", afirmou o comerciante.
CORREÇÃO
Depois de avaliar a situação e consultar técnicos da Embasa que também acompanharam a visita, o deputado Marcelino Galo afirmou que algumas obras podem ser feitas para corrigir ou melhorar um pouco a situação das praias, mas a solução permanente só pode ser alcançada com um grande programa de despoluição de toda a Baía de Todos-os-Santos, o que traria um ganho inestimável não só para a população do subúrbio como para Salvador e cidades do Recôncavo.
José de Arimatéia reiterou que algumas obras, principalmente a cargo da prefeitura, podem ser feitas para melhorar a situação, mas só uma grande intervenção pode resolver o problema definitivamente. "Existem casas que pela necessidade de abrigo dos seus moradores foram construídas em lugares inadequados e que não estão ligadas a rede de esgoto, por exemplo. É necessário um grande investimento governamental para dotar o subúrbio das condições que seus moradores merecem", ressaltou.
Na visita ao Hospital Geral João Batista Caribé, os parlamentares foram recebidos pela diretora Letícia Albuquerque que explicou que o grande problema da unidade hospitalar é a falta de médicos e de outros profissionais especializados. "Não temos dificuldades com equipamentos ou remédios, a nossa prioridade é a gestão de recursos humanos. O mais importante de um hospital é o médico", ressaltou Letícia.
MUDANÇA
Ela disse que a falta de médicos é um problema que está acontecendo em todo o estado e também no país e que gestões junto à Secretaria de Saúde estão sendo feitas periodicamente e os pedidos têm sido atendidos na medida do possível. "É preciso também que aja uma mudança de paradigma. O atendimento básico deve ser prioridade para que o hospital só receba aquele paciente que realmente necessita de um procedimento mais específico. Hospital não é para estar lotado. Hospital vazio é sinônimo de população sadia", afirmou.
A falta de médicos dispostos a trabalhar na rede pública do estado também foi citada como um problema grave pelo deputado Sargento Isidório, que disse estar recebendo muitas reclamações de vários municípios do estado que não estão conseguindo contratar profissionais para a área. "Nós da Comissão de Saúde temos obrigação de fiscalizar, mas também de buscar as soluções para problemas como esse que é uma realidade em todo o estado", afirmou.
José de Arimatéia reiterou o caráter propositivo da comissão, explicando que o colegiado está fazendo visitas a todos os hospitais públicos para averiguar como está o atendimento a população e a gestão dos recursos públicos. "Queremos contribuir, fiscalizando mas também dando sugestões através de relatórios que são produzidos e enviados para a Secretaria de Saúde", completou.
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